O anúncio da aliança entre o governador Jorginho Mello (PL) e o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), apresentado como candidato a vice na chapa governista para as eleições deste ano, já provocou mudanças na base do governo e nas relações dos partidos para 2026. O MDB, que até então era apontado como provável dono da vaga de vice na coligação do governador, reuniu lideranças na noite de segunda-feira (26) para discutir os próximos passos após ver o espaço ocupado pelo prefeito de Joinville. O partido tinha até então três secretarias no governo Jorginho. 

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A primeira mudança veio ainda antes da reunião. O secretário de Estado da Agricultura, Carlos Chiodini, presidente estadual do MDB, anunciou a saída do governo. A decisão ocorreu após tentativas de manter o partido no governo e foi comunicada diretamente ao governador Jorginho Mello, ainda na tarde da segunda. Chiodini era apontado como possível nome para ser vice de Jorginho caso a vaga fosse confirmada ao MDB. Deputado federal eleito em 2022, Chiodini retorna para a Câmara dos Deputados. 

Após a reunião, a direção do MDB divulgou uma nota oficial com algumas definições sobre o novo posicionamento perante o governo Jorginho Mello. A principal definição da reunião foi a orientação do MDB para que os filiados se desvinculem das funções do governo do Estado. Apesar disso, até a manhã desta terça-feira (27), apenas Carlos Chiodini havia anunciado o desembarque do governo. 

Fontes ligadas ao partido indicaram que o secretário de Estado da Infraestrutura, Jerry Comper, está em viagem pelo Estado e deve retornar à Capital até o fim da semana para se manifestar sobre o tema. O outro secretário do MDB no governo Jorginho, Cleiton Fossá, da pasta de Meio Ambiente e Economia Verde, afirmou respeitar a decisão do partido, mas que a saída precisa ocorrer de maneira ordenada.

“Quero dizer com tranquilidade: respeito a deliberação do MDB-SC e entendo que esse processo precisa ocorrer de forma organizada e responsável. Existem programas em andamento, compromissos assumidos e equipes trabalhando, e a responsabilidade com Santa Catarina exige transição, organização e previsibilidade. É isso que acontecerá, dentro dos prazos legais de desincompatibilização”, afirmou em nota o secretário Cleiton Fossá, que é pré-candidato a deputado estadual e já previa deixar o cargo no prazo da legislação eleitoral, no começo de abril.

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O presidente da Fesporte, Jeferson Ramos Batista, também ligado ao MDB, respondeu em nota à reportagem que pretende seguir no governo. “Tenho plena consciência do cenário político e respeito as posições partidárias, mas sigo absolutamente focado na minha responsabilidade pública”, informou.

A ausência de Jerry Comper e também de outros nomes, como os deputados estaduais Antídio Lunelli e Fernando Krelling, na reunião partidária desta segunda-feira chamou a atenção e sinalizou possível divergência interna sobre as definições tomadas a respeito da posição do partido em relação ao governo Jorginho. Apesar disso, as principais lideranças do partido ainda não se manifestaram a respeito das definições do MDB. 

O governador Jorginho Mello ainda não comentou o movimento do MDB. 

O que diz a nota do MDB 

A nota divulgada pelo MDB após a reunião afirma também que o partido deve iniciar construção de candidatura própria e conversar com outros partidos. Veja as principais definições divulgadas no comunicado do partido: 

  • Construção de projeto próprio para 2026;
  • Conversas com outros partidos;
  • Postura de independência, com orientação para filiados se desvincularem de funções do governo e apoio a projetos do governo na Alesc 

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A nota começa informando que a reunião definiu de forma unânime que o MDB começará a construir um projeto próprio para as eleições de 2026. O nome do presidente estadual Carlos Chiodini e de outras lideranças do partido devem ser estudados internamente. 

O MDB também confirmou que a partir de agora pretende abrir diálogo com outros partidos, “visando a construção de convergências políticas responsáveis e comprometidas com o desenvolvimento de Santa Catarina”. O recado pode permitir abertura de conversas com outros projetos, como o do prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD), que também é pré-candidato ao governo de SC. 

Por fim, o diretório do MDB orientou os filiados a se desvincularem de funções que exerçam no governo Jorginho. O partido afirmou que, apesar das questões eleitorais, manterá postura de independência e seguirá apoiando projetos do governo “que sejam de interesse do Estado e da população catarinense, mantendo sua postura de responsabilidade institucional, mesmo que esteja se desvinculando do atual governo”. 

Veja a íntegra da nota do MDB