Uma onda provocada por um megatsunami, desencadeado após o desmoronamento de parte de uma montanha no Alasca em direção ao mar, entrou para a história como a segunda mais alta já registrada. Para cientistas, o episódio também serve como um alerta sobre os riscos crescentes associados ao derretimento das geleiras.
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No último verão, uma onda de proporções catastróficas varreu um fiorde isolado no sudeste do Alasca, provocando destruição na região. O episódio recebeu pouca atenção na época, mas uma nova análise científica publicada na revista Science revelou que o fenômeno foi causado por um gigantesco deslizamento de terra.
Impacto profundo
Segundo os pesquisadores, cerca de 64 milhões de metros cúbicos de rochas — volume equivalente a aproximadamente 24 pirâmides do Egito — despencaram em direção à água. O impacto, ocorrido em menos de um minuto, gerou uma onda colossal que alcançou quase 500 metros de altura, conforme registros do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Os cientistas alertam que, se o incidente não tivesse ocorrido durante as primeiras horas da madrugada, embarcações turísticas que costumam circular pela área poderiam ter sido atingidas pela força devastadora do megatsunami.
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Bretwood Higman, geólogo do Alasca que viu com os próprios olhos os danos no fiorde Tracy Arm, disse que foi “por pouco”.
— Sabemos que havia pessoas que quase estiveram no lugar errado — afirmou. — Tenho muito medo de não termos a mesma sorte no futuro.
O que são megatsunamis
Essas ondas gigantes surgem quando grandes deslizamentos de terra, provocados por terremotos ou pelo colapso de rochas instáveis, entram em contato com corpos d’água. Apesar da enorme força, esses fenômenos costumam ter alcance localizado e tendem a perder intensidade rapidamente.
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Já os tsunamis tradicionais se formam em mar aberto e são provocados principalmente por terremotos submarinos ou, em alguns casos, por fenômenos intensos, como erupções vulcânicas subaquáticas.
Diferentemente dos megatsunamis, essas ondas conseguem percorrer milhares de quilômetros pelo oceano, atingindo regiões densamente povoadas e causando destruição em larga escala, além de elevado número de vítimas — como o caso do tsunami que atingiu o Japão em 2011 após forte terremoto.
O maior megatsunami já registrado aconteceu em 1958, na Baía de Lituya, no Alasca, quando uma onda superior a 500 metros foi formada. O fenômeno mais recente registrado na região é considerado o segundo maior já documentado.
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Maiores tsunamis registrados
- Megatsunami da Baía de Lituya: considerado o maior já registrado, com onda superior a 500 metros de altura.
- Megatsunami do fiorde Tracy Arm: provocado por um deslizamento de terra, gerou uma onda de quase 500 metros e entrou para a história como o segundo maior megatsunami registrado.
- Tsunami do Oceano Índico: desencadeado por um terremoto submarino de magnitude 9,1, atingiu diversos países e causou mais de 230 mil mortes.
- Tsunami de Tōhoku: provocado por um terremoto de magnitude 9,0, devastou áreas costeiras do Japão e causou o acidente nuclear de Fukushima.
- Tsunami de Krakatoa: gerado pela erupção do vulcão Krakatoa, produziu ondas gigantes e destruiu cidades costeiras na região.
Cientistas em alerta no Alasca
Os pesquisadores reuniram análises de campo, registros sísmicos e imagens de satélite para reconstruir a sequência de acontecimentos que levou à formação da onda gigante, identificando um verdadeiro efeito dominó por trás do fenômeno.
De acordo com estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Oxford, a geleira anteriormente exercia um papel de sustentação sobre parte da encosta rochosa. Com o recuo do gelo, a base do penhasco ficou exposta, permitindo que uma enorme massa de rochas desabasse repentinamente no fiorde.
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Higman e outros especialistas estudam tsunamis há décadas e demonstram preocupação com o cenário atual. Segundo eles, o aumento do turismo em áreas remotas — impulsionado pelo interesse em paisagens naturais e pelos impactos das mudanças climáticas — também amplia a exposição de visitantes a regiões consideradas de alto risco natural.
Higman afirmou que há poucas dúvidas de que os riscos de megatsunamis estão aumentando.
— Neste momento, estou bastante confiante de que eles estão aumentando não apenas um pouco, mas aumentando muito — disse. — Talvez na ordem de 10 vezes mais frequentes do que eram há apenas algumas décadas.
Os cientistas pedem um monitoramento mais amplo dos riscos em partes do Alasca que podem ser vulneráveis a megatsunamis. Algumas empresas de cruzeiros já anunciaram que pararão de enviar navios para Tracy Arm em meio a temores de segurança.
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