O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF), confirmou que não vai mais disputar uma vaga no Senado nas Eleições 2026. A decisão altera o cenário eleitoral na Capital Federal e foi justificada publicamente por ele como uma escolha pessoal para se afastar da vida pública e priorizar o convívio familiar. Os bastidores, contudo, apontam isolamento político em meio às recentes crises. Com isso, os nomes de Michelle Bolsonaro (PL) e da deputada federal Bia Kicis (PL) ganham força na corrida ao Senado pelo DF, inclusive com apoio da governadora Celina Leão (PP).

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FOTOS: As crises e os escândalos que derrubaram o ex-governador do DF

Em entrevista ao portal G1, Ibaneis fez um balanço de sua trajetória antes de anunciar o recuo na mobilização de sua campanha.

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— Fiz a minha parte pela cidade que eu amo e que me deu tudo. Agora é hora de cuidar um pouco da minha vida. Vivi pandemia, cuidei de pessoas e agora preciso cuidar de mim — afirmou.

Apesar da justificativa oficial voltada para a vida privada, os bastidores em Brasília apontam que a desistência ocorre em um momento de forte isolamento. O ex-governador viu seu espaço encolher drasticamente após investigações na cúpula do Banco de Brasília (BRB), o avanço de concorrentes da antiga base e resultados desfavoráveis em sondagens de voto.

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Espaço para Michelle e Bia Kicis

Pesquisas internas realizadas pelo próprio MDB acenderam o sinal de alerta ao posicionar Ibaneis Rocha apenas na quarta colocação nas intenções de voto. Diante da baixa competitividade, o grupo político que hoje comanda o Palácio do Buriti preferiu priorizar outros nomes para preencher as duas vagas disponíveis na chapa majoritária para o Senado.

O espaço que seria do ex-governador na disputa pelo Legislativo federal passou a ser ocupado pelas pré-candidaturas de Michelle Bolsonaro (PL) e da deputada federal Bia Kicis (PL), que contam com o apoio direto da governadora Celina Leão. Essa mudança consolidou o afastamento de antigos parceiros políticos, que preferiram alinhar o discurso com o eleitorado conservador da capital, deixando Ibaneis sem sustentação partidária para viabilizar sua campanha ao Senado.

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Plano de resgate e rombo no BRB

Essa perda de apoio se intensificou logo após a troca de comando em Brasília. Ao assumir o governo em definitivo em março de 2026, a governadora Celina Leão (PP-DF) adotou uma postura de distanciamento das decisões financeiras tomadas por Ibaneis Rocha. Celina declarou publicamente que herdou uma “grave crise” e criticou as indicações da gestão anterior para a liderança do banco estatal.

Para manter o plano de reestruturação nas finanças do banco, Celina Leão liderou a assinatura de um plano de resgate emergencial junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A operação garantiu um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para reestruturar a instituição financeira e estabilizar as contas públicas pelos próximos 15 anos, que sofriam com a desvalorização das ações do banco.

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Investigação da Polícia Federal

A crise financeira que abalou os planos eleitorais de Ibaneis Rocha começou em agosto de 2025. Naquele período, o então governador enviou em regime de urgência para a Câmara Legislativa (CLDF) o projeto de lei que autorizava o BRB a comprar parte do Banco Master, pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro.

A transação virou alvo de inquérito da Polícia Federal sob a suspeita de que o BRB inflou carteiras de crédito ou adquiriu ativos sem lastro real. O desdobramento mais grave do caso foi a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente da instituição indicado por Ibaneis. Com o avanço dos depoimentos e a menção ao seu próprio nome nas investigações, o ex-governador optou por se desligar do cargo em março de 2026 para tentar o Senado, deixando o Palácio do Buriti com o escândalo ainda sem desfecho.

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Histórico político de Ibaneis Rocha

A situação atual contrasta com o histórico de Ibaneis Rocha no Distrito Federal, onde governou entre 2019 e 2026. Advogado de formação, ele ganhou projeção local ao presidir a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) entre 2013 a 2015. Em 2018, estreou nas urnas derrotando o então governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

A força eleitoral de Ibaneis foi confirmada em 2022, quando garantiu a reeleição ainda no primeiro turno, impulsionado por um amplo pacote de obras públicas e melhorias na infraestrutura urbana da área central e das regiões administrativas.

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O cenário começou a mudar logo no início do segundo mandato, em 9 de janeiro de 2023. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do governador por 90 dias, investigando uma suposta omissão nos atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro na Praça dos Três Poderes. Mesmo com o arquivamento posterior das investigações por falta de provas, o episódio desencadeou o desgaste com os aliados que terminou na renúncia à disputa deste ano.

*Com edição de Luiz Daudt Junior.