Moradores de um prédio que cedeu em Itajaí ainda tentam assimilar a correria e o pânico vividos na noite de quarta-feira (15). Eles tiveram de sair às pressas, alguns sem camisa ou até enrolados na toalha de banho, ao perceber que o edifício estava ruindo. Uma das moradoras, Zenir da Silva, descreveu como foram aqueles momentos:

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— Escutei um barulho que parecia de alguém arrastando móveis e logo ouvimos o pessoal correndo e gritando nas escadarias. Só pegamos o cachorrinho e saímos sem celular, sem documento, sem nada — conta a aposentada.

Ela mora no prédio há três anos. São quatro andares e 16 apartamentos, todos de locação. Por volta das 21h30min desta quarta, a base da edificação afundou cerca de 40 centímetros em alguns pontos, o que provocou rachaduras significativas em paredes e pisos, explicou a Defesa Civil. Quando todos desceram, a escada do local cedeu.

Segundo a prefeitura, três moradores tiveram cortes causados pela quebra dos vidros. As pessoas saíram correndo, levando no máximo os animais de estimação no colo. Quatro recorreram a uma casa de apoio oferecida pela prefeitura. Os demais foram para a casa de amigos ou parentes.

Casas ao lado do prédio tiveram de ser interditadas (Foto: Grazi Guimarães, NSC TV)

— Não tenho esperança de voltar, só queria poder pegar os nossos pertences — lamenta a moradora.
Técnicos já informaram que o prédio segue estalando e cedendo (foi um centímetro entre a noite de quarta e esta manhã). Será necessário escorar a estrutura internamento para só então permitir a entrada dos moradores para a retirada de objetos importantes. Não há, porém, uma previsão para isso.

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Apesar dos cerca de 60 moradores terem conseguido sair, alguns animais ficaram para trás. Eles foram resgatados pelos bombeiros nesta quinta-feira (16). A prioridade, agora, é tentar pegar os documentos das vítimas para amenizar ao menos esse transtorno. Por enquanto, os moradores contam com o abrigo de familiares e do município.

Os donos do prédio ainda não foram identificados pela reportagem. Duas casas vizinhas também tiveram de ser interditadas por conta do risco trazido, mas somente uma família aceitou deixar o imóvel temporariamente.