Em 1966, um agricultor vindo de uma pequena cidade do interior de Santa Catarina decidiu arriscar tudo o que tinha. Sem qualquer conhecimento em metalurgia, Ricardo Fey vendeu o patrimônio agrícola e investiu todas as economias na compra de uma pequena fábrica de porcas torneadas que estava com as atividades paralisadas na cidade de Indaial. 

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O que parecia um ato de fé se transformaria, ao longo de 60 anos, em um dos maiores grupos metalúrgicos do Brasil.

Veja fotos antigas da Fey

A história da Fey começou em uma sala de aproximadamente 70 metros quadrados. Com a ajuda dos dois filhos e apenas um funcionário, a produção inicial era de duas toneladas de porcas por mês. O início, porém, foi marcado por um duro golpe: no 30º dia de funcionamento da nova empresa, o patriarca Ricardo Fey sofreu um AVC, ficando impossibilitado de trabalhar. 

Mesmo assim, viveu por mais 30 anos, período em que viu, à distância, o negócio que fundou crescer sob o comando dos filhos Adolfo e Bertoldo.

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Rápido crescimento 

A rápida demanda exigiu a primeira expansão. Em dois anos, a área da fábrica já havia sido ampliada para 412 metros quadrados, com a aquisição de novos tornos automáticos. O grande salto tecnológico veio em 1972, quando a empresa importou dos Estados Unidos a primeira máquina conformadora de porcas a frio, um marco que aumentou significativamente a capacidade de produção.

O espaço no centro de Indaial tornou-se insuficiente, e a decisão visionária foi construir uma nova unidade fabril às margens da BR-470. As atividades no novo endereço começaram em 1976. Década após década, a estrutura foi se expandindo: a área de 3,2 mil metros quadrados cresceu até alcançar 15 mil metros quadrados no ano 2000.

Imagem interna da empresa Fey (Foto: Divulgação, Fey)

Novas expansões

Em 2001, um novo capítulo foi escrito com a construção de outro pavilhão de 8 mil metros quadrados, também na BR-470. Em 2006, com 30 mil metros quadrados de área construída, toda a operação foi transferida para este novo complexo, que hoje ocupa mais de 40 mil metros quadrados e possui capacidade instalada para produzir 3 mil toneladas de produtos por mês.

O que começou produzindo pequenas porcas para reposição se tornou uma potência com quatro grandes linhas de produtos: porcas, parafusos, grampos de mola e peças especiais de alto valor agregado. Hoje, a Fey abastece desde o mercado de reposição até a exigente cadeia automotiva.

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O exemplo do agricultor que apostou em uma fábrica parada e construiu um império é um dos maiores casos de sucesso do empreendedorismo catarinense, fincado na beira da rodovia que se tornou sinônimo de desenvolvimento no Vale do Itajaí.