Desde 1936, a casa cercada por árvores na Rua Itajaí guardou a memória de um dos maiores naturalistas da história brasileira. Agora, quem atravessar novamente os portões encontrará mais do que objetos, documentos e lembranças de Fritz Müller.

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Por problemas estruturais, o Museu de Ecologia do cientista alemão foi fechado em 2022. Depois de um amplo processo de revitalização, a casa enxaimel terá as portas abertas novamente nesta quinta-feira (25) às 9h, em uma cerimônia gratuita do Junho Verde 2026.

Experiências interativas

A nova fase aposta em experiências interativas e em três espaços diferentes de visitação, que são a Casa do Pensamento, o Jardim Laboratório Vivo e o Museu de Ecologia, inspirados no pensamento científico do naturalista. A proposta é observar, descobrir e fazer perguntas, exatamente como o cientista alemão fez dois séculos atrás.

— Esse museu é um patrimônio histórico, científico e cultural de grande relevância. Estamos trazendo Fritz Müller de volta para sua casa, resgatando um legado que ajudou a construir a identidade da nossa cidade e que merece ser conhecido pelas atuais e futuras gerações — refletiu o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Robson Tomasoni.

Contribuição à Teoria da Evolução

Fritz Müller, com as observações da fauna e flora do Vale do Itajaí, ajudou o britânico Charles Darwin a provar a Teoria da Seleção Natural das Espécies, como conta o jornalista Evandro de Assis, que escreveu uma biografia sobre o naturalista.

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Fundado em 17 de junho de 1936, o museu teve a sede construída na casa em que o cientista alemão viveu os últimos anos de vida, entre 1867 e 1897. Animais empalhados, fósseis, ossos de espécies em extinção da Mata Atlântica, insetários, pertences de Fritz Müller e uma biblioteca especializada em temas ambientais compuseram o acervo. Nos jardins, espécies estudadas pelo cientista seguem plantadas e vivas.

O espaço nasceu com a missão de aproximar a comunidade da ciência e da história natural e, quase um século depois, reabre as portas mais uma vez com a proposta de transformar o legado de Müller em uma experiência de aprendizado, em que visitantes de diferentes idades explorem conceitos científicos por meio da observação e da descoberta.

Confira como é o museu

Saiba mais sobre a história do naturalista

O homem que ajudou Charles Darwin a comprovar a Teoria da Evolução das Espécies começou a treinar o olhar científico muito antes de chegar ao Brasil. Filho de um pastor protestante na Alemanha, Fritz Müller acompanhava o pai em caminhadas pelo campo, onde aprendia sobre plantas e insetos. A curiosidade o acompanhou pela vida inteira, como conta Luiz Roberto Fontes, médico e pesquisador, entrevistado para uma reportagem especial do NSC Total que celebrou os 200 anos do nascimento do naturalista.

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Formado em Medicina, se recusou a prestar o juramento cristão exigido para receber o diploma por não concordar com o conteúdo. Ele preferiu abrir mão da carreira e emigrar para o Brasil em 1852. Quando chegou ao Vale do Itajaí, encontrou uma região coberta por mata nativa e marcada pelas dificuldades da colonização.

Em cartas da época, Müller relatava que passava mais tempo com a enxada e o machado do que com o microscópio. Ainda assim, foi justamente nesse ambiente que realizou as observações que o tornariam conhecido internacionalmente.

A partir de estudos sobre crustáceos, insetos, plantas e borboletas da Mata Atlântica, ele reuniu evidências que ajudaram a sustentar a teoria da evolução proposta por Charles Darwin. Os dois mantiveram correspondência por décadas. Müller também publicou o livro “Für Darwin”, em 1864, considerado uma das primeiras grandes confirmações experimentais da teoria evolutiva.

O principal laboratório de Fritz Müller não era uma universidade nem um centro de pesquisas. Era o próprio jardim de casa, onde cultivava espécies, observava comportamentos e registrava descobertas que contribuíram para a consolidação da biologia moderna. Agora, esse laboratório caseiro pode ser visitado e admirado de perto novamente.

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Veja o documentário sobre os 200 anos de Fritz Müller