Dados de uma pesquisa feita pelo instituto Datafolha e divulgado pela empresa de transporte por aplicativo Uber mostram que motoristas que trabalham para esta plataforma veem o incentivo para compra ou troca de veículo como o principal instrumento de apoio que o governo poderia oferecer para esses profissionais. O levantamento foi feito com 1,8 mil pessoas, sendo cerca de 250 da região Sul do Brasil.
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O auxílio na renovação ou troca de veículo, com medidas como linhas de financiamento ou incentivos, é citada por 52% dos entrevistados como a principal ação que o governo poderia adotar para auxiliar a atividade dos motoristas. A segunda resposta com maior frequência é dos que acreditam que é melhor não haver nenhuma intervenção do poder público, com 21%. Em seguida, os motoristas citam a implementação ou melhora de uma previdência específica para motorista de aplicativo (17%).
A pesquisa abordou também a proposta de regulamentação do trabalho por aplicativo, que tramita no Congresso Nacional, mas é rejeitada até mesmo por parte dos profissionais. Segundo a pesquisa, 42% acreditam que a regulamentação deveria ser feita, enquanto 41% defendem que não deveria haver regulamentação, mostrando um cenário de divisão entre os motoristas. Os outros 17% não souberam responder.
Raio-x dos motoristas
A pesquisa do Datafolha divulgada pela Uber também fez uma espécie de raio-x dos motoristas de aplicativo no país. Segundo o levantamento, 92% dos entrevistados são homens, e 90% são chefes de família, com em média dois dependentes. A média de idade dos motoristas é de 40 anos, e 58% têm ensino médio completo, enquanto 30% possui ensino superior.
Ainda segundo a pesquisa, seis em cada 10 motoristas possuem outras fontes de renda, como trabalhos com contratação CLT ou de funcionário público. Já 42% dos profissionais atuam apenas com o aplicativo de mobilidade. No total, 69% dos entrevistados declararam ter renda média de no máximo R$ 3.036. Em média, os motoristas passam 26 horas semanais logados.
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Entre as preocupações dos motoristas, a que mais aparece é a de o carro quebrar ou sofrer com desgaste e depreciação ao longo do tempo, citada por 49% dos entrevistados. Em seguida, vêm questões como o risco de assaltos ou de não ter renda em caso de acidentes.
Três em cada quatro condutores dirigem veículo próprio, sendo que 44% deste grupo tem o automóvel quitado, enquanto os demais ainda pagam financiamento. Entre a parcela que não é proprietária, 57% conduzem veículos de uma empresa.

