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    Morte de menino por coronavírus causa impasse entre Estado e prefeitura

    Estado confirmou caso após resultado positivo em teste rápido, mas município do Oeste diz que apenas segundo exame pode atestar que óbito ocorreu por covid-19

    24/05/2020 - 14h13 - Atualizada em: 24/05/2020 - 16h15

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    Por Jean Laurindo
    Estado contabilizou caso após resultado de teste rápido, mas prefeitura quer segundo resultado para confirmar infecção
    Estado contabilizou caso após resultado de teste rápido, mas prefeitura quer segundo resultado para confirmar infecção
    (Foto: )

    Um menino de 13 anos morreu enquanto brincava com amigos no final da tarde de sexta-feira (22) em Dionísio Cerqueira, no Extremo Oeste de SC. A morte provocou um impasse entre Estado e município sobre a inclusão ou não do caso como óbito por covid-19.

    O caso foi confirmado pelo governo do Estado na atualização dos números apresentada nesse sábado (23), depois que um teste rápido feito no menino durante a autópsia deu resultado positivo para covid-19. O jovem não possuía nenhuma comorbidade.

    Após a divulgação do caso, a prefeitura de Dionísio Cerqueira emitiu uma nota alegando que ainda não se pode afirmar com certeza que a causa da morte do adolescente foi a covid-19.

    A prefeitura explica que o jovem morreu após sofrer um mal súbito quando brincava com amigos e que chegou a ser levado para o Hospital de Guarujá do Sul, mas já chegou ao local sem vida.

    O Instituto Médico Legal (IML) de São Miguel do Oeste, para onde o corpo foi levado, fez um teste rápido de covid-19 no corpo do menino e o exame deu positivo. No entanto, segundo a nota da prefeitura, tendo em vista que o teste rápido não tem 100% de eficácia, foi coletado material para o teste RT-PCR, considerado mais preciso.

    Os testes rápidos costumam indicar resultado somente após o sétimo dia de infecção e também podem, em alguns casos, apresentar o chamado “falso positivo” – quando o exame aponta a existência da doença, mas na verdade o paciente não está infectado. No entanto, o Estado também tem incluído os resultados desses testes rápidos entre os registros confirmados da doença.

    Resultado deve sair na terça-feira

    A amostra para o novo exame foi encaminhada na tarde de sábado ao Laboratório Central de Saúde Pública de SC (Lacen), em Florianópolis, e o resultado deve ser divulgado na terça-feira (26).

    Até lá, alega a nota da prefeitura, “ainda não se pode afirmar com certeza que a causa da morte do adolescente foi a covid-19”. O município considera o caso em investigação, embora o Estado já tenha contabilizado desde o sábado este caso entre as mortes confirmadas por covid-19 nos registros.

    O município de Dionísio Cerqueira informou ainda que foram feitos testes rápidos de covid-19 na família do rapaz, mas que todos deram negativo. Mesmo assim, os familiares foram mantidos em isolamento, por precaução.

    Estado reafirma que considera óbito confirmado por covid-19

    Em nota emitida ainda no sábado, o Estado informou que a inclusão ocorreu após o resultado positivo para covid-19 no teste rápido feito durante a autópsia. Neste domingo, o Estado divulgou uma segunda nota sobre o caso e reafirmou que classifica o caso como óbito confirmado por covid-19. A decisão se baseia nas notas técnicas do Ministério da Saúde, em "achados sugestivos durante a autópsia" e no teste rápido com resultado positivo.

    Ainda de acordo com essa segunda nota, o jovem sofreu uma parada cardiorrespiratória e o teste rápido foi feito após os profissionais autópsia encontrarem "sinais sugestivos de que a causa do óbito pudesse ter sido a infecção pelo novo coronavírus".

    "Como houve a exposição de pessoas próximas ao jovem e profissionais da saúde durante as manobras de ressuscitação, transporte e autópsia, optou-se por encaminhar ainda o material de via aérea para determinar se havia presença do vírus nas mesmas, para se determinar com maior precisão as orientações de isolamento que deverão ser seguidas pelos mesmos", explica um trecho da nota do Estado.

    O texto diz também que "crianças e adolescentes, embora possam ser assintomáticos, têm potencial de transmissão na comunidade e podem desenvolver doença grave pelo novo coronavírus, mesmo que em uma proporção menor que outras faixas etárias".

    Por fim, o Estado argumenta que os dois tipos de teste necessitam de "adequada interpretação", por possuírem períodos corretos para coleta e que isso "influencia diretamente no resultado obtido".

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