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Joinville que Queremos

Mobilidade em Joinville: quais os planos da prefeitura para o futuro da cidade

Prefeitura prevê investimentos em infraestrutura, integração de modais e implantação de transporte de passageiros na linha férrea urbana 

27/09/2019 - 10h45 - Atualizada em: 27/09/2019 - 12h56

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Hassan
Por Hassan Farias
Obras de infraestrutura viária estão sendo executadas na cidade
Obras de infraestrutura viária estão sendo executadas na cidade
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Como será o trânsito de Joinville daqui dez, vinte, trinta anos? O planejamento atual da prefeitura prevê investimentos em obras de infraestrutura, a possibilidade de integração entre bicicletas e ônibus e até a implantação de um transporte pela linha férrea para ligar as zona Leste e Oeste da cidade. As ações estão sendo pensadas para curto, médio e longo prazo.

Segundo o secretário de Planejamento Urbano e Desenvolvimento Sustentável, Danilo Conti, as primeiras ações já estão acontecendo e devem ter sequência em curto prazo. Uma delas é a consolidação da ferramenta de simulação de trânsito para otimizar o tempo de deslocamento de origem e destino de todos os modais, principalmente do transporte público, bicicleta e transporte individual. A curto prazo também estão previstas 12 mudanças no trânsito que devem melhorar a fluidez em regiões previamente mapeadas.

O segundo pilar é a infraestrutura, em que há os R$ 105 milhões (valores de 2015) do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Mobilidade) e os R$ 161 milhões do financiamento do Banco do Brasil para requalificação, recapeamento e pavimentação de ruas.

– O que levantamos até agora é que será possível criar em torno de 25 quilômetros de novas ciclovias, ciclorrotas e ciclofaixas, e 35 quilômetros de novos corredores de ônibus. Além disso, a gente deve requalificar 11 quilômetros de ciclofaixas e 15 quilômetros de corredores de ônibus, como já aconteceu na rua São Paulo e agora vem acontecendo na rua Blumenau – destaca.

Danilo Conti diz que estão previstas mudanças no trânsito, incluindo na frente do Mercado Público
Danilo Conti diz que estão previstas mudanças no trânsito, incluindo na frente do Mercado Público
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Revisão do plano viário

A prefeitura ainda trabalha na revisão do plano viário da cidade, que é de 1973. Segundo o secretário, a empresa vencedora da licitação para realizar a revisão deve ser divulgada nas próximas semanas. A partir disso, ela terá 18 meses para entregar um novo plano que vai ter como pano de fundo a integração de modais.

– A integração dos modais permite que o usuário consiga ir até essas estações de embarque com uma bicicleta, própria ou alugada, deixe ela em um lugar seguro ou leve consigo no ônibus para que na próxima estação onde desembarcar ele possa pegar essa bicicleta e ir até o destino final – explica.

Protótipo para uso do BRT vai ligar os terminais Norte e Sul, passando pela avenida Getúlio Vargas
Protótipo para uso do BRT vai ligar os terminais Norte e Sul, passando pela avenida Getúlio Vargas
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Planejamento para implantar BRT a médio prazo

A etapa seguinte, a médio prazo, é começar a atender aquilo que vai ser previsto na revisão do plano viário. O município também já vem estudando a mudança no sistema de sinaleiros da cidade para um novo modelo mais inteligente, em que vai ser possível fazer a interligação com o transporte coletivo.

Isso ajudaria na implantação do BRT (bus rapid transit, em inglês), um sistema que já funciona em Curitiba, em que o transporte de ônibus é centralizado em canaletas exclusivas para os coletivos, dando mais velocidade às viagens já que não é necessário parar nos cruzamentos. Um protótipo planejado pela prefeitura ligaria os terminais de ônibus do Norte e do Sul, passando em ruas como a Beira-Rio, Procópio Gomes, Florianópolis, Getúlio Vargas e Santa Catarina.

Município já está pedindo a concessão da ferrovia para usar no transporte de passageiros
Município já está pedindo a concessão da ferrovia para usar no transporte de passageiros
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Transporte de pessoas pela linha ferroviária

A prefeitura também tem planos envolvendo o aproveitamento da linha ferroviária que existe hoje na área urbana da cidade. O município está pedindo a concessão desse ramal para usar para o transporte de passageiros.

O projeto é para longo prazo, porque é necessário dar agilidade às obras do contorno ferroviário, que prevê a transferência da passagem de carregamentos de cargas para fora da área urbana. Assim, seria possível usar a linha que passa dentro da cidade para transportar as pessoas.

– Ela vai fazer uma ligação importante das regiões Leste e Oeste. E se nesse momento, já que estamos falando a longo prazo, a nossa região metropolitana já tiver avançado e amadurecido, pode ser também uma opção para conectar municípios vizinhos, como Araquari, Guaramirim, Jaraguá e Rio Negrinho.

