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BLUMENAU 171 ANOS

Nos 171 anos de Blumenau, Galegão ganha cor e ex-atletas relembram momentos de glória

Valmor Buss e João Camargo Neto contam sobre momentos históricos vividos no principal palco do esporte blumenauense

02/09/2021 - 15h00 - Atualizada em: 08/09/2021 - 09h53

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Por Valeska Lippel
Nome oficial do Galegão é Ginásio Sebastião Cruz
Nome oficial do Galegão é Ginásio Sebastião Cruz
(Foto: )

Bastou pisar novamente na quadra do Galegão para todas as memórias boas voltarem à mente. Aos 80 anos seu Valmor Buss coleciona 32 medalhas como ex-jogador de vôlei e basquete, além de todo um conjunto de lembranças.

— Grande parte da minha vida eu passei dentro das quadras de esporte. Foram mais de 20 anos.

Ao dizer que quando chegou “era tudo mato” ele ri. Sem exageros. Em 1963, quando começou a carreira, o Ginásio Sebastião Cruz não existia e não havia nem sequer uma quadra coberta em Blumenau. É de 1969 a primeira lembrança em um jogo no ginásio semipronto.

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O espaço foi considerado um sinônimo de modernidade dos anos de 1960 e foi palco das melhores lembranças de muitos atletas, como do ex-jogador de basquete e atual técnico João Camargo Neto. Ao falar da estrutura, Camargo brinca que ela lembrava um “chapéu de formatura” com a base arredondada e o teto reto. A comparação bem que poderia ser uma referência àqueles que, com um local adequado para treinar, rapidamente se graduaram e trouxeram grandes conquistas para a cidade.

O Galegão era sinônimo de modernidade nos anos de 1960
O Galegão era sinônimo de modernidade nos anos de 1960
(Foto: )

Não demorou para o ginásio se tornar uma das maiores praças esportivas do Estado.

— Foi no Jogos Abertos de 1979, com o Galegão semiacabado, com 10 mil pessoas assistindo, que tive a oportunidade de participar de três conquistas de medalhas de ouro: no basquete, no vôlei, e como técnico no voleibol feminino — relembra seu Valmor.

Já a melhor lembrança de Camargo foi em uma disputa pela Liga Nacional de Basquete, em 2000.

— O Galegão lotado, jogando contra a equipe do Flamengo de Oscar Schmitt. Muito cheio, não cabia mais ninguém. Tiveram que fechar os portões — conta, como se revivesse a emoção daquele dia.

Hoje o Ginásio Sebastião Cruz está bem diferente das fotos do Arquivo Histórico. O piso teve que ser erguido por causa das enchentes e a estrutura mudou. O nome oficial continua o mesmo, mas ao longo dos anos foi carinhosamente ganhando um apelido.

— Blumenau é a cidade dos galegos, né? Quando nós jogávamos contra Florianópolis eles diziam “lá vem o time dos galegos” então passou a ser Galegão.

Seu Valmor recorda rindo, e diz que a situação nunca causou desconforto a ninguém. A risada ecoou no ginásio vazio. Até então, ele parecia estar preenchido por memórias.

Atualmente, o ginásio é a casa de equipes como a Apan Blumenau, que disputa a Superliga de Vôlei Masculino
Atualmente, o ginásio é a casa de equipes como a Apan Blumenau, que disputa a Superliga de Vôlei Masculino
(Foto: )

A conversa entre os dois atletas poderia render horas, mas não caberia em uma reportagem. Ficou evidente que o lugar carrega a identidade deles e de tantos outros atletas. Não foram eles os construtores do ginásio, mas certamente deles vieram o suor e a persistência que impulsionaram a construção do espaço que hoje é nosso.

— O Galegão resume a história de várias modalidades vitoriosas. Blumenau é a cidade que mais venceu os Jogos Abertos. É uma cidade que tem como característica, no seu DNA, revelar talentos para o esporte nacional e mundial. Por isso, ele representa muitas coisas boas para a cidade, para os atletas e para o público em geral que já presenciou aqui vários espetáculos do esporte – diz Camargo.

Com essa frase encerrou a entrevista porque precisava ir treinar o time de basquete feminino de Blumenau. Assim como o Galegão, ele também deixa seu legado para as novas gerações no esporte — inclusive com um histórico vice-campeonato na Liga Nacional, conquistado no fim de agosto.

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