O campus Trindade da Universidade Federal de Santa Cataria (UFSC), em Florianópolis, estava em clima de festa para os aprovados na universidade por meio do Vestibular Unificado no início da tarde desta segunda-feira (12). Entre cabeças raspadas, tinturas e abraços de familiares, amigos e amores, os novos calouros da instituição pública comemoravam a conquista da tão sonhada vaga no ensino superior.
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Um dos novos calouros da UFSC é Heitor Pierini Santiago, de 20 anos, que conquistou o primeiro lugar de Escola Pública em Medicina. Ex-estudante do IFSC, o manezinho começou a preparação para o vestibular quando estava no quarto ano do ensino médio do instituto — que conciliava com o curso técnico de Telecomunicações, em São José, na Grande Florianópolis.
— Comecei a estudar e, em 2025, fiz um cursinho e também mesclei com preparação on-line — contou ele ao NSC Total.
Heitor compartilha que, durante o período de preparação, ia para a academia às 5h, e quando chegava em casa, por volta das 8h, ia direto estudar. Após uma pausa para o almoço, estudava novamente até às 18h e, às vezes, ia até às 20h. No final de semana, era o mesmo ritmo. Ele estima que eram cerca de 10 horas de estudo por dia, o que resultou na aprovação ao vestibular na primeira tentativa.
Como conselho aos jovens que estão passando pelo mesmo período da vida, o futuro médico recomenda:
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— Acredito que é importante não se comparar, sempre rever o método de estudo, fazer muito simulado, além dos clichês: foco e disciplina — diz ele.
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Outra aprovada em Medicina foi Isadora Valerim Silviera, de 21 anos. Natural de Tubarão, no Sul do Estado, ela ficou em 1º lugar no curso disputado e em 3º lugar geral. Ao NSC Total, ela contou que, ao se formar no ensino médio em 2022, se dedicou a três anos de cursinho:
— Eu chegava cedo no cursinho, tomava café da manhã lá e, após estudar a manhã inteira, tinha aulas no período da tarde. Fazia muitos simulados, muitas questões para rever os meus erros. Sempre foi uma vontade minha fazer Medicina, mas no terceirão que surgiu a vontade de fazer na UFSC — diz.
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A mãe e o pai, que acompanhavam Isadora, estavam emocionados.
— O coração de mãe tem que ser forte num dia como hoje. Depois de uma luta de estudos, ser contemplada em primeiro lugar [em Medicina] é muita felicidade para a gente, porque também envolve toda a família, o irmão, o pai, a mãe, o namorado, todos que estão em volta dela para ajudar nesse processo. Estamos muito felizes que agora vai começar uma outra fase da vida dela, com mais estudos, né? E nós estamos aqui para apoiá-la — disse risonha a mãe, Cristina Valerim, de 49 anos.
Há também quem até teve uma história de superação antes da tão sonhada aprovação no vestibular. Foi o caso de Arthur Araujo Almeida, de 18 anos, que estuda nos arredores da UFSC desde pequenino: do Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) ao Colégio de Aplicação (CA), durante o ensino fundamental e médio, ambos no bairro Trindade.
Acontece que, há dois meses da prova do Vestibular Unificado, Arthur foi atropelado enquanto estava em uma ciclovia do bairro. De acordo com o pai do jovem, ele passou por uma cirurgia de cerca de três horas para restaurar um dos dedos da mão direita e, no dia da prova, ainda não conseguia escrever. Por isso, ele teve um atendimento especializado, onde teve que ditar as respostas para um profissional que o acompanhou durante o exame. Apesar do susto, deu tudo certo. Ele foi aprovado em Engenharia de Controle e Automação em 11º lugar, na primeira tentativa.
— Nem sempre senti a vontade de fazer Engenharia, a escolha foi mudando com o tempo. Como toda criança, queria ser astronauta [risadas], mas eu sabia que queria algo na área de Exatas. O curso só brilhou para mim quando eu vi sobre ele na Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação (Sepex) da UFSC — contou.
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Em meio aos muitos jovens com camisetas de cursinhos, tintas e cabeças raspadas, um dos aprovados se destacava e chamava a atenção dos presentes: era Fernando José dos Santos Raiol, de 65 anos. Com óculos, cabelos brancos e uma camisa xadrez por dentro da calça, o calouro de Geologia estava ansioso para ligar e contar a novidade para a família que, segundo ele, está “espalhada por esse Brasil”.
Fernando conta que se preparou para a prova por meio do Vestiba+, cursinho pré-vestibular comunitário e gratuito da UFSC.
— Começamos [o curso] no final de agosto até novembro, e aí fui fazer a prova [em dezembro]. Eu assistia às aulas à noite e fazia algumas revisões à tarde. E lia muito, porque já tinham me falado que o vestibular da UFSC depende muito do seu conhecimento geral — conta ele.
Natural de Belém, no Pará, Fernando se mudou para Florianópolis em 1999. Apesar de “rodar” entre um estado e outro, ele se fixou na Ilha da Magia em 2015. Tem experiência na área de mineração, com especialização em qualidade e processos industriais, e atuou depois na indústria do petróleo, nas áreas de qualidade e de segurança, saúde e meio ambiente (SMS).
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Questionado sobre o porquê resolveu prestar o vestibular na terceira idade, Fernando respondeu que vê o Brasil como um país onde é impossível ficar parado.
— Você tem que estar fazendo alguma coisa. Ou trabalhando, ou estudando. E até mesmo pela idade, você tem que buscar alguma coisa para não deixar a sua mente parada. Então resolvi voltar a estudar — diz ele, com um sorriso tímido.














