Dia 19 de setembro de 1959. O dia que a população de Florianópolis ficou encantada com a dimensão do novo edifício inaugurado na Praça XV de Novembro, no Centro. Era o início de uma mudança significativa na arquitetura da Capital catarinense, com prédios mais altos, considerados na ocasião quase “arranha-céus”, algo ainda não visto no município.

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À época, o jornal O Estado noticiou o evento como um “momento de indizível orgulho” para Florianópolis, com uma solenidade de inauguração que juntou nomes importantes da época no mundo industrial e comercial, como Guido Bott, que além de supervisor da obra, também era gerente da filial.

Isso porque o edifício, chamado de Edifício Meridional, acomodou, além de tudo, o Banco Nacional do Comércio, visto como “uma das maiores potências na vida econômica e financeira do país”, conforme descreveu o jornal.

“A Capital está de parabéns. O soberbo edifício da Praça XV vem dar-lhe novo aspecto. mais um marco de progresso. O grande estabelecimento de crédito, de sua parte, merece os aplausos e a gratidão dos florianopolitanos pela imponente contribuição que hoje faz os desenvolvimento urbanístico da nossa cidade”, escreveu O Estado.

Como era o Edifício Meridional

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Marco na ampliação comercial

O prédio ainda existe e, desde seu princípio, possui 10 andares, sendo dois comerciais e outros oito residenciais. Isso, na época, foi uma grande inovação, como uma “marco” na ampliação comercial da cidade, com o projeto elaborado pelo engenheiro Domingos Trindade.

O jornal destacou, ainda, como a construção foi planejada com cuidado para que não “destoasse do ambiente onde foi erguido, na praça principal da cidade.

“Suas linhas sólidas, alteando-se para o céu azul, refletem o crescimento da cidade, a ânsia de expansão de fortalecimento de dinamismo, de maturidade econômica em meio à paisagem calma que nos rodeia”, descreveu O Estado.

Com o passar dos anos, o Banco Nacional do Comércio não se manteve mais ali, mas o prédio continuou mantendo bancos como o Sulbrasileiro, Simonsen e, agora, o Banco Santander. Assim como os comércios, o edifício também abrigou e ainda abriga histórias de quem nasceu e cresceu no local, vendo a Praça XV e o Centro da Capital se transformar, com prédios e a revitalização dos edifícios históricos.

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Flávia Pires afirma que morou no local por 25 anos, até se casar, em 2007. Os pais da fotógrafa ainda moram lá, enquanto Valter Correia, pai dela, aos 74 anos, é o síndico do edifício há mais de 30 anos. Para ela, crescer neste local foi especial e sempre fará parte das suas lembranças.

— Foi uma época maravilhosa, onde as crianças podiam andar e brincar na rua sem se preocupar com a violência. A realidade do centro hoje em dia é muito diferente daquela época, o comércio na região era muito diferente também — lembra Flávia.