Mario Sant’Ana: Autoconfiança e humildade

O bom homem concentra e organiza suas energias para buscar uma solução e tranquilizar as demais pessoas

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Escritor discute valores que tornam o homem bom (Foto: Divulgação)

*Artigo por Mário Sant’Ana

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No fim do século 19, o britânico Rudyard Kipling escreveu um poema para dizer ao filho como se tornar um bom homem.

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Logo na primeira linha, descreve um cenário hipotético no qual o rapaz é considerado culpado por algo que perturbou profundamente as pessoas à sua volta. Kipling não diz que as acusações são infundadas, que o rapaz deve se afastar do grupo ou defender sua inocência, mas manter a calma.

Mesmo (ou especialmente) quando em meio ao caos, o bom homem concentra e organiza suas energias para buscar uma solução e tranquilizar as demais pessoas. As discussões com respeito à culpa podem ficar para depois.

Infelizmente, a mensagem do verso seguinte fica prejudicada na mais difundida tradução do poema na língua portuguesa: “E para esses, no entanto, achar uma desculpa.”

Ninguém é obrigado a compartilhar da confiança que uma pessoa tem em si própria. E os desconfiados não precisam de uma desculpa por duvidarem da capacidade ou da idoneidade de alguém, que, na avaliação deles, fez algo que roubou a tranquilidade de todos.

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Em detrimento à rima e métrica, apresento uma tradução alternativa, a qual acredito expressar com mais precisão a mensagem de Kipling para o filho:

If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too

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Se for capaz de crer em si quando estão todos duvidando,
Mas também levar essas dúvidas em consideração

Ter autoconfiança não significa considerar-se acima da crítica ou da dúvida alheia. É nesse sentido que aponta a sabedoria que o homem está ensinando ao garoto:

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“Meu filho, quando a situação for crítica, as pessoas estiverem nervosas e culparem você, tenha calma, faça tudo ao seu alcance para resolver o problema e tranquilizar o ambiente. Na sequência, para aprender as lições que a experiência pode lhe ensinar, é importante ouvir quem foi afetado pelo que aconteceu. Mesmo se nem tudo o que disserem for a expressão fiel da verdade, dificilmente estarão de todo erradas. Enfrentar crises, assumir responsabilidades, ouvir as pessoas e aprender com as experiências vai ajudá-lo a ser um Homem, meu filho.”

No próximo artigo, continuaremos a discutir a primeira estrofe:

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Se for capaz de esperar sem se desesperar,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso;

Ou, sendo odiado, sempre ao ódio se esquivar,
e não parecer bom demais, nem pretensioso;

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Íntegra do poema.

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*Mário Sant’Ana é tradudor e intérprete, cofundador do Projeto Resgate, organização com ações para reduzir contrastes sociais, e co-idealizador do programa Think Tank Projeto Resgate, para o desenvolvimento de habilidades de inovação intersetorial, soft skills e liderança não hierárquica. Escreve artigos para o A Notícia às terças-feiras. Contato: mario@projetoresgate.org.br