Em mais de 20 anos de profissão, o catarinense e jornalista Tiago Scheuer já enfrentou alguns desafios, como uma entrada ao vivo mergulhando com tubarão, e alcançou diversas conquistas, como a que começa nesta sexta-feira (31), quando assume a apresentação do telejornal Hora 1. Natural de Jaraguá do Sul, Xoia, como é conhecido, conta que sua paixão pelo jornalismo surgiu ainda na infância.

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— Eu sempre gostei desde pequeno, brincava já com a câmera que o meu pai tinha lá em 1990. Eu com 7 anos já brincava para lá e para cá com a câmera do meu pai, gravando tudo e todos, e fazendo gravações como se eu fosse um diretor de filmes. Eu acho que o jornalismo veio para me ajudar a contar essas histórias de uma maneira profissional e tentar ser o mais justo possível com a informação — conta, em entrevista exclusiva ao NSC Total.

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Início da carreira

A carreira do jaraguaense começou ainda durante a graduação de jornalismo na Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Por meio de um projeto de extensão, Scheuer passou a integrar a equipe da rádio da instituição. Inicialmente, atuou como voluntário, depois ganhou uma bolsa de estudos para continuar no estágio. No sexto semestre da faculdade, ele foi aprovado para também atuar na TV da Univali.

— Foi maravilhoso, porque nós tínhamos os professores orientando o tempo inteiro e a gente trabalhava com outros acadêmicos, junto com os nossos colegas. E isso foi muito bom, porque já foi preparando a gente com a parte prática, enquanto a gente fazia a teórica nas aulas à noite — relata.

As oportunidades que conquistou ainda na graduação refletiram nos seus primeiros trabalhos após formado, em 2005. Na época, atuou por cinco meses em uma rádio de Balneário Camboriú, antes de ser contratado por uma televisão comercial em Itajaí. Entre 2008 e 2010, trabalhou na mesma emissora em Florianópolis.

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No mesmo ano, partiu para um dos maiores desafios da carreira, atuar na emissora Deutsche Welle na Alemanha. Scheuer conta que apesar do seu pai saber falar alemão, devido à descendência germânica da família e cultura de Jaraguá do Sul, só aprendeu a língua durante o período em que viveu no país europeu, durante cerca de um ano.

Chegada à TV Globo

Em 2011, retornou a Santa Catarina já planejando os próximos passos de sua carreira. Scheuer, então, foi convidado a ocupar um cargo temporário na RBS TV, então afiliada da Globo em Blumenau, hoje NSC TV. Ele aceitou o desafio, mas já planejava sua ida a São Paulo, algo que sonhava desde a época da graduação.

— Lá [em Blumenau] trabalhei com grandes amigos da faculdade também, então foi uma fase muito maravilhosa, contando muitas histórias difíceis, inclusive. E aí eu vim para São Paulo, fui chamado para fazer um mês na GloboNews aqui. Então, para mim foi uma coisa fantástica — conta.

Ele entrou na emissora no dia 11 de maio de 2011, no dia do seu aniversário. Scheuer descreve a oportunidade como um “presentão”. Em agosto do mesmo ano, migrou para a Globo.

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— Eu brinco que é o mês mais longo da minha vida, porque já se passaram 14 anos — diz.

Ascenção no jornalismo

O jornalista acredita que sua carreira ascendeu com seu comprometimento e credibilidade ao longo dos anos. Apenas na Globo, são 14 anos de trabalho diário.

— Mas eu já vim com uma bagagem também, então eu não comecei na Globo, mas a Globo contribuiu muito para o meu crescimento profissional. Eu acho que eu sou um outro profissional desde que eu cheguei aqui. Eu acho que começou essa virada [de carreira] nas coberturas da madrugada. Porque eu era um repórter que eu estava chegando pela madrugada e, de repente, eu estava fazendo os jornais de rede. Já era um reconhecimento da minha chefia, pela forma com que eu me engajava nas reportagens e como eu trazia elas para a redação, sempre com a responsabilidade que aprendi muito em Santa Catarina — relata.

