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"Ninguém é obrigado a continuar como ministro meu", diz Bolsonaro sobre Guedes

Ministro da Economia havia afirmado em entrevista não ser possível permanecer no governo caso proposta para a Previdência virasse uma "reforminha" 

24/05/2019 - 18h02 - Atualizada em: 24/05/2019 - 19h28

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Por Folhapress
Bolsonaro e Paulo Guedes
(Foto: )

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (24) que é um direito do ministro da Economia Paulo Guedes deixar o cargo caso a reforma da Previdência não seja aprovada. Guedes afirmou em entrevista que não tem como permanecer no governo se a proposta de mudança enviada ao Congresso virar uma "reforminha".

— É um direito dele, ninguém é obrigado a continuar como ministro meu. Logicamente ele está vendo uma catástrofe, é verdade, eu concordo com ele (Guedes), se nós não aprovarmos algo realmente muito próximo ao que enviamos no Parlamento. O que Paulo Guedes vê, e ele não é nenhum vidente, nem precisa ser, para entender que o Brasil vai viver um caos econômico sem essa reforma — disse em Recife, Pernambuco.

Na primeira visita ao Nordeste como presidente da República, Bolsonaro também se irritou com uma pergunta sobre sua rejeição na região:

— Pode fazer uma pergunta inteligente, por favor? — respondeu.

O Nordeste é a região na qual Bolsonaro tem a sua pior avaliação. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em abril, 39% dos nordestinos consideram o seu governo ruim ou péssimo ante 30% da média nacional.

Além disso, o político foi derrotado nos nove estados da região na eleição do ano passado, ficando atrás do então candidato Fernando Haddad (PT).

O encontro

Oficialmente, o encontro desta sexta serviu para aprovar o Plano de Desenvolvimento do Nordeste, que tem o objetivo de estimular a economia na região, em reunião da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O governo diz que quer enviar o projeto para aprovação do Congresso até agosto.

Os governadores dos estados nordestinos e de Minas Gerais, que também participaram da reunião — além do governador do Espírito Santo, ausente nesta sexta — reivindicam a definição concreta de como esse plano será financiado. Eles querem que ao menos 30% do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste sejam destinados a isso.

Após o evento, o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, anunciou um acréscimo para o fundo, de cerca de R$ 4 bilhões, mas ainda não bateu o martelo sobre como será a ajuda para o plano.

Na abertura da reunião Bolsonaro fez um "apelo" aos governadores pela Previdência.

— Nós temos um desafio pela frente, e não é meu, é também dos senhores, governadores e prefeitos, independente da questão partidária, é a reforma da Previdência, sem a qual não podemos sonhar em botar em prática parte do que nós estamos acertando aqui nesse momento — disse.

De acordo com a agenda, o presidente levou 15 acompanhantes em sua comitiva, entre ministros, parlamentares e outros representantes do governo.

Na chegada ao Nordeste, Bolsonaro usou helicópteros para se deslocar em Recife, evitando protestos e contato com a população local.

O presidente e sua comitiva chegaram à capital pernambucana por volta de 9h da manhã e pousaram em uma base aérea, próxima ao aeroporto internacional da cidade. Em seguida, pegaram dois helicópteros para um deslocamento de cerca de 15 km, até o Instituto Ricardo Brennand, complexo cultural da cidade, onde ocorreu a reunião do conselho deliberativo da Sudene.

O instituto fica no bairro da Várzea, zona norte de Recife, em uma área afastada. Enquanto o presidente chegava de helicóptero, manifestantes se concentravam na frente do complexo, com carro de som.

Após o compromisso no Recife, o presidente seguiu viagem para Petrolina (PE), de avião. Ele voltou para a base aérea em Recife de helicóptero e no interior vai pousar no aeroporto Senador Nilo Coelho. Lá, Bolsonaro vai entregar imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida e assinar ordem de serviços para construção de duplicação da BR-428.

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