É comum que corpos celestes se aproximem do Sistema Solar e se instalem nele temporariamente, adquirindo um status semelhante ao da Lua. Neste caso, os “visitantes” que mais aparecem são os asteroides, em sua maioria inofensivos. Com informações do O Globo.
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A descoberta mais recente de um “visitante amigável” foi o asteroide batizado de 2025 PN7, que possui uma trajetória próxima à da Terra em torno do Sol. É como se fosse um carro trafegando na mesma faixa que o planeta. Esse tipo de corpo celeste é chamado de quase-lua.
São poucas quase-luas conhecidas, e esta pode ser a menor até agora, com tamanho estimado de até 16 metros — pouco menos do que o comprimento de uma pista de boliche.
Origem do visitante ainda é incerta
Ao contrário da grande maioria dos asteroides que se aproximam da Terra — que vem do cinturão principal localizado entre Marte e Júpiter ou são fragmentos da Lua ejetados após impactos de meteoritos — o 2025 PN7 ainda tem origem incerta. Como as observações telescópicas ainda são escassas, “por enquanto, só podemos especular”, afirmou o astrônomo Carlos de la Fuente Marcos, da Universidade Complutense de Madri, autor de estudo sobre o objeto publicado na Research Notes of the American Astronomical Society.
Mas, o que já se sabe é que o arteroide não é um hóspede permanente, e sim faz parte de um grupo reduzido de rochas espaciais que orbitam de forma próxima à Terra por certo período, acompanhando ou liderando o planeta em sua volta ao Sol. Em algum momento, ele será expulso dessa posição — provavelmente em cerca de 60 anos, estimam os cientistas.
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O planeta Terra já recebeu várias miniluas e quase-luas. As primeiras orbitam diretamente no mundo, mas geralmente por alguns meses apenas. Foi o caso do 2024 PT5, que se juntou à Terra no último outono e partiu em novembro.
As quase-luas são diferentes. Elas giram em torno do Sol e permanecem em sincronia com a órbita terrestre por séculos ou até milênios, o que as torna candidatas interessantes para missões espaciais. Uma delas, a Kamoʻoalewa, será alvo da missão chinesa Tianwen-2, que pretende coletar amostras para estudo na Terra.
2025 PN7 foi descoberto em agosto e é “quase-lua” desde 1957
O observatório Pan-STARRS, da Universidade do Havaí, foi o responsável por detectar o 2025 PN7 no dia 2 de agosto. Depois disso, astrônomos localizaram o objeto em imagens de arquivo de anos anteriores, o que permitiu calcular com precisão a órbita do corpo celeste.
Os especialistas estimam que ele tenha assumido a posição de quase-lua em 1957 — coincidindo com o lançamento do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial da Terra.
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No mês de agosto de 1980, o asteroide chegou a apenas 4 milhões de quilômetros da Terra, cerca de dez vezes a distância até a Lua. Em seu ponto mais afastado, pode atingir 17 milhões de quilômetros. Simulações indicam que ele permanecerá próximo da Terra por 126 anos, mas deixará essa órbita em 2083.
A medição do corpo celeste é feita a partir da quantidade de luz refletida em sua superfície, mas, como o 2025 PN7 é de difícil observação, o valor pode variar:
— Não podemos determinar seu tamanho real com precisão. A estimativa vai de 16 a até 49 metros de comprimento. Novas observações ajudarão a confirmar se o asteroide de fato é a menor quase-lua já registrada — destacou de la Fuente Marcos.
Para a comunidade científica, a descoberta é animadora. Isso porque asteroides próximos à Terra — quando não oferecem risco de colisão — ajudam a entender a evolução do Sistema Solar interno.
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— É ainda mais fascinante quando eles ficam próximos da Terra por um longo período — disse Federica Spoto, pesquisadora do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, que não participou do estudo.
*Sob supervisão de Raquel Vieira






