Após meses de brigas com enteados, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (30) que decidiu sair da presidência do PL Mulher, deixando o comado para o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Apesar disso, segundo apurações do g1 e do Estadão, a esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi convencida por aliadas do partido a não abandonar o movimento, e manter os planos de disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal (DF) pelo PL.
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Segundo dirigentes da sigla, Michelle ficou por mais de três horas em reunião com Valdemar antes de comunicar a decisão. A ex-primeira dama estava chateada e decidida a deixar não apenas a presidência da sigla, mas abandonar de forma definitiva a política. No entanto, a intervenção de duas aliadas no DF, a governadora Celina Leão (PP) e a senadora Damares Alves (PL-DF), a convenceram a não se desfiliar do partido.
Michelle teria sido convencida de que não está isolada politicamente, já que hoje, seu nome é uma das principais apostas para o Senado pelo Distrito Federal nas eleições deste ano. A atual governadora do DF, Celina, conta com o nome da ex-primeira dama para consolidar sua própria chapa na disputa pela reeleição. A decisão final ainda não foi comunicada oficialmente por Michelle.
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Briga com os filhos de Bolsonaro
A crise envolvendo a ex-primeira dama teve iniciou com as divergências políticas com os filhos de Jair Bolsonaro, o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL-SC), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Michelle chegou a afirmar que sua opinião era considerada “insignificante” dentro do partido fundado pelo marido.
As divergências iniciaram logo antes do anúncio de que Flávio seria o nome escolhido para disputar as eleições presidenciais de 2026 e suceder Bolsonaro, que está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Michelle defendia publicamente que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fosse o candidato do partido, e ficou insatisfeita com a decisão.
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Em março deste ano, Eduardo chegou a dizer em entrevista ao UOL que a escolha sobre o candidato à presidência não precisa passar por Michelle, e que o partido tem uma “hierarquia” que deveria ser respeitada, assim como em uma organização militar.
— Em governo é assim, todo mundo fica chateado. Um partido é uma hierarquia. Tem que ter general, coronel, a tropa ali embaixo — disse Eduardo.
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Desacordo sobre aliança com Ciro Gomes
Além disso, outro ponto de conflito foi a aliança do PL com o ex-governador e ex-ministro da Fazenda, Ciro Gomes (PSDB), que é pré-candidato ao governo do Ceará. O partido está consolidando uma aliança com o cearense, em busca de palanques. A aliança tem apoio de Valdemar e dos filhos de Bolsonaro, mas desagrada Michelle.
A ex-primeira dama fez diversas críticas em suas redes sociais e chegou a soltar uma nota dizendo respeitar a opinião dos enteados, mas destacou que pensa diferente e tem o direito de expressar seus pensamentos “com liberdade e sinceridade”. “Peço aos meus enteados que me entendam e me perdoem. Não foi minha intenção contrariá-los”, afirmou.
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Questionado na última sexta-feira (26) sobre ser o pivô da crise na família, Ciro se distanciou.
— É uma questão do PL nacional e envolve coisas muito mais complexas do que a nossa paróquia aqui. Eu sigo aqui tranquilo. O eixo do nosso entendimento aqui é um projeto de emancipação do Ceará que nós consideramos que está sendo muito mal tratado — respondeu ao g1.
Michelle fala sobre conflito com Flávio
Em postagem nas redes sociais nesta terça-feira, Michelle disse que iria deixar a presidência do PL Mulher para se dedicar aos cuidados do marido e da filha.
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“Após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o Presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar – integralmente – aos cuidados para com o meu marido e minha filha“, diz um trecho.
Na última quarta-feira (24), a ex-primeira-dama publicou um vídeo de cerca de meia hora dizendo ter sido humilhada por Flávio após divergências sobre a posição do PL a corrida pelo governo do Ceará, em novembro de 2025:
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“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante e então eu me recolhi.”
Flávio pediu desculpas a Michelle
Após a divulgação do vídeo, Flávio publicou uma nota nas redes sociais dizendo “jamais ter desrespeitado, maltratado ou humilhado uma mulher na vida”, e pedindo desculpas à esposa do pai.
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Na postagem, ele reconheceu o trabalho de Michelle à frente do PL Mulher e disse ter tentado falar com ela ao longo da quarta-feira para convidá-la para uma reunião na próxima semana, mas sem retorno.
“De coração aberto, fiz o convite à Michelle, justamente porque acredito que o diálogo, o respeito e a união sempre serão o melhor caminho. O convite segue de pé e o coração segue aberto, pois temos um Brasil para tirar das mãos do PT”, escreveu Flávio.
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