Reportagens marcantes

Tiago Scheuer iniciou na TV Globo como repórter. Ainda na GloboNews, trabalhava no turno da madrugada, que iniciava às 22h e terminava às 5h. Ele ficou um ano e nove meses nesse horário e conta que a oportunidade o ajudou a crescer dentro da emissora, inclusive com as primeiras reportagens e entradas ao vivo para os jornais de rede, como o Jornal da Globo e o Bom Dia Brasil.

No horário, cobriu assuntos de importantes que impactavam todo o país. Como uma série de chacinas que aconteceram entre 2012 e 2013 em São Paulo. Os crimes eram realizados, principalmente, durante as noites.

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— Isso era uma uma situação de cobertura muito intensa para nós, durante a madrugada, porque a gente recebia a notícia e tinha que correr para um lado, ir para o outro, para fazer a cobertura disso, noticiar, contabilizar esses mortos, enfim. Foi uma cobertura que durou alguns dias e que marcou muito na época — afirma.

Em paralelo, junto com a equipe de jornalismo ele também conseguia produzir materiais mais leves, como uma série sobre os cantores da noite, que se apresentavam em bares e restaurantes.

Quando migrou para a Globo, foi logo escalado para acompanhar os protestos de 2013, inflados pela pauta do aumento dos 20 centavos nas passagens de ônibus. Ele conta que a cobertura foi intensa e contribuiu para sua carreira como jornalista.

Confira os bastidores da carreira de Tiago Scheuer

Na época, também atuava em diversos jornais da emissora, como o Bom Dia São Paulo, e passou a implementar diferentes ideias para as matérias e ao vivos, coisas que chamassem a atenção e engajassem o público.

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— O Bom Dia São Paulo foi muito importante na minha trajetória aqui, porque eu evoluí nitidamente no dia a dia aos olhos do público, fazendo os ao vivos, que eu sempre adorei fazer. Eu já fiz ao vivo descendo uma montanha de rapel, já fiz ao vivo mergulhando com tubarão-lixa, já fiz ao vivo andando de bicicleta. E aí essa virada começou ali, porque eu mostrei uma versatilidade, não só um cara que dá notícia, mas um cara que participa também dessa notícia e pode falar de um jeito um pouco mais descontraído e leve — conta.

Em 2015, foi convidado a fazer um treinamento para atuar na previsão do tempo. Esse convite foi a oportunidade para passar da rua para o estúdio, como apresentador.

— Passei só da reportagem para também fazer estúdio esporadicamente, cobrindo férias na previsão do tempo. Comecei lá treinando ainda com a Maju Coutinho e com a Eliana Marques. Hoje duas referências que a gente tem… O resto é história. A minha estreia foi em 1º de maio de 2015, na previsão do tempo do Hora 1. Então, é um jornal que eu já conheço — diz.

Mudança para o Hora 1

Esta quinta-feira (30) marca o último dia de Tiago Scheuer no Bom Dia São Paulo e também a transição para a apresentação do Hora 1. A partir de sexta-feira (31), assume a apresentação do Hora 1 em definitivo, telejornal que abre o dia de programação da TV Globo.

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— Esse momento é o mais importante da minha carreira. Eu acho que valeu a pena e eu estou muito feliz, inclusive, porque é uma responsabilidade enorme. Você assumir um telejornal como âncora. A gente não faz as coisas sozinho e tem sempre uma retaguarda de muita confiança. Mas é uma responsabilidade. Continuar o legado do [Roberto] Kovalik também, que é um cara que veio e transformou o Hora 1, e virou uma marca importantíssima na grade da Globo — diz.

Dança de cadeiras na TV Globo

Já nesta sexta-feira (31), acontece também a mudança na apresentação do Jornal Nacional. William Bonner passa o cargo de apresentador para César Tralli, que a partir de então assume o posto ao lado de Renata Vasconcellos. A atual editora-chefe adjunta do telejornal, Cristiana Sousa Cruz, assume a função de editora-chefe.

Com as mudanças, Roberto Kovalick assumirá o Jornal Hoje e, no Hora 1, será substituído pelo jaraguaense Tiago Scheuer.

Já a partir de 2026, Bonner e Sandra Annenberg apresentarão juntos o Globo Repórter.

Assista convite para assistir ao Hora 1