As cores, os olhares e as pinceladas cuidadosas tornaram Juarez Machado quem ele é hoje: um dos principais nomes das artes plásticas a nível mundial. Sua carreira começou em Joinville, no Norte catarinense, mas em pouco tempo ganhou as televisões brasileiras devido ao seu humor inteligente e sofisticado. O joinvilense conquistou fãs por todas as partes do país e também fez amizades com famosos como Chico Anysio, Jaguar e Ziraldo.
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Início no mundo da arte
Juarez Machado nasceu em Joinville no dia 16 de março de 1941. Seu pai, João de Oliveira Machado, era um caixeiro viajante, enquanto a mãe Leonora Busch Machado era operária e pintora. Em uma publicação nas redes sociais, em 2021, Juarez chegou a afirmar que “aprendeu tudo” sobre a arte e a vida com a mãe.
Juarez começou a se aventurar nas artes plásticas ainda muito cedo. Aos três anos, fez o primeiro desenho “registrado”, um tanque de guerra desenhado na página de um jornal. De tão impressionada, a mãe guardou com carinho a arte do pequeno.
A tia paterna, Verônica Machado, contou em entrevista ao NSC Total em 2011 que Juarez deixava a mãe enlouquecida com suas invenções. Uma delas, inclusive, foi recolher esqueletos e outros restos de animais mortos que encontrava pelas ruas dos bairros Bucarein e Centro.
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O menino costumava pendurá-los nas paredes do quarto, como se fosse uma exposição, quando tinha sete anos.
— Até pescoço de galinha e cabeça de morcego tinha. Eu falei para a mãe dele “quem sabe ele vira cientista?”— recordou Verônica.
Veja fotos de Juarez Machado
A criatividade de Juarez, porém, o levou ao mundo das artes. Seu primeiro emprego, em 1958, foi como designer gráfico no Laboratório Catarinense, onde criou diversos rótulos e embalagens de remédios. Nessa época também produziu materiais para o Almanaque Renascim.
Aos 19 anos, decidiu dar um passo além e foi estudar na Escola de Belas Artes em Curitiba, capital do Paraná. Em 1962, ainda durante a faculdade, arrumou emprego como cenografista em uma emissora no estado vizinho e virou amigo de Ary Fontoura, ator que ficaria famoso por seus trabalhos na Rede Globo.
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Juntos, o artista e o ator produziram cenários para programas como o “Doutor Pomposo”, na TV Paraná. Já em 1965, decidiu se mudar para o Rio de Janeiro e começou a conviver com grandes ilustradores e escritores, como Juca Chaves, Ziraldo e Jaguar.
Juarez Machado movimentou bastante a carreira ao longo dos anos. Ele colaborou com “O Pasquim”, trabalhou no Jornal do Brasil e começou a se tornar um nome conhecido nas artes.
Quadro no Fantástico
Em 1973, Juarez colaborou na criação do Fantástico, o programa dominical que ainda é referência nas noites de domingo dos brasileiros na TV Globo. Ele trabalhava como cenógrafo da emissora e ainda assinava a coluna de humor Nonsense no Jornal do Brasil.
Inspirado por aquele desenho de humor, criou um quadro para o Fantástico. Juarez interagia com os próprios desenhos, com o rosto pintado de branco e vestindo uma fantasia, em silêncio e sozinho. Em meados da década de 70, o quadro se popularizou no país inteiro.
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Ao lado de nomes como Chico Anysio, Bojarlo e Jô Soares, o artista trabalhou por cerca de 20 anos na emissora, integrando os núcleos de criação e de humor. Ele criou diversas vinhetas, aberturas e chamadas dos programas. Foi responsável também por inúmeros cenários e figurinos, entre eles dos humorísticos “Faça Humor não Faça Guerra” e “Balança, mas não cai” e o infantil “Balão Mágico”.
Juarez ainda trabalhou na produção de videoclipes e musicais de artistas como Elis Regina, Roberto Carlos, Raul Seixas e Emílio Santiago.
Carreira internacional
No início dos anos 80, Juarez Machado se mudou para Paris, capital da França, e fixou residência em Montmartre, onde ficou localizado o seu principal atelier. Desde então, não voltou mais a morar em Joinville. Ele conquistou o mundo e disseminou sua arte por todos os cantos.
O cineasta Jean-Pierre Jeunet, que dirigiu o popular filme francês “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, foi a uma exposição de Juarez Machado em Paris. Durante o evento, encontrou as cores e referências que gostaria de usar na obra.
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Ele fotografou quadros, livros e outros trabalhos de Juarez para mostrar à equipe de filmagem. Assim, dois quadros de Juarez Machado foram usados em cena, ao lado da cama de Amélie. Depois, ele ainda contribuiu com Jean-Pierre Jeunet em “Eterno Amor”, filme que também era protagonizado por Audrey Tatou.
Veja obras de Juarez Machado
Instituto Internacional Juarez Machado
Em 2014, Juarez cumpriu uma promessa que fez a si mesmo aos 19 anos: um dia, voltaria a Joinville e construiria um centro de referência para artistas na cidade. O lugar foi construído no terreno da antiga casa dos pais dele com o nome Instituto Internacional Juarez Machado.
Além da exposição das próprias obras, o instituto promove exposições de artistas locais, nacionais e internacionais.
Em constante movimento
Desde o início de 2022, Juarez parou de produzir arte. O artista se mudou para um sítio no interior do Rio de Janeiro para descansar e cuidar de sua saúde.
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Em 25 de abril de 2026, a exposição “Triverso” vai reunir obras de Flávia Itiberê e Rafael Silveira em diálogo com a produção do mestre Juarez Machado. A exposição ocorrerá na Artestil Galeria de Arte, e segue até o dia 27 de junho.


















