Minas Gerais segue sob alerta vermelho, de grande perigo, para acumulado de chuva até às 23h59min desta sexta-feira (27), informou o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O Corpo de Bombeiros contabiliza 62 mortes na região da Zona da Mata mineira, desde a última segunda-feira (23), sendo 56 mortes em Juiz de Fora e seis em Ubá. Continuam desaparecidas 15 pessoas.

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O aviso, que está em vigor desde a quinta-feira (26), alerta para chuvas superiores a 60 milímetros por hora, que podem chegar aos 100 milímetros no dia. Há grande risco para alagamentos e transbordamentos de rios, além de grandes deslizamentos de encostas.

O alerta vale para as seguintes regiões mineiras:

  • Zona da Mata
  • Oeste de Minas
  • Vale do Mucuri
  • Sul/Sudoeste de Minas
  • Campo das Vertentes
  • Jequitinhonha
  • Metropolitana de Belo Horizonte

Veja as recomendações do Inmet

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O Inmet utiliza um sistema de alertas por cores para indicar o risco de fenômenos meteorológicos, variando do menor para o maior perigo:

  • Amarelo (perigo potencial);
  • Laranja (perigo);
  • Vermelho (grande perigo).

O alerta também vale para o Espírito Santo, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.

Mais de 250 desabrigados e 3,5 mil desalojados em MG

A respeito dos desabrigados, são 253 pessoas recebidas nos locais de abrigo em Juiz de Fora. Já desalojados são 3.500 em Juiz de Fora, 810 em Matias Barbosa e 1.200 em Ubá.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que, até as 17h de quinta-feira, os institutos médico-legais (IMLs) identificaram 51 corpos em Juiz de Fora. Desses, 50 já foram liberados para suas respectivas famílias. Em Ubá, o número permanece inalterado. São seis corpos identificados e liberados. Os trabalhos de necropsia e identificação continuam sendo realizados pelas equipes do Instituto Médico-Legal.

Dos corpos identificados, em Ubá, o balanço de pessoas mortas é o seguinte: duas idosas (idades 65 e 77 anos), um idoso (74 anos), dois homens (idades 35 e 48 anos) e uma mulher (32 anos).

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Juiz de Fora contabiliza as mortes de sete crianças, sendo quatro meninos e três meninas com idades de dois a sete anos; cinco adolescentes, sendo quatro do sexo masculino e uma do sexo feminino; 19 mulheres, sendo 18 identificadas e uma sem identificação; nove homens; seis idosos e seis idosas.

Veja fotos dos estragos em Juiz de Fora

O que provoca as chuvas em Minas Gerais?

A tragédia que ocorre em Minas Gerais foi provocada por uma complexa combinação de fenômenos meteorológicos que resultou em chuvas de extrema intensidade em curto período, explicou o meteorologista e diretor da Nottus Meteorologia, Alexandre Nascimento à CNN Brasil.

— É uma combinação de vários fenômenos meteorológicos. Nós temos uma frente fria bem afastada da costa, mas próximo ao litoral do sudeste. Nós temos fenômenos típicos de verão, como a Alta da Bolívia e também o vórtice ciclônico de altos níveis próximo da costa do nordeste — detalhou o especialista.

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O posicionamento desses sistemas meteorológicos resultou na formação de uma grande área de nuvens muito intensas que permaneceu sobre a região de forma persistente. Em algumas localidades, foram registrados entre 150 e 180 milímetros de precipitação em apenas duas ou três horas. O acumulado mensal já havia atingido aproximadamente 500 milímetros antes deste evento extremo, o que significa que o solo já estava bastante encharcado.

— Em poucas horas você tem um volume de chuva muito elevado que cai sobre um solo que já está bastante charcado, bastante sensibilizado pelo excesso de chuva das últimas semanas — explicou Nascimento.

A situação é ainda mais alarmante quando consideramos que, segundo informações da prefeitura de Juiz de Fora, o acumulado em todo o mês de fevereiro chegou a 584 milímetros.

O meteorologista alertou que a situação permanece preocupante, pois as chuvas continuam ocorrendo com intensidade variável, mantendo o solo encharcado.

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— Entre quarta e quinta-feira tem uma outra frente fria que passa afastada da costa, mas já é o suficiente para aumentar um pouco a quantidade de chuva — advertiu.

Segundo Nascimento, a tendência é que no fim de semana as chuvas percam intensidade na região Sudeste e se desloquem mais para o Norte do país, afetando principalmente o norte de Minas Gerais, o Espírito Santo e posteriormente o Nordeste.

— Pelo menos até sexta-feira realmente preocupa bastante essa região, principalmente que já foi super atingida — concluiu o especialista.