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Momo: especialista e delegado indicam como os pais devem abordar o assunto com os filhos

Ministério Público da Bahia notificou Google e Whatsapp nesta segunda-feira para que retirem do ar conteúdos com a boneca  

19/03/2019 - 07h39 - Atualizada em: 19/03/2019 - 16h03

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Talita
Por Talita Catie
(Foto: )

O assunto ganhou repercussão em 2018, mas há uma semana ressurgiu e com ele a preocupação dos pais. Relatos recentes apontam que agora a Momo – uma boneca de olhos esbugalhados e pés de galinha – aparece no meio de vídeos no YouTube Kids. Antes, os depoimentos eram de contato por meio do WhatsApp. A aparência assusta, mas o problema, entretanto, não é esse. Ela incita crianças à violência. Nesta segunda-feira, o Ministério Público da Bahia notificou Google e WhatsApp para que removam conteúdos que exibam imagens da boneca.

O YouTube Brasil publicou uma nota oficial em seu perfil no Twitter. O texto diz: "Sobre o desafio Momo: não encontramos nenhum vídeo que promova um desafio Momo no #YouTubeKids. Qualquer conteúdo que promova atos nocivos ou perigos é proibido no YouTube. Se encontrar algo parecido, denuncie".

Tice Roncaglio, de Blumenau, conheceu a história da Momo recentemente. Resolveu então conversar com a filha, de quatro anos, sobre o assunto. Aí veio a surpresa: a menina já conhecia a boneca.

– Ela mudou totalmente o comportamento, ficou com medo, chorou e disse que não queria mais falar disso – relata a mãe.

A ação de Tice ao conversar com a criança quando soube da boneca é a mais recomendada pela Polícia Civil, pois esclarece aos pequenos que se trata de algo ruim. O delegado de Polícia de Proteção à Mulher, à Criança e ao Adolescente, David Sarraff, diz que tem conhecimento de ao menos um caso em Blumenau, que chegou a ser procurado pelos pais, mas não teve nenhum boletim de ocorrência registrado. Ele ressalta a importância de levar os fatos ao conhecimento das autoridades.

Vídeos e contatos de WhatsApp podem e devem ser denunciados. Prints de telas e links ajudam nas investigações. Após o registro, se a plataforma possibilitar a denúncia para retirada do vídeo, também deve ser feito imediatamente. Depois disso, pode ser lavrado o boletim de ocorrência em qualquer delegacia.

Segundo Sarraff, com essas informações em mãos, a Polícia Civil pode buscar a origem do contato. Ele diz que inicialmente os autores são de outros países, mas não se descarta a possibilidade de replicadores no Brasil. Uma vez identificados, eles serão responsabilizados.

– A principal recomendação é atenção e cuidados dos pais na prevenção. Não adianta tentar privar a criança ou adolescente de qualquer acesso à internet, mas é preciso monitoramento, uso compartilhado e vigilância de acordo com a idade e capacidade de discernimento da criança ou adolescente – defende o delegado.

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(Foto: )

Doutorando em Comunicação e Linguagens, o professor universitário Moisés Cardoso diz que em canais oficiais é impossível que a Momo surja, mas nos demais a probabilidade existe. Ele explica que esse tipo de material é postado em uma conta não atrelada a canais oficiais. O material fica "solto" na rede até começar a ser visualizado e indexado por robôs de busca. A cada visualização, ele cria mais relevância. Logo, tende a aparecer mais vezes. Cardoso explica como isso surgiu:

– Um material foi duplicado, nesse caso em especial aparece em um vídeo chamado Baby Shark. Nele foi inserido, no meio do vídeo, uma pequena mensagem incitando violência. A não ser que a criança seja bilíngue, ela não vai entender o que está sendo falado, a mensagem está em inglês. As imagens dão algum entender do que fazer, mas o que assusta mais é a figura da boneca em si. Seria o mesmo resultado de expor uma criança a filme de terror de classificação adulta.

O delegado Sarraff reforça a necessidade de manter diálogo com os filhos, e de frisar que qualquer abordagem de terceiro deve ser informada aos pais.

– Mostrem às crianças claramente do que se trata e qual o procedimento deve ser adotado em relação à Momo. Evitem o uso de plataformas inseguras, priorizem as que têm a menor incidência de riscos. Não autorizem os filhos a receber qualquer tipo de chamada, áudio ou vídeo, bem como clicar em links suspeitos recebidos por qualquer meio. Incentivem os filhos a replicar essas orientações aos amigos e colegas, bem como informar os pais e professores, caso tenham relatos de algum incidente – defende.

Cardoso vê o ressurgimento das discussões sobre a Momo como uma oportunidade para que os pais se atentem ao que os filhos estão vendo e fazendo na internet. No ponto de vista dele, a amostragem de casos é relativamente baixa, o que fez o assunto ganhar bastante repercussão foi o compartilhamento por parte dos pais. Nos últimos dias são inúmeras publicações alertando sobre a boneca.

– O que temos é a ativação de um circuito de pânico. Ele se constitui de uma mensagem que não é totalmente compreendida pelos pais, que não entendem como o material aparece ou como algoritmo do YouTube funciona. Temos o engajamento dos pais sensíveis ao tema, com a melhor das intenções em proteger os seus filhos, replicam a informação. E, por fim, a vulnerabilidade compartilhada, em que cada usuário se sente vitimado indiretamente porque corre o risco de ter o filho passando pela mesma experiência - pontua.

Dicas para proteger as crianças

- Nunca usar a conta dos pais para visualizar vídeos infantis no Youtube tradicional. A plataforma está programada para publicidade relevante para o perfil do usuário. Uma criança que usa a conta dos pais está sujeita a uma publicidade para adultos, e isso será mais nocivo do que qualquer outro conteúdo.

- Crie a própria playlist de vídeos. Ao passar rapidamente a barra de rolagem é possível pré-visualizar todo o vídeo para saber se não tem nada de anormal nele.

- Crie filtro de conteúdo.

- Desative a reprodução automática de vídeos.

- Procure acessar canais oficiais das produtoras de conteúdo. Qualquer canal com poucos inscritos, baixa visualização, indica que não foi verificado pela plataforma.

- Instrua a criança a nunca compartilhar informações pessoais, como números de telefone, endereços.

Fonte: Moisés Cardoso, professor universitário, doutorando em Comunicação e Linguagens

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