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Laura Coutinho 

Nascido em Floripa, Luiz Wachelke repensa a moda como professor e estilista de uma nova marca carioca

18/02/2017 - 12h41 - Atualizada em: 18/02/2017 - 13h04

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Por Redação NSC

Se São Paulo é hoje o maior mercado de moda do Brasil, é no Rio de Janeiro que tem surgido as iniciativas mais interessantes do setor. O cenário e o personagem dessa entrevista comprovam a tese. Luiz Wachelke, 32 anos, designer gráfico, estilista e professor catarinense radicado há quatro anos na cidade maravilhosa, um nome em ascensão no universo da moda carioca, conversou com a coluna dentro da Malha, plataforma que tem como mantra palavras como sustentabilidade, compartilhamento e colaboração e que tem se revelado uma das principais novidades do setor.

De Luiz e do espaço emanam um frescor e uma promessa de renovação que a moda tradicional – tão fora de moda - necessita. No galpão em São Cristóvão, Luiz, que deixou Floripa em 2008 e passou por Londres e São Paulo antes de se encontrar no Rio de Janeiro, deu um tempo na produção das peças da marca nova de André Carvalhal (ex-Farm), a Ahlma, e contou para a coluna sobre sua trajetória e as esperanças que vislumbra para uma indústria em crise.

(Foto: )

Que caminhos te trouxeram ao Rio de Janeiro?

Sou formado em Design Gráfico e criei uma marca em Floripa, a Vish, ao lado da Andreia (Schmidt Passos). Foi uma escola incrível, pois SC é um estado privilegiado, pelo seu parque têxtil e pela história de grandes empresas. Em 2008, fui para Londres fazer uma especialização em pesquisa de tendências. Na volta, me mudei para São Paulo, fiz pós em marketing no IED (Istituto Europeo di Design), onde me convidaram para dar aula. Fiquei cinco anos em São Paulo, mas ficou muito desgastante, principalmente para quem nasceu em Florianópolis. De lá, observava um movimento diferente e mais interessante no universo da moda carioca. Aí comecei a preparar a minha vinda, que começou com a transferência para o IED carioca, onde dou aulas até hoje e coordeno o curso de moda.

Que oportunidades você viu no Rio de Janeiro que não enxergava na capital paulista?

Aqui estamos repensando os padrões muito tradicionais da moda, aquela velha receita do sucesso: a marca, com seus clientes, com seu ponto de venda na rua tal. É uma receita que SP domina por ser o maior mercado de moda do país. Os caminhos da moda lá são mais numerosos, mas mais engessados. Não é à toa que, de um tempo pra cá, o que tem chamado atenção do Brasil é esse posicionamento do Rio de Janeiro. A gente vê marcas cariocas que vão crescendo sem planejamento, mas que emocionam as pessoas.

Como você conheceu o André Carvalhal e como está sendo o processo de criação de uma marca nova com ele?

Um dia apareceu uma compra no site da Vish de conjuntinho estampado masculina super ousado. Fui ver quem tinha pedido e o comprador era o André. Uns dias depois ele apareceu no facebook perguntando coisas, queria entender mais sobre marca. Deu uma semana e saiu um post sobre a Vish no Adoro Farm (site de conteúdo da marca carioca). Achei aquilo incrível: uma marca falando de outra marca. Acho que mostra o quão visionário ele é. Desde então mantemos contato, brinco que ele é o meu agente no Rio: trouxe a Vish pra vender em uma pop up store carioca, depois me convidou para dar aulas na Perestroika (escola de criatividade) e fizemos os dois livros dele juntos (A Moda Imita Vida e Moda com Propósito). No ano passado, ele me convidou para coordenar o estilo feminino da marca nova, a Ahlma.

Como é criar uma marca nova em uma época que a indústria da moda é questionada?

Sempre trocamos muitos questionamentos sobre esse nova era que a moda tá entrando. Aí o André me convidou, em julho de 2016, para montar uma marca com esse drive. A Ahlma é uma marca nascida na Malha, uma grife maior pra puxar as outras e também achar soluções da nova era. Não temos as respostas, mas queremos ser um laboratório de soluções para buscar o menor impacto na natureza, além de construir histórias usando colaborações. Não vamos embarcar em tendências ou seguir um calendário pré-estabelecido de coleções. E também não queremos usar a sustentabilidade como uma muleta, as pessoas vão comprar porque é bonito. A gente nunca pode esquecer que moda é isso: o modo como as pessoas querem aparecer para o mundo, uma forma de expressão. A marca é do Grupo Reserva e vamos lançar nos próximos meses.

Essa necessária redução no consumo pode significar também uma redução no mercado de moda?

Na verdade uma roupa não deveria valer tão pouco. A gente acha que para a indústria de moda sobreviver ela tem que produzir muito, mas na verdade ela tem que produzir melhor, o que envolve uma gestão melhor de matéria-prima e da produção, menos desperdício e repensar o valor do produto moda. É uma questão de melhorar e distribuir melhor os frutos dessa indústria. Precisamos pensar: o que é se dar bem? Aumentar a produção? Ou poder fidelizar um cliente que vai comprar de ti a vida toda? E é muito importante o consumidor mudar seus hábitos de consumo.

Qual é a tua rotina de morador do Rio de Janeiro?

Trabalho aqui (na Malha), vou no IED todo o dia e depois passo no Arpoador para tomar um um banho de mar. Foi uma coisa que descobri esse ano: praia à noite. Moro no Catete há quatro anos e sou apaixonado pelo bairro, é o melhor lugar do mundo. É seguro e muito familiar. Adoro ir a pé ao Aterro (do Flamengo), deitar embaixo de um coqueiro e ler um livro. Também frequente as festas do Centro e o circuito de cinema de Botafogo.

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