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    Moraes Moreira deixou cordel sobre quarentena por coronavírus  

    Última postagem de músico no Instagram foi feita dias antes de morrer e para mostrar texto sobre o isolamento social enfrentado pela contaminação do covid-19  

    13/04/2020 - 12h55 - Atualizada em: 13/04/2020 - 13h08

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    Por Carolina Marasco
    Moraes Moreira morreu aos 72 anos
    Moraes Moreira morreu aos 72 anos
    (Foto: )

    O músico Moraes Moreira morreu aos 72 anos, nesta segunda-feira (13), no Rio de Janeiro. Conhecido pelas músicas marcantes da época da banda Novos Baianos e pela carreira solo, o cantor também é lembrado pelas poesias e análises sociais sobre o Brasil. A mais recente análise foi publicada no Instagram, em formato de cordel, sobre a quarentena enfrentada pelo artista no combate ao novo coronavírus.

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    Ao relatar o sentimento de “estar em quarentena”, Moraes Moreira postou que se dividia entre o apartamento e o escritório, ambos no bairro Gávea, na capital fluminense. O cordel, segundo a última postagem do cantor, foi escrito no dia 17 de março, dias antes da morte do músico.

    Leia também: Playlist relembra os sucessos da carreira de Moraes Moreira

    A rima fala sobre a situação atual do país em relação ao novo coronavírus. Moraes Moreira escreveu no cordel que possuía medo da pandemia, mas também temia casos de injustiça social.

    Confira um trecho do cordel abaixo

    "Assombra-me a pandemia

    Que agora domina o mundo

    Mas tenho uma garantia

    Não sou nenhum vagabundo

    Porque todo cidadão

    Merece mais atenção

    O sentimento é profundo"

    Leia o cordel completo na publicação de Moraes Moreira no Instagram

    Ver essa foto no Instagram

    Oi pessoal estou aqui na Gávea entre minha casa e escritório que ficam próximos,cumprindo minha quarentena,tocando e escrevendo sem parar. Este Cordel nasceu na madrugada do dia 17, envio para apreciação de vocês .Boa sorte Quarentena (Moraes Moreira) Eu temo o coronavirus E zelo por minha vida Mas tenho medo de tiros Também de bala perdida, A nossa fé é vacina O professor que me ensina Será minha própria lida Assombra-me a pandemia Que agora domina o mundo Mas tenho uma garantia Não sou nenhum vagabundo, Porque todo cidadão Merece mas atenção O sentimento é profundo Eu não queria essa praga Que não é mais do Egito Não quero que ela traga O mal que sempre eu evito, Os males não são eternos Pois os recursos modernos Estão aí, acredito De quem será esse lucro Ou mesmo a teoria? Detesto falar de estrupo Eu gosto é de poesia, Mas creio na consciência E digo não a todo dia Eu tenho medo do excesso Que seja em qualquer sentido Mas também do retrocesso Que por aí escondido, As vezes é o que notamos Passar o que já passamos Jamais será esquecido Até aceito a polícia Mas quando muda de letra E se transforma em milícia Odeio essa mutreta, Pra combater o que alarma Só tenho mesmo uma arma Que é a minha caneta Com tanta coisa inda cismo.... Estão na ordem do dia Eu digo não ao machismo Também a misoginia, Tem outros que eu não aceito É o tal do preconceito E as sombras da hipocrisia As coisas já forem postas Mas prevalecem os relés Queremos sim ter respostas Sobre as nossas Marielles, Em meio a um mundo efêmero Não é só questão de gênero Nem de homens ou mulheres O que vale é o ser humano E sua dignidade Vivemos num mundo insano Queremos mais liberdade, Pra que tudo isso mude Certeza, ninguém se ilude Não tem tempo,nem.idade

    Uma publicação compartilhada por Moraes Moreira (@moraesmoreiraoficial) em

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