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    Morte de Gabriella Custódio Silva é investigada como feminicídio em Joinville

    Polícia não descarta nenhuma hipótese, inclusive a de tiro acidental 

    24/07/2019 - 11h19 - Atualizada em: 25/07/2019 - 22h26

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    Gabriela
    Por Gabriela Florêncio
    Jovem foi deixada no hospital no fim da tarde de terça-feira
    Jovem foi deixada no hospital no fim da tarde de terça-feira
    (Foto: )

    A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a morte de Gabriella Custódio Silva, 20 anos, como feminicídio, conforme o delegado Elieser Bertinotti. A jovem foi deixada no Hospital Bethesda, no Distrito de Pirabeiraba, pelo companheiro — principal suspeito do disparo — com uma marca de tiro no lado direito do peito. De acordo com Bertinotti, nenhuma hipótese de investigação está descartada.

    — O inquérito foi instaurado como feminicídio, em decorrência da união estável deles, ainda não possuímos nenhum elemento que comprove algo diferente disso. A polícia instaura o inquérito com base nos primeiros dados recebidos, e o que temos até agora é que o companheiro efetuou um disparo contra a vítima. No entanto, nenhuma linha de investigação está descartada — explica o delegado da Delegacia de Homicídios (DH).

    O delegado ainda não recebeu as primeiras informações do inquérito, que deve ser remetido da Central de Polícia para a DH. Gabriella chegou já sem vida ao pronto-atendimento do Bethesda, por volta das 17h25 desta terça-feira (23). Testemunhas que estavam no local relataram que ela foi tirada do porta-malas de um automóvel pelo companheiro e deixada com a equipe de enfermagem. Durante cerca de 20 minutos foram realizados os procedimentos de reanimação cardiorrespiratória, sem sucesso.

    Ainda conforme o delegado, o que se sabe do fato até o momento é que Gabriella e o companheiro estavam na casa da mãe dele nesta terça-feira. A mulher já foi ouvida pela polícia. Em depoimento, a mãe disse que não ouviu nenhuma discussão. Depois, escutou o disparo e observou o filho sair com a vítima em direção ao hospital.

    — Em síntese, a mãe alega que ouviu o disparo e viu o filho saiu socorrer a vítima até o hospital. Por ora, não temos a informação de que ela ouviu discussão — afirma.

    A jovem é natural de Itajaí e está sendo velada na Capela Mortuária da Igreja São João Batista, já o sepultamento acontece no fim desta tarde, no Cemitério da Armação, os dois em Penha.

    Vídeo mostra homem deixando a jovem no hospital

    A reportagem teve acesso às câmeras de segurança da unidade hospitalar, que mostram o momento em que o companheiro de Gabriella a deixa no pronto-atendimento. A direção do hospital não autorizou a veiculação das imagens. No vídeo é possível ver que o homem entra na unidade, aparentando estar nervoso, e avisa os enfermeiros. Ele sai em direção ao carro e depois retorna carregando a jovem no colo. As imagens não mostram se ela foi retirada do porta-malas, mas o vigilante que estava no local afirmou que Gabriella estava no espaço.

    Depois de deixar a jovem, o homem conversa com o vigia, informando que iria a casa buscar os documentos para fazer a ficha de Gabriella. Ele manobra o veículo, deixando o estacionamento do hospital e não retorna. Toda a ação demorou cerca de um minuto. Até às 12 horas desta quarta-feira (24), o suspeito ainda não havia se apresentado à polícia.

    A jovem é natural de Itajaí e está sendo velada na Capela Mortuária da Igreja São João Batista, já o sepultamento acontece no fim desta tarde, no Cemitério da Armação, os dois em Penha.

    Jovem não tinha liberação para posse de arma

    O tiro que atingiu Gabriella foi de uma arma calibre 380. De acordo com o delegado, o suspeito do disparo não possuía liberação para ter a arma, e o objeto ainda não foi encontrado. O suspeito também não se apresentou à Polícia Civil para prestar esclarecimentos, a expectativa é que ele compareça na delegacia nos próximos dias.

    — O fato de ele ter deixado a vítima no hospital e fugido não enfraquece nenhuma hipótese que possa ser levantada, mas elas são qualificadas no decorrer do procedimento. A pessoa pode ter efetuado um disparo voluntário e como álibi a levou ao hospital. Ou ao contrário, pode ter acontecido alguma outra coisa e socorrido ela. Isso vai ser confirmado durante o inquérito - completa.

    Ainda segundo o delegado, o jovem teria entrado em contato com um familiar após o disparo. A pessoa teria ficado com o carro do suspeito e entregue a um amigo da família. Durante as rondas, a Polícia Militar localizou o carro com dois passageiros dentro.

    A PM abordou o motorista que informou que o veículo foi deixado na casa de um amigo e, posteriormente, descobriram que o carro estava envolvido no crime. Por isso, estavam o levando para a casa do proprietário, que eles conheciam. O condutor foi autuado em flagrante por dirigir sob o efeito de álcool, segundo Bertinotti. A polícia não descarta o pedido de prisão do homem, mas vai depender do decorrer do processo.

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