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Crime de ódio

Mulher trans denuncia duas tentativas de homicídio em menos de 24 horas em Araquari

Dois homens teriam atirado contra ela, além de outros cinco terem feito ameaças

09/05/2022 - 10h09 - Atualizada em: 09/05/2022 - 12h02

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Flávia
Por Flávia Terres
Scarlett Oliveira é trans e estuda no IFC de Araquari
Scarlett Oliveira é trans e estuda no IFC de Araquari
(Foto: )

A Polícia Civil está investigando a denúncia de uma mulher transexual que teria sofrido duas tentativas de homicídio em menos de 24 horas. Conforme o boletim de ocorrência, um homem atirou contra ela e outros cinco ameaçaram e insultaram com palavras de cunho sexual. O caso foi registrado no Centro de Araquari, no Norte de Santa Catarina, nos dias 23 e 24 de abril. 

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De acordo com o delegado Eduardo de Mendonça, responsável pelo caso, o local onde ocorreram as tentativas é uma região tranquila, mas "não havia nenhum tipo de câmera que tenha captado algo" do momento da ação. A polícia investiga dois suspeitos de envolvimento no crime. 

Segundo Scarlett Oliveira, que fez a denúncia, a primeira tentativa ocorreu quando ela estava indo visitar uma amiga. Conforme o relato, dois homens que estavam passando de carro começaram a disparar os tiros contra ela, gritado palavras de ódio e mandado ela correr. 

Para fugir dos disparos, ela afirma que desceu da bicicleta e correu na direção de um cemitério, onde ficou escondida por cerca de quarenta minutos dentro de uma vala. Durante a fuga, ela sofreu cortes nas pernas e nas mãos. Após a ação, Scarlett conta que foi até a Polícia Militar relatar o caso e os militares foram ao local para fazer um mapeamento e recuperar a bicicleta.

Conforme a mulher, no mesmo dia, os suspeitos teriam conseguido o número pessoal dela e começado a enviar mensagens pelo WhatsApp com teor sexual e ameaças. 

No segundo ataque, Scarlett afirma que estava buscando projéteis dos tiros que foram disparados quando foi abordada por um grupo de quatro homens. Os suspeitos correram atrás dela e a insultaram novamente com palavras de ódio. No boletim de ocorrência ela alegou que três dos responsáveis são jovens e um tem aproximadamente 35 anos. A mulher fugiu, se escondeu novamente e em seguida fez a abertura do boletim de ocorrência. 

O delegado afirmou que as conversas de WhatsApp serão analisadas e a vítima será chamada para depor. A polícia informou que Scarlett deve procurar ficar protegida até que os suspeitos sejam encontrados. 

Mensagens de deboche e ameaças

Scarlett, que é uma mulher trans, Drag Queen e aluna do Instituto Federal Catarinense (IFC) de Araquari, enviou à reportagem do Diário Catarinense imagens das mensagens que recebeu pelo WhatsApp com ameaças de cunho sexual e deboche. 

Ela contou que não sabe como os suspeitos conseguiram o número, mas fizeram contato pouco depois do primeiro ataque, se passando por outra pessoa. Após ela questionar sobre quem era, as mensagens se tornaram agressivas. 

- Estou sendo constantemente ameaçada psicologicamente. Não consigo sair pra rua não consigo fazer meus estudos presenciais - desabafa.

A vítima, que está evitando sair desde que sofreu os ataques, diz ainda que há descaso na investigação, alegando ter encaminhado à polícia provas e o número que está fazendo as ameaças. Ela levou o caso também ao Ministério Público, que registrou a denúncia na Promotoria de Justiça de Araquari. 

A reportagem questionou na sexta-feira (6) se os investigadores trabalham com o rastreio do número dos responsáveis e, conforme o delegado, a corporação vai "tentar fazer o máximo para desvendar o caso". 

Instituto Federal Catarinense se manifesta 

O IFC de Araquari emitiu uma nota nota de solidariedade na última quinta (5) dizendo que "essas tentativas nos mostram as violências diárias que a população LGBTQIA+ sofre, e que em muitos casos, infelizmente, não chegam aos nossos ouvidos e olhos". 

O instituto reforçou que "neste momento de dor nos solidarizamos com ela, dando todo o apoio possível e cobramos, por meio desta, que os agressores sejam identificados e levados à justiça, para que respondam da maneira devida, com todos os rigores previstos em lei". 

A nota concluiu que "LGBTIfobia é crime imprescritível e inafiançável e não podemos aceitar que o poder público não dê a devida importância ao caso e, também, que não mude o ocorrido – como acontece em casos de racismo – para um crime de menor potencial".   

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