Com a morte de um dos sócios e uma dívida de R$ 120,5 milhões, uma crise levou a CRW Plásticos, tradicional empresa de Joinville, à falência em 2024. O complexo industrial, avaliado em R$ 35,9 milhões, chegou a ir a leilão por menos da metade do valor, mas não recebeu nenhum lance.
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De acordo com o documento da relação de credores da CRW, de abril de 2025, a empresa possuía exatamente 890 credores divididos em quatro classes, incluindo trabalhista. A soma dos créditos individuais e das classes chega a aproximadamente R$ 120,5 milhões em dívidas.
Confira fotos da empresa que foi a leilão em Joinville
Com área total de 16,6 mil de metros quadrados e cerca de 6,6 mil metros de área construída, o complexo que foi a leilão inclui galpões industriais estruturados, ponte rolante e maquinário incluso, como injetoras, robôs e eletroerosão.
Como a crise começou na CRW?
A empresa ficava localizada na Rua Edmundo Doubrawa, no Distrito Industrial Norte, onde atuou por 40 anos no desenvolvimento e fabricação de moldes e na transformação de termoplástico por injeção. A unidade era uma filial da empresa fundada em Varginha, em Minas Gerais.
Nos documentos do processo judicial, a pandemia de Covid-19 foi apontada como a principal causa da crise econômica que levou o grupo CRW Plásticos à falência. O grupo atuava majoritariamente na prestação de serviços para terceiros. Com a chegada da pandemia, houve uma paralisação generalizada das indústrias, o que impossibilitou a continuidade dessas atividades.
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A interrupção no fluxo de trabalho gerou graves dificuldades financeiras e impediu a manutenção do funcionamento regular do Grupo CRW. Com dívidas acumuladas, a falência do grupo CRW foi decretada em 27 de dezembro de 2024.
Morte do sócio abalou empresa
A pandemia também afetou diretamente a administração da empresa. Wagner Francisco Galvão Truglio, um dos sócios-diretores e acionistas das unidades de Varginha, Joinville e Guarulhos, faleceu em 7 de março de 2021. Sua certidão de óbito, anexada no processo, registra que uma das causas da morte foi a Covid-19.
Neste sentido, o Artigo 104 da Lei 11.101/05 exige que os sócios ou administradores da empresa falida compareçam em juízo para fornecer informações essenciais sobre a empresa, como a causa da falência, livros contábeis e a relação de bens. No entanto, o episódio trágico afetou a representação legal da CRW para cumprir essas obrigações em uma das fases do processo.
CRW tentou se levantar após dívida milionária
Em 2023, a CRW apresentou um plano que buscava a reestruturação dos negócios para garantir a manutenção das atividades operacionais, a preservação de empregos e a recuperação da confiança do mercado.
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Na época, o documento apresentado foi constatado como economicamente viável, desde que as premissas de mercado e as medidas de reestruturação fossem cumpridas. Porém, o sucesso dependeria da aprovação dos credores e de fatores externos fora do controle das empresas, o que não foi concretizado.
Apesar das projeções otimistas de julho de 2023, a recuperação judicial acabou sendo convertida em falência em dezembro de 2024.
Por que valor da empresa de Joinville está pela metade do preço
De acordo com o edital que detalha as regras do leilão, a CRW Plásticos teve a falência decretada e, além disso, o imóvel da empresa possui diversos registros de penhoras e indisponibilidades, a maioria de natureza fiscal e trabalhista.
Em três ocasiões, a estrutura esteve disponível para receber lances dos interessados. Contudo, nenhuma proposta foi recebida para arrematar o complexo.
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A terceira fase, também conhecida como estágio de “terceira praça”, foi encerrada às 14h da desta quinta-feira (30). O baixo valor do lance inicial, estimado em R$ 14,3 milhões, se justifica justamente pela etapa do processo, onde são oferecidos os descontos mais “agressivos” aos investidores que, neste caso, ultrapassam 60%.
*Sob supervisão de Leandro Ferreira








