Um engenheiro alemão e um imigrante se uniram, criaram uma empresa e a tornaram uma das maiores referências mundiais. E tudo isso às margens de uma rua movimentada e a poucos quilômetros do Centro de Blumenau. Gigante metalúrgica, a Electro Aço Altona SA é especialista em fundição de aço de alta complexidade e faz peças que vão de componentes agrícolas, mineração e defesa, com direito a materiais que formam a base de lançamento de foguetes da Nasa, nos Estados Unidos.
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O nome da rua em que fica a megafábrica não é por acaso. Discreta aos olhares de quem passa por ali diariamente no vaivém do trânsito de Blumenau, a Engenheiro Paul Werner tem o nome de um dos responsáveis pela fundação da Altona, há mais de 100 anos. Trabalhador nascido em Dresden, Paul veio a Blumenau para fazer a instalação de uma central telefônica, terminou o serviço e, então, decidiu ficar. Abriu uma empresa, fabricou panelas, balanças, moedores de carne e viu o negócio deslanchar.
O que para o imaginário popular “é uma fábrica de peças para tratores”, na verdade vai muito além disso. Em 1933, quando comprou um equipamento importado para a fundição de aço, se tornou a primeira empresa do tipo em Santa Catarina e a segunda no Brasil. Em meados da década de 1960, já tinha praticamente 500 funcionários.
Hoje, a produção da fábrica vai para obras de infraestrutura em aeroportos, setor naval, trens de alta velocidade, estrutura para locomotivas, plataformas de petróleo e gás e, claro, o filé mignon: as peças para o lançamento da Artemis II, que ajudaram levar uma missão novamente à Lua.
Entre esse sucesso, escondem-se alguns segredo que fazem parte do mundo industrial.
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Hoje, a Altona tem mais de 1,5 mil funcionários em uma planta com 120 mil metros quadrados, sendo 35 mil de área construída. São 30 países para onde a empresa exporta, sendo 17 segmentos diferentes de mercado — como alguns especificados acima. Só para se ter ideia, a The Sphere, maior esfera do mundo onde são feitos megashows em Nevada, nos Estados Unidos, leva materiais que foram fabricados na Altona, em Blumenau.

A linha do tempo da Electro Aço Altona
- 1923 – O engenheiro alemão Paul Werner, formado em Dresden, chega a Blumenau. Ele ganha destaque ao instalar a Central Telefônica da cidade com eficiência e qualidade técnica superiores.
- 1924 – Em 8 de março, Paul Werner une-se ao ferreiro Ernst Auerbach para fundar a Auerbach & Werner, no bairro Altona (hoje Itoupava Seca). O foco inicial era o conserto de motores e equipamentos elétricos.
- Anos Iniciais – A empresa expande sua atuação para a fabricação de utensílios domésticos (panelas, moedores de carne, balanças), sinos e implementos agrícolas.
- 1933 – Com a aquisição de um forno de fusão elétrica a arco, a empresa torna-se pioneira na fundição de aço em Santa Catarina (e a segunda no Brasil), adotando o nome Electro Aço Altona S.A.
- 1946 – Bernardo Wolfgang Werner, filho de Paul, ingressa na empresa aos 19 anos. Ele estagia em todos os setores produtivos antes de assumir a gestão, seguindo o legado de desenvolvimento do pai.
- Década de 1960 – Período de grande expansão estrutural. A empresa ultrapassa a marca de 450 colaboradores e instala o seu terceiro forno de fusão a arco voltaico, consolidando sua reputação técnica.
- 1965 – Bernardo Werner atua como anfitrião do Presidente da República, Castelo Branco, durante sua visita oficial a Blumenau, reforçando o papel da Altona na liderança industrial regional.
- 1972 – Em 22 de julho, é inaugurado o Setor de Usinagem, com a presença do Governador Colombo Salles. O marco permite que a empresa ofereça produtos ainda mais completos e tecnológicos.
- Anos 1970 e 1980 – Consolidação internacional. A Altona conquista mercados nas Américas e Europa (Chile, Argentina, México, Inglaterra, etc.) e estabelece parcerias técnicas com gigantes alemãs e inglesas.
- 2000 – A Altona é reconhecida pela Revista Exame como uma das 100 melhores empresas para se trabalhar no Brasil, fruto de sua gestão participativa e foco no capital humano.
- Anos 2020 – A Altona fecha contrato com a Nasa e participa da produção de peças para a base de lançamento da Artemis II.









