Ao menos 100 pessoas de todo o país denunciaram o projeto de Blumenau “Alimentando Necessidades”, que pede doações na internet para produzir marmitas a pessoas em situação de rua. A estimativa é da Polícia Civil. Apenas na cidade do Vale do Itajaí foram 10 boletins de ocorrência registrados até esta quinta-feira (29) na 1ª Delegacia. Outras denúncias também chegaram a 2ª DP.

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O delegado à frente das investigações, Felipe Orsi, informou nesta sexta-feira (30) que projeta mais de 100 vítimas em diferentes estados se comprovada a fraude. Ainda não há inquérito instaurado e nem detalhes das regiões que registraram os boletins. A investigação, no entanto, ocorre desde terça-feira (28), quando a primeira pessoa a se sentir lesada procurou a polícia. 

— É uma investigação mais complexa. Importante ressaltar que as vítimas, na maioria delas, têm um prejuízo individual pequeno, mas somados, o montante é alto — completa.

A história repercutiu no início desta semana, após usuários do Twitter desconfiarem de publicações da jovem Duda Poleza, que se identifica como coordenadora do projeto. Possíveis inconsistências em tuítes dela e de uma suposta colega, chamada “Taynara”, motivaram suspeitas sobre a iniciativa intitulada “Alimentando Necessidades”.

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A partir de então, internautas passaram a usar o termo “marmitagate” para relatar supostas fraudes do projeto na web.

Ainda segundo Orsi, há indícios de fraudes no projeto, como fotos divulgadas nas redes sociais do projeto com datas divergentes e a possibilidade de uma das integrantes utilizar um perfil falso.

Uma das imagens divulgadas mostra o ex-padrasto de Eduarda entregando marmitas a garis. O homem, identificado como Almir Buse, desmentiu o registro. Diferente do que sugere a publicação no “Alimentando Necessidades”, a boa ação foi feita há mais de dois anos em Pomerode, contou o dono de restaurante. 

Na época, ele ainda era padrasto de Eduarda.

— Entreguei marmita e refrigerante para eles. Eles quiseram fazer foto. E essa foto elas [Eduarda e mãe dela] aproveitaram, não sei como. Não tenho nada a ver com o projeto — garantiu.

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O que diz Duda Poleza

Na terça-feira (28), a reportagem do g1 SC entrou em contato com Eduarda Poleza. Em resposta, ela disse que não havia sido notificada sobre investigação da polícia, mas que estava tranquila. Reafirmou, ainda, que o projeto existe.

— Acredito que quem não deve não teme. A respeito dos diversos crimes de calúnia, difamação e danos morais, com certeza medidas serão tomadas. Pessoas tiram a própria vida por causa disso — disse.

Na quinta-feira (29), a reportagem voltou a procurar Eduarda. Ela disse que se manifestaria novamente na próxima semana, mas antecipou que estava bastante abalada com a situação e falou que “não é verdade o que estão dizendo [a respeito dela e do projeto]”.

Por que o termo marmitagate? 

O termo “marmitagate” viralizou na web nesta semana após serem levantadas suspeitas sobre a existência de um projeto social que funcionava por meio de doações em dinheiro em Blumenau. O sufixo “gate” faz referência a um escândalo ocorrido nos Estados Unidos na década de 70, e é usado atualmente para se referir a casos de corrupção de grande repercussão.

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