No Sul de Santa Catarina, em Jaguaruna, muitos mistérios e a história de um povo que já não existe mais repousam em uma estrutura milenar feita de conchas, restos de ossos, sedimentos e outros materiais que compõem o maior Sambaqui do mundo. Estima-se que o local, que até hoje atrai pesquisadores e historiadores, exista há mais de seis mil anos.
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Os Sambaquis são sítios arqueológicos construídos por populações litorâneas pré-históricas As estruturas eram utilizadas como santuários pelos povos indígenas que habitavam a região. Diversas camadas de restos mortais, utensílios, resíduos orgânicos, calcário e conchas formam os montes históricos.
Em Jaguaruna, são mais de 30 Sambaquis. Um deles, chamado de Elefante Branco, é considerado o maior do mundo, medindo cento e trinta metros quadrados, o que equivale a treze campos de futebol. A estrutura gigantesca é aberta a visitação e recebe principalmente estudantes que aprendem sobre esse verdadeiro tesouro milenar em sala de aula.
Para quem busca turismo histórico e cultural, o local é uma ótima opção de aprendizado. Os Sambaquis de Jaguaruna reúnem história, arqueologia e belas paisagens, além de promoverem contato com os vestígios de uma civilização que andou pelas terras de Santa Catarina há milênios de anos.
Como visitar
A visitação ao sítio arqueológico Garopaba do Sul, de Jaguaruna, é feita através de agendamento com o Museu Cidade de Jaguaruna, localizado na Rua Engenheiro Annes Gualberto, no Centro da cidade. O loca atende de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h.
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Sobre a origem dos sambaquis
Os mais antigos sambaquis brasileiros foram construídos, em geral, há cerca de 8 mil anos, o que os torna algumas das construções mais antigas da pré-história mundial, e continuaram a ser erguidos até cerca de 3 mil anos atrás, principalmente entre 6 mil e 3 mil anos.
Pelo que se sabe até hoje, a prática deixou de existir completamente há cerca de 2 mil anos. Há diversos sambaquis ao redor do mundo e cada um com suas próprias características. No Brasil, há indícios de que essas construções podem ter sido usadas como marcadores de território, avistáveis à distância, como da beira do mar ou de um rio.
Outra característica considerada como uma das mais comuns aos sambaquis brasileiros é o uso funerário, como locais para enterrar e homenagear os mortos. Vários estudos já demonstraram essa função para os monumentos construídos junto ao litoral atlântico, mas ainda está em investigação nos chamados sambaquis amazônicos.
Quem eram os povos responsáveis
O fato de os sambaquis terem sido construídos em diferentes partes do país ao longo de um mesmo período não significa que essas misteriosas estruturas foram erguidas por um mesmo grande grupo. Na verdade, a identidade e a conexão entre as populações sambaquieiras é uma das grandes dúvidas dos arqueólogos.
Um estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution, em 2024, tentou encontrar uma resposta analisando os DNAs de 34 indivíduos pré-históricos advindos de quatro regiões do Brasil. O mais antigo deles, foi o esqueleto de 10 mil anos encontrado no sambaqui Capelinha, construído às margens de rio do Vale do Ribeira, em São Paulo.
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Os resultados da pesquisa apontam que os sambaquieiros da costa Sul e Sudeste do Brasil não eram geneticamente homogêneos, ou seja: não necessariamente esses grupos compartilham uma mesma linhagem. Apesar disso, há várias semelhanças culturais nos sambaquis construídos nessa região.
Outro indicativo de que os sambaquis foram construídos por povos diferentes é a presença de cerâmica. Nos sambaquis do Sul e do Sudeste, esse tipo de material só aparece em camadas superiores, ou seja, mais recentes, o que indica que pode ter ido parar ali por povos mais recentes que aqueles que os construíram.
Localização
Para visitar o maior Sambaqui do mundo, em Jaguaruna, é necessário se deslocar até o litoral sul de Santa Catarina. A cidade fica a cerca de 160 km a 170 km de Florianópolis, capital do Estado, em uma viagem de aproximadamente 2h de duração.
Local atrai turistas e entusiastas da história
*Com informações do portal G1




