O próximo carro da Fiat no Brasil terá uma missão que vai muito além de disputar compradores com Volkswagen Tera, Renault Kardian e outros compactos com estilo de SUV. Batizado de Argo X, o modelo também será usado pela fabricante para tentar apagar uma fama antiga: a de “matadora de carros”.

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A expressão foi lembrada por Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, durante a apresentação do novo modelo. Segundo o executivo, pesquisas com consumidores mostraram que parte do público ainda associa a Fiat ao encerramento repentino de alguns veículos, prática que provocava insegurança e prejudicava o valor de revenda.

Marea e Brava foram citados como exemplos de carros que deixaram o mercado sem uma transição mais longa. Para evitar que a história se repita, a Fiat decidiu que o atual Argo continuará sendo produzido e vendido mesmo depois da chegada do Argo X.

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A fabricante ainda não definiu por quanto tempo os dois permanecerão juntos. A duração dessa convivência será determinada pela procura dos consumidores, podendo se estender por vários anos.

Argo X não será apenas um Argo mais novo

A manutenção do hatch atual também deixa claro que o Argo X não será simplesmente uma nova geração colocada no mesmo lugar. A tendência é que os dois ocupem faixas diferentes dentro da linha.

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O Argo conhecido deve permanecer como alternativa mais simples e barata, enquanto o Argo X ficará um degrau acima, com projeto mais moderno, maior espaço interno e visual próximo ao de um SUV. É uma fórmula semelhante à adotada pela Fiat no passado, quando o Palio Fire continuou nas lojas depois da chegada de uma geração mais sofisticada do Palio.

A estratégia também evita que todos os consumidores sejam obrigados a migrar imediatamente para um carro mais caro. Atualmente, o Argo parte de pouco mais de R$ 90 mil e permanece como um dos automóveis mais vendidos do país.

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O novo modelo ainda não teve preço divulgado, mas a decisão de manter o hatch antigo indica que o Argo X deverá custar mais. Com isso, a Fiat poderá ocupar o espaço existente entre os hatches tradicionais e os SUVs compactos sem abandonar o público que procura um carro de entrada.

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Por que não usar o nome Panda?

O Argo X será derivado do Grande Panda vendido na Europa, mas a Fiat preferiu não adotar o nome europeu no Brasil. O motivo está na força comercial construída pelo Argo desde 2017.

O hatch já superou a marca de 750 mil unidades produzidas em Betim e terminou 2025 como o segundo Fiat mais vendido do país. Aproveitar esse reconhecimento facilita a apresentação do novo carro e reduz o risco de lançar um nome desconhecido.

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Já a letra X serve para separar os dois produtos e reforçar a proposta mais aventureira do recém-chegado. Na prática, a Fiat começa a transformar Argo em uma família, com um hatch tradicional na base e um modelo maior e mais robusto acima.

Como será o novo Fiat Argo X

A Fiat ainda não mostrou oficialmente o carro, mas confirmou que ele será produzido em Betim ainda em 2026. O modelo inaugurará uma nova fase da fábrica mineira dentro do plano de R$ 32 bilhões da Stellantis para a América do Sul, dos quais R$ 14 bilhões serão destinados ao complexo industrial.

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O projeto terá como base o Grande Panda europeu, que mede 3,99 metros de comprimento, 1,76 metro de largura e 1,57 metro de altura. Apesar de ser praticamente tão curto quanto um hatch, o carro tem cabine mais alta, formas quadradas e melhor aproveitamento do espaço interno.

As especificações brasileiras ainda serão reveladas. Informações de bastidores apontam para versões com motor 1.0 aspirado e uma configuração mais potente com motor 1.0 turbo e sistema híbrido leve. A Fiat, porém, ainda não confirmou motores, equipamentos, preços ou a data exata de lançamento.

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