Edival Alfredo Rodrigues, de 68 anos, sofreu um traumatismo craniano após ser agredido pelo próprio sobrinho, um guarda-vidas civil de Barra Velha, cidade do Litoral Norte catarinense. A briga aconteceu no último domingo (11) e, desde então, o idoso segue internado em estado grave. A família denuncia o agressor e a falta de resposta das autoridades.

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Briga que levou à trauma grave

Sara Rodrigues, uma das filhas de Edival, conta que a agressão aconteceu por causa de uma discussão sobre um cachorro. Segundo Sara, o pai mora no mesmo terreno que o suspeito e outra parente no bairro São Cristovão.

— O agressor deu uma paulada na cabeça do meu pai — conta a filha.

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De acordo com a Polícia Militar (PM), o caso foi registrado como injúria e lesão corporal leve. A corporação foi acionada via 190 após uma denúncia de desentendimento entre “moradores de um mesmo terreno.”

No boletim de ocorrência, consta que o suspeito da agressão alegou ter sido alvo de ofensas e ameaças, que terminou em violência física. Ele ainda relatou que, para interromper a agressão, teria batido no idoso, resultando em um “ferimento leve”.

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— A indignação é que na atuação da Polícia Militar eles colheram só o depoimento do agressor, que colocou como uma briga de família. Não conseguiram colher o depoimento do meu pai que estava inconsciente e, mesmo assim, não prenderam o agressor em flagrante — diz a filha de Edival.

A PM confirmou que a guarnição chegou a ir até o Pronto Atendimento de Barra Velha, onde Edival recebia atendimento, mas não foi possível colher sua versão dos fatos naquele momento.

“Diante da situação, a Polícia Militar lavrou o boletim de ocorrência e orientou as partes quanto ao prazo legal para representação criminal, conforme previsto na legislação vigente”, informou a corporação.

Sara, no entanto, conta que a família soube da internação do pai mais de 12 horas após o ocorrido, já na segunda-feira (12).

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— Já tinha passado o tempo de flagrante, eles já tinham feito o boletim de ocorrência alegando inverdades. E, enquanto isso, meu pai está em coma. Teve um traumatismo craniano — conta.

Investigação

Procurada pelo NSC Total, a delegacia de Polícia Civil de Barra Velha confirmou que investiga o caso. Testemunhas e familiares de Edival já foram ouvidos e o inquérito policial segue em andamento.

A Polícia Civil ainda informou que o suspeito não foi preso e, diante dos fatos, o caso é investigado como tentativa de homicídio.

Guarda-vidas afastado

Em nota, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) informou que tomou conhecimento do caso envolvendo o guarda-vidas civil e que, de forma imediata, adotou as medidas administrativas necessárias, incluindo o afastamento do profissional.

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“O fato ocorreu fora do local e período de atuação como guarda-vidas civil voluntário. Porém, considerando a gravidade do fato, o CBMSC optou pelo afastamento imediato para que os fatos sejam apurados com total transparência pelos órgãos competentes”, informou a corporação.

Estado de saúde do idoso

A filha conta que Edival continua internado e foi transferido para um unidade intensiva do Hospital São José, em Jaraguá do Sul.

— Estão esperando diminuir o inchaço para que ele possa fazer cirurgia, mas está lutando para viver. Não temos a certeza se ele vai sair vivo dessa. Enquanto isso, o cara ainda tá solto — diz.

Confira a nota completa do CBMSC

“O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina informa que tomou conhecimento de um fato envolvendo um guarda-vidas civil do município de Barra Velha e, de forma imediata, adotou as medidas administrativas necessárias, incluindo o afastamento do profissional de suas atividades.

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O fato ocorreu fora do local e período de atuação como Guarda-vidas civil voluntário. Porém, considerando a gravidade do fato, o CBMSC optou pelo afastamento imediato para que os fatos sejam apurados com total transparência pelos órgãos competentes.

O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina oferecerá todo o apoio necessário para que a verdade seja esclarecida e, caso seja confirmado qualquer responsabilidade do cidadão em tela, a corporação defende que as medidas legais e criminais cabíveis sejam aplicadas com o devido rigor que o caso requer.

A instituição não compactua com qualquer forma de violência. Atitudes dessa natureza não refletem os valores que norteiam a atuação do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, cuja missão é proteger vidas, agir com respeito e servir à sociedade.”