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O bitcoin perdeu força, mas criminosos ainda o adoram

O bitcoin ainda é popular entre especuladores de moeda, e a atividade ilícita representa apenas um por cento de todas as transações que o utilizam. Mas esta quase dobrou em relação ao ano anterior

06/02/2020 - 17h59

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Por The New York Times
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(Foto: )

*Por Nathaniel Popper

San Francisco – Os últimos meses não foram bons para o bitcoin. O valor dos tokens digitais caiu constantemente. Sua negociação na bolsa de criptomoedas desacelerou. E usá-los para comprar itens legais? Isso também diminuiu. Mas um aspecto da economia bitcoin ainda está indo bem: a venda de drogas ilegais e outros tipos de violação da lei.

A quantidade de criptomoeda gasta nos chamados mercados darknet, em que informações roubadas de cartão de crédito e uma ampla gama de drogas ilegais podem ser compradas com bitcoins, aumentou 60 por cento, atingindo uma nova alta de US$ 601 milhões nos últimos três meses de 2019, de acordo com dados recentemente divulgados pela Chainalysis, empresa que rastreia todas as transações de bitcoin e serve como consultora de uma série de autoridades governamentais.

O crescimento contínuo das transações ilegais ressalta as dificuldades que o bitcoin teve em superar sua reputação de refúgio de contraventores, mesmo quando instituições de Wall Street começaram a comprar e vender os tokens digitais.

O sucesso persistente da atividade ilegal alimentada pelo bitcoin também aponta para as dificuldades que as autoridades enfrentam para conter os novos tipos de mau comportamento que as criptomoedas acabaram facilitando.

O bitcoin desempenhou um papel crucial no recente crescimento dos chamados ataques de ransomware, nos quais hackers roubam ou criptografam arquivos de computador e se recusam a devolvê-los a menos que um pagamento em bitcoin seja feito.

O bitcoin ainda é popular entre especuladores de moeda, e a atividade ilícita representa apenas um por cento de todas as transações que o utilizam. Mas esta quase dobrou em relação ao ano anterior. A atividade ilegal parecia ser uma das poucas partes da economia do bitcoin imunes a mudanças no preço, de acordo com o novo Relatório de Criptocrimes da Chainalysis.

Os dados da Chainalysis provavelmente subestimam o número de transações de bitcoin com fins ilegais, porque a empresa não pode identificar algumas das atividades dedicadas a ransomware, evasão fiscal e lavagem de dinheiro. É um fato amplamente aceito que algumas das pessoas que compram bitcoins em negociações legítimas estão fazendo isso para contornar leis nacionais.

O aumento das vendas no mercado negro em 2019 é particularmente notável, porque as autoridades globais derrubaram dois dos maiores mercados on-line ilegais. Novos mercados rapidamente apareceram para substituí-los.

Essa atividade ilícita é "generalizada" na darknet, disse Calvin Shivers, diretor assistente da divisão de investigação criminal do FBI, mas ele acrescentou que o bureau permaneceu "determinado" e estava "aumentando os recursos" para resolver o problema.

Além dos mercados-negros on-line, as autoridades estão agressivamente concentradas nos esquemas de criptomoedas. Mas, mesmo assim, a quantidade de bitcoins que entram em atividade fraudulenta teve uma nova alta. Os fraudadores mais do que triplicaram suas ações em relação ao ano anterior, apropriando-se de US$ 3,5 bilhões de milhões de vítimas em 2019, mostram os dados da Chainalysis.

As transações ilegais têm sido uma parte central da história do bitcoin desde que o primeiro mercado-negro on-line, o Silk Road, ajudou a dar às pessoas uma razão para começar a usar o token digital em 2011. O bitcoin foi útil para a Silk Road porque sua estrutura, sem qualquer autoridade central, possibilita que um usuário crie uma carteira de bitcoins e os use sem registrar sua identidade.

Alguns integrantes da comunidade bitcoin tinham a esperança de que a criptomoeda encontrasse um uso mais amplo como dinheiro eletrônico, como seu inventor originalmente postulou.

À medida que o valor do bitcoin aumentava, grandes empresas como Expedia e Stripe anunciaram que começariam a aceitá-lo. Mas, quando os usuários perceberam que o token digital tinha muitas desvantagens como forma de pagamento de compras – como ser mais lento e mais caro do que o dinheiro tradicional –, houve pouca aceitação.

Os aficionados agora acreditam que a criptomoeda é mais útil como um novo tipo de ativo alternativo, como o ouro. Muitas pessoas em Wall Street compraram essa ideia, e a Bolsa de Mercadorias de Chicago e o proprietário da Bolsa de Valores de Nova York permitem que a compra e a venda de derivativos tenham o bitcoin como base. As negociações, porém, têm sido mornas.

Alguns acreditavam que o token digital poderia ser popular em países como Venezuela ou Argentina, onde as moedas locais são ainda menos estáveis que o bitcoin. Mas, nesses lugares, o interesse caiu recentemente, sugerem dados coletados pela Block, uma empresa de pesquisa.

Os preços e as negociações do bitcoin subiram em meados do ano passado, logo após o Facebook anunciar sua intenção de criar a criptomoeda Libra. O preço do bitcoin subiu de cerca de US$ 4 mil para mais de US$ 12 mil. Mas ficou claro que a Libra pode também enfrentar muitas dificuldades legais. O preço de um bitcoin recentemente estava em torno de US$ 9 mil.

Mesmo com as quedas recentes, sua negociação e seus preços ainda estão muito acima do valor do início de 2017, antes de uma corrida de preço que levou o valor do token digital para quase US$ 20 mil cada. Seus defensores geralmente não se preocupam com a quantidade de atividade ilegal feita usando bitcoins, porque veem quantidades muito maiores de atividade ilegal com moedas tradicionais e porque a criptomoeda tem desvantagens significativas para os criminosos.

"O bitcoin ainda é uma moeda muito ruim para usar nos crimes cibernéticos. Talvez seja útil para pequenos crimes, mas, se você lidera um cartel, a história é diferente", disse Ryan Selkis, fundador da empresa de consultoria de criptomoedas Messari.

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