Uma jovem grávida morreu após buscar atendimento médico quatro vezes no Hospital Beatriz Ramos, em Indaial, e ser mandada de volta para casa. Ela estava entrando no sétimo mês de gestação quando começou a passar mal e procurou ajuda. Apesar de receber medicação e soro a cada nova passagem pelo pronto-socorro, era sempre liberada. Até que o quadro piorou ao ponto de mãe e filha perderam a vida.
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Os relatos foram compartilhados pela família enlutada nas redes sociais e causaram revolta. Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, estava na primeira gravidez e cerca de duas semanas antes de começar a sentir dores pelo corpo recebeu o diagnóstico de diabetes gestacional. Acompanhada pela unidade de saúde do bairro Tapajós, onde fazia o pré-natal, ela recebeu encaminhamento à nutricionista.
No dia da consulta, porém, não conseguiu ir por causa do mal-estar. Na segunda-feira (30), foi sozinha ao hospital em Indaial. Luana, mãe da jovem, conta que a filha fez exames de sangue e urina e os resultados estavam dentro da normalidade. Maria ouviu que podia voltar para casa. Mas, no dia seguinte, as dores persistiam e ela retornou ao Beatriz Ramos.
Luana diz que contou sobre o diagnóstico recente da filha de diabetes gestacional, já para alertar sobre um cuidado adicional com o quadro.
— Neste dia, os exames já vieram alterados, plaquetas baixando e urina mais “suja”. Mas optaram por não interná-la para descobrir o que estava acontecendo. Neste dia, a médica de plantão disse que suspeitava de dengue. Mesmo assim, nos mandou para casa — recorda Luana.
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Na quarta-feira (1º), a dor no corpo e a febre ainda estavam presentes e a gestante voltou para o hospital. Lá, segundo a mãe da vítima, foi medicada, mas não fizeram exames e nem mesmo hidratação. Após algumas horas em observação, a paciente ouvia que poderia retornar ao lar. Horas mais tarde, Maria não suportava mais o mal-estar e voltou ao hospital. O atestado médico mostra que foi liberada às 4h30min do dia 2.
Quando o sol nasceu, a situação ainda era a mesma. A família decidiu levar a jovem ao posto de saúde onde ela fazia o pré-natal.
— Ela foi avaliada pela equipe ali e todos se assustaram com o estado em que ela chegou: apática, cansada, cheia de manchas roxas pelo corpo, com sinal de desidratação severa. Foi encaminhada, então, para o Beatriz Ramos com urgência por um carro da prefeitura com o acompanhamento de uma enfermeira — conta a mãe da vítima.
A partir dali, tudo foi muito rápido.
— Quando ela chegou lá, foi prontamente atendida. Mas, segundo relatos dos profissionais de saúde, já sem chances de vida. Em questão de minutos, fui chamada para comparecer ao hospital e disseram que minha filha estava em estado grave de infecção generalizada e que ela e a bebê estavam correndo risco de vida — relembra Luana.
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Nesse momento, Maria já estava intubada e foi transferida às pressas para o Hospital Santo Antônio. Enquanto fazia a internação da filha, percebeu a correria de profissionais no pronto-socorro: estavam fazendo uma cesariana de emergência. Apesar dos esforços, a neta aguardada com carinho pela família não estava mais viva. Ali, então, começava uma luta pela vida de Maria.
— Minha filha ficou viva mais uma hora e meia e não resistiu. Agora eu me pergunto: o que matou minha filha tão jovem, tão cheia de saúde, tão linda? Meu Deus, como isso foi acontecer? — se questiona Luana.
Mãe e filha foram sepultadas juntas na Sexta-Feira Santa, dia 3 de abril, em Indaial.
O companheiro da jovem fez uma publicação emocionante nas redes sociais, onde contou sobre o amor por Maria, os sonhos do casal e a felicidade de esperarem juntos uma filha.
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“Eu amo muito vocês, minhas princesas, Maria, você fez parte da minha vida e sempre vai estar presente nela, sempre vai ocupar o seu lugar aqui no meu coração. E filha… Eu não vou ter a honra de criar você, de cuidar de você, de levar você à escola, de botar uma roupinha que a mamãe diria que não estava combinando. Mas eu tive a honra de pegar você no colo, de te beijar. Você sempre vai ser a filhinha do papai, sempre vai ser o meu maior amor. Eu sempre vou amar vocês”.
Hospital diz que está apurando o caso
O hospital não quis dar entrevista sobre o assunto e preferiu se manifestar através de nota (leia na íntegra abaixo). No documento, diz: “Desde a ocorrência envolvendo a paciente Maria Luiza Bogo Lopes, iniciou-se imediatamente a adoção de todas as medidas cabíveis para o esclarecimento completo dos fatos”.
A Associação Beneficente Hospital Beatriz Ramos informa que, desde a ocorrência envolvendo a paciente Maria Luiza Bogo Lopes, iniciou imediatamente a adoção de todas as medidas cabíveis para o esclarecimento completo dos fatos.
O caso está sendo submetido a investigação técnica rigorosa, conduzida em conformidade com os protocolos do Conselho Federal de Medicina e do Ministério da Saúde, respeitando todos os fluxos institucionais aplicáveis.
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A apuração ocorre no âmbito da Comissão Técnica Hospitalar, com análise criteriosa e detalhada, incluindo a revisão minuciosa de todo o processo assistencial desde o primeiro atendimento prestado à paciente.
O Hospital Beatriz Ramos lamenta profundamente o ocorrido e expressa sua solidariedade à família neste momento de dor. A instituição reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a responsabilidade, assegurando que a apuração será conduzida com a máxima seriedade.





