O tradicional Enterro da Tristeza inaugurou oficialmente a temporada de Carnaval em Florianópolis nesta quinta-feira (12). Por volta das 16h, a concentração do bloco já reunia foliões na Avenida Hercílio Luz, na esquina com a Mauro Ramos. Fantasias coloridas, glitter no rosto e abadás anunciavam: a tristeza estava com as horas contadas.
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A região central da cidade ficou tomada por pessoas de todas as idades, entre moradores, turistas e quem aproveitou a chegada do Carnaval para levantar o astral e deixar as preocupações de lado.
Era o caso das amigas Geovana Frez Tavares e Beatriz Ramos Cordeiro, de 18 anos, que vieram do município Maringá (PR), só para participar do bloco tradicional de Florianópolis.
— Viemos só para isso! Queremos enterrar a tristeza e também aproveitar ao máximo a vontade de pular o Carnaval. Isso aqui não pode acabar — disseram as jovens, que chegaram na Ilha na quarta-feira (11) à noite.
Havia também quem é fiel ao bloco há anos. É o caso de Eliane Varela Souza, 46, e Maximiliano Souza, 55. O casal não perde o “enterro” há 10 anos.
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— Para a gente, é a abertura do Carnaval. Quando começa o S.O.S. já sabemos que agora só para na Quarta-feira de Cinzas — diz Eliane.
Casados há 25 anos, os dois são catarinenses e pretendem aproveitar a folia no camarote do bloquinho.
Personagens tradicionais do bloco fazem sucesso
A presença de personagens clássicos como o Defunto, a Viúva, o Coveiro e a Morte foi um dos destaques da festa. O Defunto, que faz sucesso entre os foliões, é o zelador do Hospital Infantil Joana de Gusmão.
Nelson Júlio Rosa participa do bloco como o personagem há 28 anos, e o faz com muita personalidade e carisma.
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— Abrir o Carnaval é uma alegria muito grande, que não tem preço. Eu estou a mil por hora, apesar do calor, e é uma loucura, muita gente me procurando. É uma emoção muito grande — disse ele ao NSC Total.
A energia de “pontapé” na folia não é sentida somente para quem vem para curtir. A vendedora ambulante Rosane Maria Rodrigues, de 55 anos, trabalha há 18 anos em meio à festa com muito bom-humor.
— O Enterro da Tristeza é muito bom. O pessoal vem com uma energia de brincadeira, de alegria — diz “dona Rose”, como é conhecida.
À medida que a tarde avançava, o público aumentava. Pouco antes das 19h, já era difícil circular pela via, e Cristina Conceição da Silva, de 58 anos, que não perde um Enterro da Tristeza há mais de 30 anos, fazia parte da folia.
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— Todo ano, faça chuva ou faça sol, eu estou aqui. Se não estiver, não sou eu. É energia, alegria e saúde. Se a gente está aqui, é porque estamos vivos. E temos que viver o hoje — diz ela.
Por volta das 19h30min, o cortejo saiu embalado por marchinhas e samba, com o caixão abrindo caminho entre a multidão e marcando oficialmente o início da folia no Centro da Capital.
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Bloco é tradição há mais de 60 anos na Capital
Fundado em 6 de fevereiro de 1964, o Enterro da Tristeza nasceu como uma celebração irreverente para “sepultar” as mágoas e dar passagem à alegria de Momo. O evento foi realizado inicialmente pelo antigo Clube Paineiras, depois passou pelo Clube Ipiranga, no Saco dos Limões, e pela Boate Dizzy — sempre na quinta-feira que antecede o Carnaval — consolidando-se como o “pontapé oficial” da folia de rua em Florianópolis.
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Desde 1995, a tradição é organizada pelo Bloco S.O.S., ligado à Associação dos Servidores da Fundação Hospitalar de Santa Catarina (AFESSC). Criado em 1982 por servidores da área da saúde como uma confraternização de Carnaval, o S.O.S. desfilou pela primeira vez em 1983 entre os blocos da cidade. O que começou como um encontro entre colegas rapidamente ganhou corpo e público, transformando-se em um dos maiores blocos da Capital.
Neste ano, o tema é “Sou manézinho, sou S.O.S., sou alegria!”, reforçando o orgulho ilhéu e o espírito irreverente que marca a festa. A concentração ocorreu a partir das 14h, na antiga rodoviária, na Avenida Hercílio Luz. Por volta das 19h, os trios elétricos e o bloco seguiram em cortejo pelas ruas do Centro até a Praça XV e a região da Alfândega.







