A multinacional francesa Saint-Gobain encerrou a produção de lã de vidro na unidade da Isover, em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, após cerca de 70 anos de atividade industrial. A paralisação ocorreu em 4 de julho, em cumprimento a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), encerrando a fabricação de lã de vidro no local. A unidade, porém, continuará funcionando exclusivamente como centro de distribuição.

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A lã de vidro é um material utilizado como isolante térmico e acústico na construção civil. Durante décadas, moradores da região de Santo Amaro reclamaram da emissão de fumaça, fuligem, forte odor e barulho, especialmente durante a noite.

A empresa não informou qual será o destino dos cerca de 100 funcionários que atuavam diretamente na produção.

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Saint-Gobain tem mais de 12 mil funcionários no Brasil

A Saint-Gobain atua no Brasil desde 1937 e considera o país um dos principais mercados da companhia fora da Europa. Segundo a empresa, mantém 56 fábricas, 54 centros de distribuição, duas mineradoras, 66 lojas, cinco escritórios, um centro de pesquisa e desenvolvimento e mais de 12 mil colaboradores no país.

Globalmente, o grupo afirma estar presente em 80 países, com mais de 161 mil funcionários e vendas de € 46,6 bilhões em 2024.

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Como é a fábrica

Como ocorreu o encerramento da produção

O encerramento da fabricação estava previsto no cronograma do TAC firmado entre a empresa e o Ministério Público no fim de 2025. Pelo acordo, a produção deveria ser interrompida até 4 de julho de 2026, sob pena de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.

Segundo o MP-SP, o cumprimento do cronograma encerrou a atividade industrial desenvolvida na unidade após cerca de sete décadas.

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Além da interrupção da produção, o acordo estabelece obrigações ambientais, entre elas:

  • gestão de áreas contaminadas;
  • tratamento de resíduos;
  • destinação ambientalmente adequada dos materiais industriais.

Moradores relatam fim da fumaça e da fuligem

Segundo moradores da região, a fumaça foi vista pela última vez no fim de junho. Desde então, eles afirmam que o odor e a fuligem deixaram de atingir os imóveis vizinhos.

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Lilian Lira, líder do movimento Respira Santo Amaro, afirmou que os últimos dias antes da paralisação ainda foram marcados pelos transtornos.

— No dia 29 ainda foi bem crítico. A gente ficou com janelas fechadas, tudo fechado para não sentir o odor e não ter a fuligem dentro do apartamento.

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Para quem acompanhou anos de reclamações contra a fábrica, o encerramento da produção representa o fim de uma longa disputa.

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— É um sentimento de alívio. Ainda mais para mim, que faço aniversário agora em julho, veio como um presente — afirmou Carolina Montes, também integrante do movimento Respira Santo Amaro.

Movimento diz que 90 mil moradores serão beneficiados

Em publicação nas redes sociais, o movimento Respira Santo Amaro afirmou que continuará acompanhando o processo de descomissionamento da unidade, etapa de desativação das estruturas industriais e adequação ambiental da área previsto para seguir até 2028.

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“Nossa missão continua, que será acompanhar o processo de descomissionamento da fábrica, com prazo para finalização em 2028. Mas, por agora, comemoremos o direito de respirar sem adoecer”, publicou o grupo.

Segundo estimativa do movimento, cerca de 90 mil moradores de Santo Amaro devem ser beneficiados pelo fim das emissões da atividade industrial.

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Histórico de reclamações contra a fábrica

As reclamações contra a unidade se arrastaram por anos. Moradores relataram dificuldades para respirar, cheiro forte, acúmulo de fuligem nas residências e barulho constante das máquinas, inclusive durante a madrugada.

Em 2023, moradores encaminharam uma petição à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) pedindo providências para reduzir as emissões da fábrica. O caso passou a ser acompanhado pelo Ministério Público, que firmou o TAC com a empresa no fim de 2025.

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Ao longo desse período, a Cetesb aplicou pelo menos três multas à Isover Saint-Gobain em razão dos problemas registrados na unidade.

O que muda para a unidade de Santo Amaro

Apesar do encerramento da produção, a unidade de Santo Amaro não será desativada. Segundo a Saint-Gobain e o Ministério Público, o local continuará funcionando exclusivamente como centro de distribuição dos produtos fabricados em outras unidades da empresa.

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Em nota, a Saint-Gobain afirmou que conduziu a transição “de forma transparente, organizada e de acordo com a legislação”, buscando reduzir ao máximo os impactos para os trabalhadores envolvidos na operação.

A empresa, no entanto, não informou o destino dos cerca de 100 funcionários que atuavam diretamente na produção nem esclareceu se eles serão remanejados para outras unidades, absorvidos pelo centro de distribuição ou desligados.

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Veja nota da empresa

“A Isover informa que, em atendimento ao TERMO DE COMPROMISSO AMBIENTAL (TCA) firmado junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo, a produção de lã de vidro na Unidade Fabril de Santo Amaro foi finalizada dentro do prazo previsto pelo termo, 04 de julho de 2026. Também como parte do atendimento às exigências do TAC, a Isover está trabalhando na desmobilização do forno até o dia 31 de julho de 2026. Importante reforçar que a Isover continuará atuando no Brasil e que, após a data mencionada, a Unidade Fabril passará aoperar como um Centro de Distribuição, garantindo o fornecimento para toda a cadeia produtiva. Em relação aos seus colaboradores, empresa reforça que conduziu o processo de forma transparente, organizada e de acordo com a legislação, sempre comprometida em diminuir ao máximo o impacto para seus funcionários. A empresa reforça que nunca teve intenção de interromper a sua atividade produtiva, sempre respeitando as normas legais e ambientais.”