Era 1º de abril de 2024 quando a assistente de vendas Bruna Lacerda, que trabalhava na região do Vale do Itajaí, resolveu postar nas redes sociais uma foto falsa de um teste de gravidez. A colega de trabalho, Anita Nazario, demorou para entender que se tratava de uma brincadeira do Dia da Mentira:

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— Eu encontrei com a Bruna no trabalho e ela me disse que estava grávida. Eu acreditei, não me liguei que era 1º de abril. Depois, eu entrei na rede social e vi que ela tinha postado a foto de um teste de gravidez. Demorei pra me lembrar que era o Dia da Mentira.

No entanto, um mês e meio depois, a brincadeira se tornou realidade. Bruna revelou que estava grávida do pequeno Bento, prestes a completar dois anos. Por conta da história inusitada, Anita conta que todo 1º de abril manda mensagem para a amiga, relembrando a situação.

— Hoje de manhã cedo perguntei pra ela “cadê a mentirinha de gravidez?” E a Bruna me mandou um vídeo do Bento. Nunca mais vou esquecer da trolagem que ela fez. Agora temos o Bento, que é uma fofura — relembra.

Pesquisa por imagens de teste de gravidez crescem em 1º de abril

Bruna não foi a única a ter a ideia de usar o teste de gravidez para pregar peças no Dia da Mentira. Dados do Google Trends mostram que durante o período entre 31 de março e 1º de abril é intensificada a busca por “foto de teste de gravidez” na plataforma de pesquisa.

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Dados do Google Trends dos últimos cinco anos (Foto: Google, Reprodução)

Qual é a origem da data?

Não há um consenso definitivo sobre a origem da data entre os historiadores, mas a versão mais conhecida aponta que o Dia da Mentira tem origem na França, em 1564, quando o Rei Carlos IX determinou que o Ano Novo passaria a ser comemorado em 1º de janeiro, seguindo o modelo adotado desde Júlio César.

A decisão gerou resistência entre grupos ligados à Igreja, que continuavam a considerar o início do ano em 25 de março, conforme o calendário religioso. Enquanto os apoiadores da mudança adotaram a nova data, aqueles que mantinham a tradição passaram a ser alvo de chacota.

Com o tempo, essas provocações evoluíram para trotes e brincadeiras, prática que acabou associada ao 1º de abril. Em 1582, o papa Gregório XIII instituiu a reforma do calendário, alinhando o começo do ano civil e religioso a 1º de janeiro.

No Brasil, o costume de fazer pegadinhas em 1º de abril teria surgido em 1828, com a circulação do jornal A Mentira, em Minas Gerais. Logo na primeira edição, publicada em 1º de abril, o periódico estampou na capa uma notícia falsa sobre a morte de Dom Pedro I.

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*Sob supervisão de Luana Amorim