O Nubank, fintech que nasceu como alternativa aos bancos tradicionais e hoje atende mais de 113 milhões de clientes no Brasil, está prestes a passar por uma mudança institucional importante: vai pedir licença bancária plena ao Banco Central em 2026. A transformação foi anunciada em dezembro de 2025 e responde a uma nova regulamentação que padroniza o uso do termo “banco” em marcas comerciais no país.
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A boa notícia para os clientes: a marca e a identidade visual do “Roxinho” não vão mudar. O Nubank também garantiu, em comunicado oficial, que a operação continuará a mesma para os usuários e que a capacidade financeira e a solidez da instituição não serão afetadas pelo processo.

A regra que deu origem à mudança
A transformação responde à Resolução Conjunta nº 17, publicada em dezembro de 2025 pelo Banco Central (BC) e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A norma estabelece que apenas instituições com autorização formal para operar como banco podem usar o termo em suas marcas comerciais. Após a publicação, as fintechs que utilizavam “bank” no nome receberam prazo de 120 dias para apresentar plano de adequação.
A regra afeta diversas empresas do setor, como Nubank, C6 Bank e BMG. Algumas optaram por buscar licença bancária plena (caminho do Nubank); outras avaliam mudar o nome ou ajustar a comunicação para evitar a palavra “banco”.
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Para o Nubank, mudar uma marca consolidada não era opção. “O Nubank pretende obter uma licença bancária no Brasil em 2026”, confirmou a companhia no comunicado oficial, citando a Resolução Conjunta nº 17 como motivação.
Como o Nubank vai obter a licença
Há duas formas de uma empresa obter licença bancária plena no Brasil:
- Pedir autorização do zero ao Banco Central, demonstrando estrutura operacional, capacidade financeira, capital mínimo e conformidade com as normas;
- Comprar uma instituição que já possua a licença, herdando a autorização existente.
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O Nubank ainda não revelou qual caminho seguirá. Em paralelo, em março de 2026, a empresa se associou à Federação Brasileira de Bancos (Febraban), movimento simbólico que mostra a aproximação ao sistema financeiro tradicional. A entrada na entidade é considerada parte do processo de transição para banco com licença plena.
Investimento bilionário de R$ 45 bilhões no Brasil em 2026
Como parte do mesmo movimento, em 27 de abril de 2026 a empresa anunciou um investimento de aproximadamente R$ 45 bilhões nas operações brasileiras ao longo de 2026, volume que praticamente dobrou em relação aos números de dois anos atrás, segundo dados divulgados pela própria companhia e reportados pela Bloomberg Línea.
“Este investimento é a expressão concreta do nosso compromisso de ser o principal aliado financeiro dos brasileiros”, afirmou David Vélez, CEO e fundador do Nubank, em comunicado oficial. A empresa também sinalizou que parte do capital servirá para cumprir as exigências mais rigorosas do segmento S1, classificação do Banco Central que reúne as maiores instituições financeiras do país (com ativos acima de 10% do PIB brasileiro). Bancos do S1 enfrentam regras de capital, supervisão e liquidez muito mais exigentes que outras categorias.
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Os R$ 45 bilhões serão divididos em quatro frentes:
- Plataformas de crédito com inteligência artificial, para sustentar o crescimento das carteiras;
- Lançamento de novos produtos financeiros;
- Expansão de equipes e escritórios, com mais de R$ 2,5 bilhões destinados à infraestrutura de escritórios ao longo dos próximos cinco anos (não apenas em 2026);
- Fortalecimento da base financeira, incluindo capital próprio e capacidade de crédito.
A companhia esclareceu, no comunicado, que o número de R$ 45 bilhões usa uma definição ampla de investimento: inclui reinvestimento dos resultados gerados pela operação brasileira, infraestrutura tecnológica, despesas operacionais e tributos recolhidos.

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O que muda (e o que não muda) para o cliente
Esta é a principal dúvida dos clientes, e a resposta da empresa é clara: na prática, quase nada muda para o usuário comum. Segundo o próprio Nubank:
- A marca, o nome e a identidade visual continuam iguais (incluindo o roxo característico);
- Os clientes não serão afetados nas operações cotidianas;
- As contas, cartões, Pix, investimentos e empréstimos atuais continuam funcionando normalmente;
- As tarifas e condições de produtos atuais não mudam em função da nova licença.
O que pode mudar, com o tempo, é a oferta de novos produtos. Como banco com licença plena, o Nubank poderá oferecer produtos que sociedades de crédito direto não conseguem ofertar, como captação de depósitos a prazo (CDB com características próprias, por exemplo) e operações de câmbio. Para isso, no entanto, os produtos vão sendo lançados gradualmente.
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Vale lembrar que o Nubank tem feito uma série de movimentos recentes na operação brasileira, conforme o NSC Total já vem acompanhando. Em 2025, a fintech lançou o NuCel, serviço de telefonia móvel com planos entre R$ 45 e R$ 70 mensais, e mudou condições do cartão Ultravioleta, incluindo o fim do acesso gratuito à plataforma Max. A empresa também adquiriu, em 2025, os naming rights do estádio do Palmeiras, que passou a se chamar Nubank Parque.
O contexto: o Nubank no mercado mundial
Fundado em 2013 por David Vélez, o Nubank é hoje uma das maiores plataformas de serviços financeiros digitais do mundo, com mais de 127 milhões de clientes globalmente (Brasil, México e Colômbia), segundo dados da própria empresa. A companhia tem ações listadas na Bolsa de Nova York (NYSE: NU) e teve aporte do investidor Warren Buffett em 2021.
A transformação para banco com licença plena marca uma virada simbólica: o “Roxinho” deixa de ser uma startup financeira disruptiva e passa a ocupar o espaço institucional dos grandes bancos brasileiros, ao lado de Itaú, Bradesco, Santander, Caixa e Banco do Brasil. Sem perder, no entanto, a marca e o modelo de operação 100% digital que o consagrou na primeira década de operação.
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