A possibilidade de chuva congelada em Santa Catarina entre a madrugada de segunda-feira (22) e terça (23) acende o alerta para um dos fenômenos mais típicos do frio extremo no Estado. A condição é provocada pela chegada de uma intensa massa de ar polar, que deve derrubar as temperaturas nos primeiros dias do inverno, estação que começa oficialmente neste domingo (21) no Hemisfério Sul.
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A Defesa Civil confirmou que há chances de ocorrência de chuva congelada entre segunda e terça-feira. O modelo meteorológico aponta ainda que o fenômeno tem nova probabilidade de se repetir ao longo da quarta-feira (24).
A previsão indica que a combinação entre a umidade residual e a entrada da potente massa de ar frio criará o cenário perfeito para as ocorrências pontuais, localizadas prioritariamente nas áreas mais elevadas do Planalto Sul catarinense.
A chuva congelada ocorre quando a neve que cai da nuvem, passa por uma camada de ar mais quente, com temperatura acima de 0°C, mas depois volta a encontrar uma camada de ar frio, e recongela antes de chegar ao chão, formando os pequenos aglomerados de gelo que caem no chão.
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A dinâmica da virada no tempo
A transição para o inverno será marcada pela instabilidade. Entre esta sexta-feira (19) e o sábado (20), uma frente fria avança sobre o Estado, favorecendo o retorno das chuvas e mantendo as temperaturas baixas mesmo no período da tarde. No domingo, primeiro dia oficial da estação, a manhã será gelada, enquanto a tarde tende a ser mais amena.
O frio ganha verdadeira intensidade a partir de segunda-feira. Os meteorologistas projetam a atuação de uma onda de frio ao longo da primeira semana inteira do inverno, com marcas negativas se estendendo desde o Oeste até os Planaltos.
— A onda de frio ocorre quando há persistência de temperaturas mínimas abaixo do padrão climatológico esperado para uma região, geralmente por um período mínimo de cinco dias consecutivos — explica Caio Guerra, meteorologista da Defesa Civil.
Os termômetros devem registrar extremos em várias regiões. No Alto Vale do Itajaí e na Grande Florianópolis serrana, as mínimas devem ficar próximas de 0°C. Já no litoral, os valores devem despencar para abaixo dos 5°C. O outono já deu uma amostra do que esperar: na última quinta-feira (18), Bom Jardim da Serra registrou a menor temperatura do Estado até o momento, atingindo -7,3°C, seguida por Urubici com -3,83°C e Urupema com -2,82°C.
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Amanhecer gelado cobriu campos de branco em SC
Entenda os fenômenos de precipitação invernal
Os técnicos da Defesa Civil explicam que os fenômenos associados ao frio intenso possuem características muito específicas:
- Chuva Congelada: Ocorre quando as gotas de chuva congelam ainda dentro da nuvem devido às baixas temperaturas e atingem a superfície em estado totalmente sólido (em formato de pequenos grãos de gelo).
- Chuva Congelante: Acontece quando a gota d’água cai de forma líquida mesmo sob temperaturas negativas. Ao tocar superfícies congeladas (como pistas, árvores e cabos elétricos), solidifica-se instantaneamente, gerando uma camada de gelo liso e transparente.
- Neve: Forma-se diretamente na nuvem quando a gotícula de água encontra um núcleo de condensação específico, transformando-se em floco cristalino antes de tocar o solo.
- Sincelo: Congelamento de gotas de chuva ou orvalho diretamente sobre superfícies e plantas devido à queda abrupta de temperatura. Diferente da geada, pode ocorrer mesmo com a presença de vento.
Recomendações e cuidados com o frio extremo
Em virtude das previsões de geada, marcas negativas e das condições adversas de visibilidade, a Defesa Civil Estadual reforça cuidados essenciais para a população:
- Atenção redobrada nas rodovias: há risco real de congelamento de pistas nos pontos mais altos do estado, além de forte redução de visibilidade decorrente de nevoeiros.
- Cuidado com os mais vulneráveis: o frio intenso agrava quadros de doenças respiratórias e cardiovasculares. Dedique atenção especial a idosos, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
- Condições marítimas: a atuação de frentes frias e ciclones extratropicais costuma agitar o mar na costa catarinense. Quem realiza atividades de pesca e navegação deve consultar os boletins oficiais antes de ir ao mar.
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