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Saúde masculina

Novembro Azul: câncer de próstata tem 90% de chance de cura se descoberto cedo

No mês da campanha que chama a atenção para os cuidados com a saúde do homem, conheça histórias de catarinenses que se recuperaram da doença graças à cultura de prevenção e ao diagnóstico precoce

17/11/2019 - 07h30

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Por Lariane Cagnini
Darci
Por Darci Debona
Jean
Por Jean Laurindo
Cláudia
Por Cláudia Morriesen
Armando Conson, de 65 anos, descobriu um câncer de póstata em 2017 e hoje está curado
Armando Conson, de 65 anos, descobriu um câncer de póstata em 2017 e hoje está curado
(Foto: )

Com o aumento da expectativa de vida, também têm crescido os casos de doenças que atingem principalmente a faixa etária acima dos 60 anos. No caso dos homens, o alerta é para o câncer de próstata, segundo tumor que mais matou em Santa Catarina nos últimos 11 anos, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde. Descoberta ainda no início, a doença tem 90% de chance de cura e, por isso, o Novembro Azul chama a atenção para o diagnóstico precoce e o cuidado preventivo com a saúde do homem.

O levantamento da Diretoria de Vigilância Epidemiológica do Estado (Dive-SC) mostra que de 2008 a 2018, 25% das mortes por diferentes tipos de câncer foram na faixa etária entre 60 e 69 anos. Outros 24% atingiram homens de 70 a 79 anos e 20% dos óbitos foram entre mais jovens, de 50 a 59 anos. O último dado chama a atenção, e serve de alerta para que os homens não esperam chegar à terceira idade para pensar em rastrear possíveis problemas de saúde.

O médico urologista André Rodrigues explica que no caso dos homens não há um “marco” na vida onde ele passa a consultar o médico periodicamente, como no caso da mulher quando dá início à vida sexual, por exemplo. Há sete anos em atividade na área oncológica de alta complexidade do Hospital São José, de Criciúma, ele acompanha casos de câncer de todos os tipos, e reforça que o diagnóstico precoce é o pontapé inicial para um tratamento de sucesso.

– Os problemas relacionados à saúde do homem podem surgir a partir dos 40 anos, hormonais ou outras doenças prostáticas, por exemplo. Então, é importante fazer o check-up anual. As pessoas estão vivendo mais, há essa mudança em relação aos nossos pais que só trabalharam. Como vamos viver mais tempo, que seja com saúde para aproveitar – defendeu Rodrigues.

O especialista explica que os exames de rastreamento, de toque ou de sangue são indicados a partir dos 50 anos. Porém, o fator genético tem que ser considerado, e no caso de homens que tenham tido algum parente em primeiro grau, pai ou irmão com a doença, a prevenção tem que começar mais cedo, por volta dos 45 anos. Negros, que têm maior incidência de câncer de próstata, e os obesos, também precisam de acompanhamento mais precoce.

Conscientização e prevenção

Ciente da doença que atingiu dois tios, e provavelmente o avô, Armando Consoni, 65 anos, quis fazer diferente. Há 20 anos ele faz exames periódicos, sempre no posto de saúde do bairro Presidente Vargas, em Içara, onde mora. Quando descobriu a doença, em 2017, passou por cirurgia, e hoje as visitas ao médico são somente para acompanhamento. O filho Luiz Carlos, 45 anos, já faz o acompanhamento preventivo, e o próximo a começar é Sidnei, de 42.

– O “nono” morreu dizendo que doía a bexiga, mas naquela época não se sabia direito. Comecei a cuidar cedo, e dos 56 em diante, todo ano faço certinho. O médico disse que por ter descoberto cedo e por caminhar todo dia, comer bem, foi o que ajudou a me curar – conta o aposentado.

Cada vez mais despidos de preconceito, os homens têm entendido a necessidade de cuidar da própria saúde. O câncer de próstata é assintomático na fase inicial, e por isso é importante os exames de rastreamento. O especialista em urologia alerta que quando os sintomas começam a aparecer, como obstrução urinária, sangramento, 95% dos casos já estão em fase adiantada, o que aumenta os riscos de morte.

Das 128,7 mil mortes de homens e mulheres por tumores malignos em Santa Catarina, apresentados no levantamento da Dive, 19% foram em função do câncer de próstata. A neoplasia maligna que mais matou homens de 2008 a 2018 foi a que atinge brônquios e pulmões, responsável por 36% dos óbitos. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), para Santa Catarina a estimativa para 2019 é de aproximadamente 27.350 novos casos por 100 mil habitantes.

Comecei a cuidar cedo, e dos 56 em diante, todo ano faço certinho. O médico disse que por ter descoberto cedo, caminhar todo dia e comer bem foi o que ajudou a me curar.

Armando Consoni, aposentado

Consultas periódicas salvaram seu Fiorini

Ary Fiorini identificou doença em exames periódicos
Ary Fiorini identificou doença em exames periódicos
(Foto: )

Nem das brincadeiras dos filhos o aposentado Ary Fiorini escapou quando decidiu fazer rotineiramente o exame de próstata, há cerca de 30 anos, quando passou por outro procedimento médico. Mas foi isso que acabou salvando a vida dele recentemente, quando o morador de Chapecó teve identificado um tumor maligno, durante um exame de rotina.

