A mulher que aparece em vídeo levando um tapa no rosto durante uma ação da Polícia Militar (PM) no bairro Monte Cristo, em Florianópolis, e o marido dela ficaram com diversos hematomas após a abordagem ocorrida no último sábado (7). As imagens mostram a mulher já rendida no chão quando um dos policiais desfere o golpe.
Continua depois da publicidade
A ação ocorreu durante uma confraternização em uma barbearia do bairro. A PM foi acionada para uma ocorrência de perturbação de sossego, por causa do som alto. A corporação afirma que os policiais foram hostilizados e atacados com copos de vidro e que, por isso, “foi necessário o uso progressivo da força”.
O Ministério Público informou que vai instaurar procedimento de ofício e encaminhar o caso a uma das promotorias militares para apurar a possível ocorrência de crime militar. A 40ª Promotoria de Justiça também requisitou a abertura de procedimento pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar.
Veja imagens do caso
Marido contesta versão da PM
Em áudios enviados à NSC TV, o marido da mulher agredida, dono da barbearia onde ocorria a confraternização, contesta a versão da Polícia Militar de que policiais teriam sido atacados com copos de vidro durante a abordagem.
Segundo ele, cerca de 20 pessoas comemoravam o primeiro ano de funcionamento do estabelecimento quando as viaturas da PM chegaram ao local, por volta das 16h30min de sábado. Ele diz que reduziu completamente o volume do som assim que percebeu a aproximação dos policiais.
Continua depois da publicidade
— Quando eu vi que a polícia chegou, daí eu cheguei e baixei o volume, baixei o som todo — disse.
Ainda de acordo com o relato, os policiais pediram para que as pessoas que estavam em frente ao estabelecimento levantassem a camiseta durante a abordagem. Um dos clientes estaria alterado e foi chamado para dentro do salão.
— Eles chegaram e todo mundo levantou a camisa. Daí, teve só um que tava alterado, nosso cliente, nós chamamos ele pra dentro — afirmou.
Na sequência, segundo o comerciante, os policiais usaram spray de pimenta, o que deu início à confusão registrada em vídeo. Ele afirma, no entanto, que ninguém estava armado.
Veja vídeo
Copo de plástico
O comerciante também nega que copos de vidro tenham sido arremessados contra os policiais, como afirma a PM. Segundo ele, o objeto lançado pela mulher era de plástico.
Continua depois da publicidade
— Minha mulher ficou indignada e jogou o copo de bebida na direção deles. Era copo de plástico. Tem vídeo mostrando isso. No início eles falam que era copo de vidro, mas nem era. Ninguém jogou nada de vidro na direção deles — disse.
Ele afirmou, ainda, que o único copo de vidro no local era o que ele segurava e que o objeto caiu da própria mão durante a confusão.
— O único copo de vidro era meu. Eu tava tentando falar que não precisava de tudo isso, e aí o copo caiu da minha mão e quebrou quando fui ajudar minha mulher — relatou.
Segundo o comerciante, após a confusão, o copo quebrado teria sido atribuído à companheira dele.
— Eles estão sempre certos. Nós estamos sempre errados, não adianta — lamentou.
O que diz a PM
Em nota, a PM afirma foi acionada para uma ocorrência de perturbação de sossego, por causa do som alto. Em uma das ligações, segundo a corporação, foi mencionada a possibilidade de presença de pessoas armadas.
Continua depois da publicidade
A nota diz ainda que “na tentativa de orientar os presentes e realizar a averiguação preventiva, a guarnição passou a ser hostilizada, havendo resistência às ordens policiais, xingamentos e aproximações intimidatórias”. A PM afirma ainda que copos de vidro foram arremessados contra os policiais.
“Diante da injusta agressão e da reação ativa de alguns indivíduos, foi necessário o uso progressivo da força, com emprego de munição não letal e espargidor de pimenta, a fim de conter a situação e restabelecer a ordem. Como resultado da ocorrência, duas pessoas foram presas, o equipamento de som foi apreendido e os envolvidos conduzidos à Central de Polícia para os procedimentos legais cabíveis”, afirma a PM.
No entanto, a corporação afirma que a situação será investigada. “Conforme os protocolos institucionais, as circunstâncias relacionadas ao uso da força serão devidamente apuradas pela Corregedoria da Polícia Militar”, finaliza o texto.
Veja a nota da PM na íntegra
“A Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), por meio do 22º Batalhão de Polícia Militar (BPM), informa sobre uma ocorrência registrada na tarde deste sábado, 07 de fevereiro, no bairro Monte Cristo, área continental de Florianópolis.
Continua depois da publicidade
- A guarnição do Tático foi acionada para atender uma ocorrência de perturbação do trabalho e do sossego alheios, motivada por som excessivamente alto em um estabelecimento localizado no bairro. O Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) registrou, ao longo da tarde, diversas ligações da comunidade relatando o barulho excessivo, sendo que em uma das solicitações foi mencionada a possibilidade da presença de pessoas armadas no local.
- No local, foi constatado som em volume elevado e a presença de aproximadamente 20 pessoas. Durante a tentativa de orientar os presentes e realizar a averiguação preventiva, a guarnição passou a ser hostilizada, havendo resistência às ordens policiais, xingamentos e aproximações intimidatórias. Em determinado momento, copos de vidro foram arremessados contra os policiais, colocando em risco a integridade física da guarnição.
- Diante da injusta agressão e da reação ativa de alguns indivíduos, foi necessário o uso progressivo da força, com emprego de munição não letal e espargidor de pimenta, a fim de conter a situação e restabelecer a ordem. Como resultado da ocorrência, duas pessoas foram presas, o equipamento de som foi apreendido e os envolvidos conduzidos à Central de Polícia para os procedimentos legais cabíveis.
A Polícia Militar ressalta que todas as ações adotadas tiveram como objetivo a preservação da segurança da guarnição, dos frequentadores do local e da comunidade, diante de um cenário de risco elevado. Informa ainda que, conforme os protocolos institucionais, as circunstâncias relacionadas ao uso da força serão devidamente apuradas pela Corregedoria da Polícia Militar.
A PMSC reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a manutenção da ordem pública, atuando sempre dentro dos princípios técnicos e legais que regem a atividade policial.“







