Mais cidades catarinenses entraram para a lista das que decretaram situação de emergência por conta do preço da cebola. Além da capital nacional da produção, Ituporanga, outros três municípios do Alto Vale e três de regiões distintas declararam estar em apuros depois do preço por quilo pago ao agricultor cair pela metade em comparação ao ano passado.
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Atalanta, Chapadão do Lageado, Imbuia, no Alto Vale, Alfredo Wagner, Leoberto Leal, na Grande Florianópolis e Lebon Régis, no Meio-Oeste, publicaram os decretos na semana passada. Nos textos, as prefeituras ressaltam que possuem a economia fortemente ligada à produção do alimento e que, com a baixa nos preços, a rentabilidade de agricultores familiares é diretamente atingida.
Com o documento, os governos municipais podem adotar medidas excepcionais para ajudar os produtores, como reavaliar prazos, auxiliar na obtenção de linhas de crédito e negociação de dívidas, entre outras ações para contribuir com a administração de uma equação que não está fechando.
Como mostrou a reportagem do NSC Total, um levantamento técnico apontou que o custo médio de produção da cebola, compreendendo mudas, defensivos, máquinas e mão de obra seria de R$ 1,33 por quilo. Na safra passada, já não foi esse o valor que o agricultor catarinense conseguiu na hora de vender a produção. O preço ficou na casa de R$ 1,20.
O cenário ideal, conforme Volmir Borssatto, engenheiro agrônomo de Ituporanga, seria de R$ 2 o quilo, para pagar os custos e sobrar para investimentos. A última vez que o preço ficou dentro do esperado foi na safra 2023/2024.
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Para ter uma ideia do tamanho do impacto na economia local, o engenheiro agrônomo exemplifica: com o valor de R$ 2 pagos ao agricultor, isso renderia uma arrecadação na casa dos R$ 200 milhões ou até R$ 250 milhões. Com o valor atual, fica na ordem de R$ 100 milhões.
Neste ano, foram colhidas cerca de 158 mil toneladas do alimento em Ituporanga. Quem tem como armazenar e esperar uma eventual mudança no preço, espera. Mas também não se pode aguardar muito. É que, a partir de março, a cebola argentina passa a entrar no mercado brasileiro. Com o preço baixo por aqui, não deve haver muita importação, porém é outro fator preocupante.
Os números da cebola em SC
- SC produz cerca de 40% da cebola que abastece o mercado brasileiro
- Cerca de 30% disso vem de produtores do Alto Vale do Itajaí
- São 10% saindo especificamente de Ituporanga