– Antigamente não se falava muito disso, mas passei a fazer de ano em ano e, há uns 15 anos, comecei a fazer um exame de toque e um de sangue todos os anos. Até que em fevereiro de 2017 foi identificado um tumor maligno. Fiz 37 sessões de radioterapia e mais seis injeções e consegui me curar – destacou.

Ao contrário de muitos homens, Fiorini disse que sempre procurou fazer os exames médicos preventivos. Graças a esse cuidado, conseguiu identificar a doença logo na fase inicial. Por isso, ele até virou garoto propaganda de uma cooperativa médica no Oeste durante o período de conscientização. Ele gosta, pois o azul lembra o time do coração: o Grêmio.

Fatores de risco

Existem alguns fatores que podem aumentar as chances de um homem desenvolver câncer de próstata:

— Idade: o risco aumenta com o avançar da idade. No Brasil, a cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata, nove têm mais de 55 anos.

— Histórico de câncer na família: homens cujo o pai, avô ou irmão tiveram câncer de próstata antes dos 60 anos, fazem parte do grupo de risco.

— Sobrepeso e obesidade: estudos recentes mostram maior risco de câncer de próstata em homens com peso corporal mais elevado.

Fatores que ajudam a prevenir

— Alimentação saudável.

— Manter o peso corporal adequado.

— Praticar atividade física.

— Não fumar.

— Evitar o consumo de bebidas alcoólicas.

Sinais e sintomas*

Na fase inicial, o câncer de próstata pode não apresentar sintomas e, quando apresenta, os mais comuns são:

— Dificuldade de urinar.

— Demora em começar e terminar de urinar.

— Sangue na urina.

— Diminuição do jato de urina.

— Necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite.

Esses sinais e sintomas também ocorrem devido a doenças benignas da próstata. Por exemplo:

— Hiperplasia benigna da próstata é o aumento benigno da próstata. Afeta mais da metade dos homens com idade superior a 50 anos e ocorre naturalmente com o avançar da idade.

— Prostatite é uma inflamação na próstata, geralmente causada por bactérias.

* Na presença de sinais e sintomas, recomenda-se a realização de exames para investigar o câncer de próstata.

Fonte: Ministério da Saúde

Empresário de Joinville superou câncer com prevenção

Ingo Döhler escapou do susto graças a diagnóstico precoce
Ingo Döhler escapou do susto graças a diagnóstico precoce
(Foto: )

Para Ingo Döhler, sempre foi muito claro que o sucesso depende do cuidado de assumir a responsabilidade sobre todos os aspectos da vida. Essa convicção o leva a continuar tomando decisões e a fazer visitas diárias por todos os corredores da empresa têxtil onde atua como diretor industrial, mesmo que já tenha completado 80 anos. Foi essa prudência que garantiu que o câncer de próstata não fosse um susto quando o descobriu, em janeiro de 2018, e que fosse resolvido rapidamente. Ingo já fazia exames desde que tinha 30 anos, mesmo bem longe da idade recomendada a começar o rastreamento.

A maioria dos homens é muito machista e acha que fazer um exame de próstata é constrangedor. Para mim, nunca foi. Fazia o exame e estava tudo bem, e assim foi ao longo do tempo. O resultado do PSA sempre estava perto da normalidade. Até que, um dia, começou a aumentar.

A minúcia de uma vida inteira ganhou ainda mais força neste período. Por vontade própria, monitorou o aumento ao longo de poucas semanas e percebeu que, muito rapidamente, a concentração destes antígenos havia se elevado.

Em três meses, a possibilidade de um câncer foi pressuposta, confirmada e resolvida. A cirurgia foi feita em São Paulo, na rede privada, por meio de tecnologia robótica, método que só começou a ser oferecido em Santa Catarina neste ano.

– Cheguei em São Paulo no domingo, fiz os exames na segunda, a cirurgia na terça e, na sexta-feira, já estava na empresa trabalhando novamente. Após a cirurgia, puderam constatar que era um câncer agressivo. Por isso, sempre repito: é importante fazer exame periódico e na hora em que sentir alguma coisa, não ter nenhum receio porque, quanto mais tempo demorar, mais difícil será de resolver – afirma.

Médico especialista alerta para importância dos exames preventivos

No Vale do Itajaí, o mês de conscientização para a saúde masculina motivou a realização de ações como palestras e de um evento em um shopping center em Blumenau para abordar homens acima de 40 anos e discutir a importância da prevenção. Somente no último mês, o câncer de próstata foi responsável por 134 tratamentos feitos pelo setor de oncologia do Hospital Santo Antônio, que atende os pacientes que têm diagnóstico positivo de câncer.

O oncologista do hospital, Bruno Rafael Ramos, explica que o padrão de desenvolvimento do perfil da doença na região guarda semelhança com as estatísticas americanas. O pico da incidência ocorre entre os 65 e os 74 anos, mas há registros de pacientes desde os 40 anos até os 98.

O médico observa que nos últimos anos houve aumento do número de homens que buscam acompanhamento médico preventivo. Uma parte importante disso se deve, segundo o médico, à maior divulgação da informação de que o exame de rastreio da doença pode ser feito com um simples exame de sangue, o PSA. O exame do toque costuma ser feito caso já haja algum sintoma, ou caso o PSA apresente alteração.

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