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    Coletivo Di Jejê

    Negócio catarinense combate racismo estrutural no Brasil inteiro através da educação

    Saiba como ajudar o negócio social gerido por Jaque Conceição durante a pandemia

    04/06/2020 - 13h27 - Atualizada em: 04/06/2020 - 13h51

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    Por Estúdio NSC
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    Coletivo Di Jejê
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    Santa Catarina tem o maior número de casos de injúria racial do país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2019), publicado no fim do ano passado. Devido ao dado alarmante, a pedagoga Jaque Conceição criou a primeira plataforma do Brasil com foco em educação feminista e antirracista do Brasil.

    Durante a pandemia, o negócio social viu sua recém-inaugurada sede, a Casa Preta, localizada no bairro Trindade, em Florianópolis, ter que fechar as portas por tempo indeterminado.

    Considerando, então, a necessidade de aliar tecnologias educacionais virtuais e a necessidade da formação anti racista na prática educativa de professores e professoras, durante o mês de junho o Coletivo Di Jejê irá apoiar professores da rede pública básica de Santa Catarina.

    Para cada pacote de cursos KUKALA vendidos durante o mês de junho, o Coletivo Di Jejê fará a doação de mais um pacote de curso. O curso pode ser parcelado no cartão de crédito, sem juros, e custa R$ 195. Para se inscrever, basta acessar o site do coletivo.

    Além disso, dois cursos serão doados para dois profissionais da educação básica de Santa Catarina. A Kukala é um curso de formação voltada para professores sobre a lei 10.639, que estabelece a obrigatoriedade de “história e cultura afro-brasileiro”, com conteúdo para formação técnica da educação infantil ao ensino médio.

    Empoderamento

    Através dos 85 cursos ofertados pelo Coletivo Di Jejê, Jaque empodera outros negros e pardos em busca de suas raízes e desenvolve potencialidades através de cursos onlines, chamados de Rodas de feminismo Negro. Vítima incontáveis vezes de racismo, Jaque lembra de uma das muitas situações que passou no meio acadêmico.

    — Me lembro de um dia que eu entrei no elevador, na PUC-SP, estava com um copo de café na mão e uma professora branca colocou uma bolinha de papel dentro do meu copo, pedindo que eu jogasse no lixo.

    Para aquela professora, a única forma de uma mulher negra estar no elevador daquela faculdade seria trabalhando na limpeza, jamais como uma aluna, jamais como uma professora — relembra Jaque.

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    Pensadores contemporâneos

    Com cursos focados em pensadores contemporâneos, como Angela Davis e Conceição Evaristo, o Di Jejê tem construído ao longo dos seis últimos anos um local para desenvolvimento psicopedagógico a preço acessível, com cursos a partir de R$ 70 (avulsos) e até pacotes completos que custam R$ 320 (pacote semestral) e R$ 600 (anual), que incluem todos os cursos disponíveis nas quatro plataformas:

    Nkanda: Cursos e conteúdo sobre feminismo negro e o pensamento racial negro. A pessoa faz um pagamento e acessa por 12 meses.

    Kukala: Curso de formação voltada para professores sobre a lei 10.639, com conteúdo para formação técnica da educação infantil ao ensino médio.

    Intié: Plataforma voltada para educação indígena, para professores, com conteúdos de formação técnica, da educação infantil ao ensino médio.

    Ifá: Plataforma voltada para empresas, para a diversidade étnico-racial no ambiente empresarial. São quatro cursos compostos por vídeo-aulas de 10 minutos, disponibilizados para colaboradores das empresas que fazem a assinatura dos serviços por três meses.

    Espaços de fortalecimento racial

    Segundo Jaque Conceição, o futuro breve do coletivo inclui pós-graduações com grade de 600 horas e com valores acessíveis, custando menos de R$ 1000 pelo curso completo, e podendo parcelar sem juros no cartão. Passando por credenciamento junto ao Ministério da Educação, daqui a alguns anos o Di Jejê oferecerá graduações presenciais e à distância.

    — Uma das coisas que eu tenho refletido muito é sobre a importância de termos espaços como a Casa Preta funcionando para professores, estudantes e interessados em geral discutirem e pensarem sobre essas questões. Precisamos ter uma faculdade na formação étnico-racial para profissionais que queiram aprofundar sua prática através disso: O Direito, a Engenharia, a Matemática, Química, Medicina e História. Que diversas áreas de conhecimento tenham espaço, é para isso que o Di Jejê está caminhando, para ser uma Faculdade — afirma Jaque.

    Para saber mais sobre o Coletivo Di Jejê acesse o site.

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