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Nova ferramenta ajuda jornalistas a detectar imagens adulteradas

A ferramenta visa verificar a autenticidade das imagens – ou mostrar onde elas podem ter sido alteradas

14/02/2020 - 12h02

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Por The New York Times

*Por Davey Alba

Uma imagem adulterada e falsa do presidente Barack Obama apertando a mão do presidente Hassan Rouhani, do Irã. Uma foto real de uma garota muçulmana sentada a uma mesa, fazendo seu dever de casa, com Donald Trump na televisão ao fundo.

Nem sempre é fácil diferenciar as fotografias reais das falsas. Mas a pressão para acertar nunca foi tão urgente, pois a quantidade de conteúdo político falso on-line continua a aumentar.

A Jigsaw, uma empresa que desenvolve tecnologia de ponta e é propriedade da empresa mãe do Google, revelou uma ferramenta gratuita que, segundo os pesquisadores, poderia ajudar os jornalistas a detectar fotos adulteradas – mesmo as criadas com a ajuda de inteligência artificial.

A Jigsaw, conhecida como Google Ideas quando foi fundada, disse que está testando a ferramenta, chamada Assembler, com mais de uma dúzia de organizações de notícias e verificação de fatos em todo o mundo. Entre elas estão a Animal Politico, no México, a Rappler, nas Filipinas, e a Agence France-Presse. A empresa não pretende oferecer a ferramenta ao público.

"Observamos uma evolução na forma como a desinformação estava sendo usada para manipular eleições, travar guerras e perturbar a sociedade civil. Mas, enquanto as táticas de desinformação evoluíam, o mesmo acontecia com as tecnologias usadas para detectar e, por fim, acabar com a desinformação", escreveu Jared Cohen, executivo-chefe da Jigsaw, em um post de blog sobre o Assembler.

A ferramenta visa verificar a autenticidade das imagens – ou mostrar onde elas podem ter sido alteradas. Os repórteres podem inserir fotos no Assembler, que tem sete "detectores", cada um desenvolvido para detectar um tipo específico de técnica de manipulação.

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(Foto: )

Quando uma imagem foi manipulada – por exemplo, duas delas foram fundidas ou algo foi apagado do fundo –, traços das mudanças acabam sendo deixados para trás. Com um programa de computador que foi treinado para aprender vendo inúmeros exemplos do que deveria detectar, o Assembler pode analisar uma imagem e destacar onde acha que esses traços estão.

Cinco dos detectores de imagens do Assembler foram desenvolvidos por equipes de pesquisa de universidades, incluindo a Universidade da Califórnia, em Berkeley, a Universidade de Nápoles Federico II, na Itália, e a Universidade de Maryland. Os modelos podem detectar coisas como anomalias de padrão de cores, áreas de uma foto que foram copiadas e coladas várias vezes, e se mais de um modelo de câmera foi usado para criar uma imagem.

"Esses detectores não podem resolver completamente o problema, mas representam uma ferramenta importante para combater a desinformação", disse Luisa Verdoliva, professora da universidade de Nápoles e especialista visitante do Google AI.

Os outros dois detectores foram desenvolvidos pela Jigsaw. Um foi projetado para identificar as "deepfakes", imagens realistas que foram fortemente manipuladas pela inteligência artificial para enganar o público.

Santiago Andrigo, gerente de produtos da Jigsaw, salientou que o Assembler pode ser "muito útil numa situação em que um jornalista de uma grande organização de notícias recebe uma imagem escandalosa e está sob pressão para dar a notícia". Também poderia ser usado para verificar uma imagem que se tornou viral, disse ele.

A Jigsaw também anunciou uma plataforma interativa mostrando campanhas coordenadas de desinformação de todo o mundo na última década. Elas incluem soldados ucranianos que recebem desinformação direcionada, encorajando-os a desertar durante a anexação russa da Crimeia em 2014; associados do presidente Rodrigo Duterte, das Filipinas, contratando "exércitos de cliques" para escrever comentários e histórias pró-Duterte on-line; e um hospital de uma pequena cidade da Califórnia que contrata uma empresa privada, a Psy-Group, para influenciar a opinião pública sobre um integrante do conselho do hospital.

O banco de dados inclui os envolvidos em operações de influência, as táticas comuns usadas e como as mentiras foram espalhadas nas plataformas de mídia social. A Jigsaw trabalhou com o Laboratório de Pesquisa Forense Digital do Conselho Atlântico para organizar o conjunto de cerca de 60 casos de desinformação, extraídos de mais de 700 investigações, artigos e relatórios publicados pelo laboratório nos últimos cinco anos.

Emerson Brooking, membro residente do laboratório, disse que o objetivo não é construir uma lista enciclopédica de campanhas de desinformação, mas criar uma base para "uma linguagem compartilhada" para descrever os vários esforços. Dessa forma, eles poderiam desenvolver uma taxonomia para tentar ajudar outros meios de comunicação e grupos que estudam a desinformação, disse ele.

Os dois projetos, o Assembler e a plataforma interativa de desinformação, foram anunciados na nova publicação de pesquisas da Jigsaw, "The Current".

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