Imunoterapias CAR-T tornaram-se cada vez mais recorrentes na oncologia por seu poder de reprogramar as células imunológicas do paciente e direcioná-las contra outros tipos de câncer. E agora, essa mesma manobra pode seguir um novo caminho para doenças autoimunes mais graves.
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O caso mais recente é o de abril de 2026 em que uma mulher de 47 anos que foi diagnosticada com três tipos diferentes de doenças autoimunes e simultaneamente fatais – anêmia hemolítica autoimune, trombocitopenia imune e síndrome antifosfolipídica – entrou em remissão após o tratamento de células CAR-T, relatado pela revista Med.
A notícia amplamente divulgada pela ScienceAlert e por um comunicado da EurekAlert ligado à equipe de Erlangen na Alemanha. Segundo as informações obtidas por essas fontes, a paciente conviveu por mais de uma década com as doenças e diversas tentativas de tratamentos fracassados.
Três doenças: um tratamento
Sem respostas a tratamentos convencionais, o estado de saúde da paciente era tão grave, por isso, as transfusões de sangue eram recorrentes. Após a terapia, a equipe médica pontuou uma melhora rápida e significativa: em 10 dias, a força física foi voltando ao normal de forma notável, e após 25 dias os biomarcadores indicavam remissão completa. A hemoglobina voltou a níveis normais, as plaquetas se estabilizaram e os anticorpos que favorecem a formação de coágulos caíram, se tornando indetectáveis.
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Apesar do avanço, especialistas ressaltam que se trata de um estudo do caso, o que impede generalizações. Ainda são necessários estudos clínicos mais amplos para avaliar a segurança, a duração dos efeitos e como aplicar o mesmo tratamento em diferentes perfis de pacientes.
O alto custo da terapia CART-T ainda é um fator a ser debatido, embora sua implementação ainda seja complexa. As células T da própria paciente são extraídas, geneticamente modificadas para reconhecer o marcador CD19 e depois reinjetadas. Essas células CAR-T são capazes de destruir linfócitos B anômalos, que em muitos prognósticos autoimunes são responsáveis pela produção de anticorpos que atacam o próprio corpo.
“Reinício” imunológico
A terapia de “reinicialização” começa daí: eliminando completamente a população defeituosa, o sistema pode ser reconstruído de forma mais saudável.
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O que torna este caso impressionante é não se tratar de apenas uma doença autoimune, mas de três ao mesmo tempo. Autores identificam como a primeira vez que a terapia CAR-T consegue transmitir simultaneamente uma combinação concreta de patologias.
Vale lembrar que a remissão foi mantida sem a necessidade de tratamento adcional por mais de um ano, embora seja um caso individual, ainda reforça a magnitude do resultado.
Importante enfatizar que o caso se soma a outras pesquisas recentes que investigam o uso da tecnologia em doenças autoimunes graves, como o lúpus. Embora ainda distante de uma solução mais definitiva, o episódio reforça o potencial de abordagens capazes de ir além do controle de sintomas e, eventualmente, interromper a progressão dessas condições.
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Por Jean Candido



