Os moradores do bairro Bela Vista reclamam há quase dois anos do forte mau cheiro que vem de duas empresas de tratamento de esgoto próximas a uma área residencial de Gaspar. Eles relatam que o cheiro piora em dias quentes, em dias de chuva e até quando o vento está mais intenso, seja com o caminhão descarregando resíduos ou não. A repórter Patrícia Hadlich e o cinegrafista Vitor Buchele, da NSC TV, foram até o local nesta quarta-feira (4).

Continua depois da publicidade

A empresa faz tratamento de resíduos e recebe tanto caminhões limpa-fossa, que provocam um cheiro de esgoto, quanto descarte de óleo, que traz um cheiro de peixe estragado, conforme os relatos. O cheiro invade as casas e apartamentos próximos e faz com que os residentes evitem abrir as janelas. Um difusor da empresa é ligado de tempos em tempos, mas não seria o suficiente para amenizar o cheiro, descrito como insuportável.

— Os prejuízos causados aos moradores e vizinhos são muitos. O forte odor de fezes em nossas casas e apartamentos causa enjoos, dor no estômago, ânsia de vômito, dor de cabeça, problemas respiratórios e irritação na garganta devido ao produto que eles usam para mascarar o cheiro ruim. Tem cheiro de fezes nas roupas limpas no varal, constrangimentos ao receber parentes e amigos em nossas casas — desabafou a moradora Andréa Pacheco Anacleto, corretora de imóveis, em entrevista para a NSC TV.

Os moradores contam já terem tentado de tudo desde 2024. Conversaram com o dono da empresa, com o proprietário do imóvel onde a empresa está, já entregaram um abaixo-assinado com quase cem assinaturas na prefeitura de Gaspar, denunciaram ao Instituto do Meio Ambiente (IMA) e há uma ação civil pública no Ministério Público, feita pela moradora Andréa. As denúncias seguem quase como parte da rotina de quem mora por lá e até ocorrem fiscalizações por parte do IMA, em que são pontuadas alterações e mudanças necessárias, com histórico de uma multa aplicada. Porém, a vizinhança comenta que, mesmo assim, nada de concreto chega a acontecer.

— A gente tem buscado, através de conversas, reuniões, denúncias, muita paciência e muito diálogo, e nada acontece. Promessas de que vão se adequar, mas sabemos que é impossível porque o tratamento fica muito perto das residências. A solução é a empresa em questão operar em uma área bem longe — conclui Andréa.

Continua depois da publicidade

O que diz a prefeitura de Gaspar e o IMA

O Instituto do Meio Ambiente (IMA) afirmou em nota que a empresa não tem licença ambiental definitiva para operação, o que os moradores já sabiam. Ela tem uma licença provisória e, por isso, está regular.

Já a prefeitura de Gaspar afirmou que a empresa não precisa de um alvará para funcionar porque “cuida de uma atividade de baixo risco”. Porém, isso não quer dizer que ela não esteja sujeita a fiscalizações e afirmou que uma equipe da Vigilância Sanitária irá ao local.

O que diz a empresa

A empresa informou, também por nota, que atua de forma regular, com licenciamento ambiental e a devida análise dos órgãos competentes, sob contínua fiscalização das autoridades ambientais. Além disso, destacou que as atividades são autorizadas pela Justiça.

“Também foram adotadas medidas técnicas para aprimorar o controle de eventuais odores, e a empresa permanece à disposição dos órgãos ambientais e da comunidade para prestar os esclarecimentos necessários”, escreveram.

Continua depois da publicidade

Eles afirmaram que, até o momento, “não há qualquer laudo técnico que comprove a existência de dano ou poluição ambiental, ou qualquer risco à saúde pública”. Além disso, disseram que “o que existe são percepções sensoriais pontuais, que estão sendo tratadas com responsabilidade e diálogo”.

“A empresa respeita o direito da comunidade de se manifestar, mas confia que eventuais acusações sejam feitas com cautela e base técnica, evitando conclusões precipitadas que possam causar danos à imagem e à reputação de uma atividade regularmente instalada”, pontuaram.

O que diz o Ministério Público

“O Ministério Público ajuizou Ação Civil Pública buscando a regularização definitiva das atividades das demandadas, mediante o cumprimento integral das condicionantes ambientais e a implementação de melhorias no controle de emissões para cessar a poluição odorífera e atmosférica.

Em paralelo, conforme decisão do TJSC, o órgão acompanhará o cumprimento das medidas liminares, que consistem em: (i) comprovação de pedido de vistoria e impulsionamento do licenciamento corretivo perante o IMA/SC; (ii) apresentação de plano de ação e cronograma para controle de emissões; e (iii) evidência de tratativas para solução consensual, inclusive mediante eventual celebração de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).”

Continua depois da publicidade

*Sob supervisão de Bianca Bertoli