Segundo o secretário, o objetivo da gestão atual é deixar a burocracia pronta, com pedidos de concessão e planejamento, para as próximas administrações não perderem tempo quando for o momento de executar as obras.

Conti afirma que atualmente ainda não há demanda suficiente de pessoas vivendo nessa região metropolitana que viabilize um investimento de veículo leve sobre trilhos (VLT). Isso porque é um investimento mais elevado do que efetivar um sistema de BRT, por exemplo. No entanto, esse modal também está sendo observado pelo município.

Vereador Fábio Dalonso, integrante da Comissão de Urbanismo
Vereador Fábio Dalonso, integrante da Comissão de Urbanismo
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A pauta também no Legislativo

A Câmara também tem papel importante com os projetos de lei que são apresentados pelos vereadores. A Comissão de Urbanismo é a responsável por analisar as pautas que envolvem a questão de mobilidade.

— A Câmara tem se tornado cada vez mais um acesso fácil, seja pelo telefone, redes sociais e participando aqui pessoalmente. As comissões acontecem todas as terças-feiras, das 15 às 17 horas — explica o vereador Fábio Dalonso, secretário da comissão.

O Legislativo debate desde projetos grandes de mobilidade até pequenas alterações no trânsito e pode funcionar como um local em que sugestões da sociedade contribuem com os debates sobre a mobilidade na cidade.

— A participação da comunidade tem acontecido muito mais com as redes sociais, por onde vêm sugestões e ideias. Até pela nossa própria ouvidoria tem chegado várias sugestões.

Entidades falam como contribuem com o debate da mobilidade

Luiz Antonio Carletto, presidente do Pedala Joinville

"O Pedala Joinville atua fortemente nesse contexto de inserir a bicicleta no contexto modal da cidade. Nossa entidade é sem fins lucrativos, com um trabalho de voluntários que doam um pouquinho do seu tempo para termos uma Joinville melhor de se viver. Nós ajudamos na inserção das bicicletas por meio de algumas leis que aprovamos na Câmara de Vereadores, como o selo da empresa amiga da bicicleta, a semana da bicicleta e diversos projetos sociais que a gente procura trazer a bicicleta não só como modal, mas como saúde, esporte e lazer."

Fernando Bade, presidente da Ajorpeme

"Como entidade empresarial, a gente acompanha o Conselho da Cidade muito de perto, o Conselho das Entidades também, onde se discute muito a mobilidade urbana. Nos eventos que a Ajorpeme faz, sempre fomentamos a carona solidária, aplicativos e transporte coletivo para que não tenhamos uma pessoa apenas em um carro. Cada vez mais, o uso do veículo é maior e a gente usa cada vez menos o transporte coletivo. Então, esse é um assunto muito importante e que bom que está sendo rediscutido."

Marco Antonio Corsini, presidente do Conselho da Cidade

"O Conselho da Cidade é consultivo, formado por 104 pessoas, e que tem a função de analisar as propostas que chegam. Nós temos quatro câmaras setoriais e uma delas é de mobilidade urbana. Ela vai ter um papel fundamental na cidade com a revisão do plano viário que está sendo feito. Já foi contratada uma empresa pelo poder público que vai apresentar as demandas e as correções da mobilidade na cidade. É um momento que o conselho vai ter papel fundamental."

João Martinelli, presidente da Acij

"A Acij acaba recebendo todas as reivindicações das principais empresas e dos principais setores da sociedade. O nosso trabalho principal é canalizar isso junto aos órgãos públicos, reivindicar, demonstrar, insistir e fazer com que as autoridades enxerguem realmente o que a cidade precisa. Nós deixamos sempre muito claro o que nós queremos: todas as nossas reivindicações são voltadas à infraestrutura. Brigamos inicialmente pela avenida Santos Dumont, agora pela Hans Dieter Schmidt, Edgar Meister, pela abertura da Almirante Jaceguay, duplicação da Ottokar Doerffel. São interesses da cidade e vamos continuar insistindo até que as coisas se solucionem."

José Manoel Ramos, presidente da CDL

"A CDL vem buscando conversar com o poder público para melhorar a questão da acessibilidade. Temos identificado que ainda existem muitas calçadas danificadas e muitos lugares são ocupados por ambulantes, que usam esses locais para expor suas mercadorias, muitas vezes obstruindo a passagem dos pedestres. Temos feito essa conversa com o poder público e vamos continuar essa busca e essas conversas para que a gente possa concretizar essas intervenções da fiscalização, melhorando cada vez mais a circulação dos pedestres no Centro."

Confira as próximas reportagens:

Segunda-feira

Transporte multimodal e integração de transportes

Terça-feira

Prioridade para as bicicletas

Quarta-feira

Confiabilidade no transporte público

Quinta-feira

Alternativas para novos meios de transporte

Sexta-feira

Ações para o futuro da mobilidade em Joinville

Sábado

Teste de mobilidade

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