No coração de uma Inglaterra alternativa, fragmentada em reinos rivais e governada por ordens mágicas de luz e sombra, dois personagens que jamais deveriam dividir o mesmo espaço descobrem-se obrigados a colaborar. Osric Mordaunt, um assassino frio e temido, e Aurienne Fairhrim, uma curandeira de convicções inabaláveis, vivem uma relação que nasce do desprezo, mas que logo vai ganhando diálogos espirituosos, tensões insuportáveis e, sobretudo, um desejo que ameaça incendiar o que cada um acreditava ser inabalável.
Continua depois da publicidade
Assim começa O irresistível desejo de amar quem tanto odeio, primeiro volume da duologia Na Força do Ódio, livro de estreia da britânica Brigitte Knightley, publicado no Brasil pela Plataforma21.
Um assassino e uma curandeira
Quando questionada sobre a origem da história, Knightley não cita uma cena ou uma trama específica, mas uma dinâmica. — Eu queria escrever sobre a colaboração forçada entre um assassino e uma curandeira e as aventuras que poderiam nascer disso —, explicou a autora em entrevista por e-mail ao NSC Total.
Ver essa foto no InstagramContinua depois da publicidade
Essa força magnética entre contrários guia a narrativa. De um lado, Osric, um homem sem escrúpulos, moldado pela Ordem Fyren, que transforma a morte em ofício. Do outro, Aurienne, pesquisadora genial da Ordem Haelan, cujo zelo quase excessivo pela ética, com “moral até demais”, a coloca em rota de colisão com o cinismo do assassino. Entre eles, há insultos, ironias, momentos de repulsa genuína, mas também uma atração inevitável, que cresce à medida que ambos se veem diante da tarefa impossível de salvar crianças de uma epidemia misteriosa.
Aurienne e Osric são desenhados como opostos absolutos, mas, ao longo da escrita, Knightley percebeu que havia mais proximidade do que imaginava. — Eles acabaram sendo mais parecidos do que eu pensava. Ambos são arrogantes, presunçosos, altamente competentes, mas, claro, atuam em áreas muito diferentes. Ele tira vidas; ela as salva —.
O feitiço dos inimigos que se amam
A trope “enemies to lovers” é uma das queridinhas dos leitores, assim como da autora e também é o coração da obra. Para Knightley, a força dessa narrativa está justamente no contraste. — Eu queria escrever uma verdadeira história de inimigos a amantes, com protagonistas que fossem opostos um do outro em todos os espectros possíveis, profissionalmente, eticamente, sistemicamente—, conta.
Continua depois da publicidade
Essa construção paciente do desejo, conhecida como slow burn, é também uma das marcas do livro. — Gostei da ideia de uma dupla assassino x curandeira por essa razão, ela estabelece uma oposição maravilhosa desde o início e um adorável romance proibido para quando os sentimentos finalmente, após muita negação, florescerem gloriosamente —, pontua Knightley.
Criação de um mundo do zero
A narrativa de Knightley não abre mão da ação. Cenas de batalhas, sequestros, mortes e até eviscerações convivem com diálogos cheios de ironia e faíscas de desejo. A autora confessa que busca equilibrar “sangue, morte e beijos” com momentos de humor e ternura inesperada. — Escrevo o que quero ler: uma mistura de humor, um pouco de violência leve, momentos de ternura e um enredo que impulsiona a narrativa —.
Parte do fascínio do romance está no cenário que o abriga. Knightley optou por ambientar a história em uma Inglaterra que nunca viveu a Conquista Normanda de 1066, a invasão e ocupação da Inglaterra anglo-saxã no século XI por um exército normando, bretão e francês liderado pelo duque Guilherme II da Normandia, mais tarde Guilherme, o Conquistador.
Continua depois da publicidade
Sem a unificação dos reinos anglo-saxões, surgem os Tīendoms, onde dez pequenos reinos estão em constante disputa. Esse passado divergente gerou uma geopolítica instável e uma língua mais próxima do inglês antigo e uma cultura moldada por outra lógica histórica.
No lugar de tecnologias como locomotivas e telégrafos, surge o seith, energia mágica que impulsiona tanto viagens quanto curas impossíveis em nosso mundo. Animais familiares, chamados deofols, substituem os meios de comunicação, funcionando como mensageiros mágicos e, muitas vezes, personagens com humor próprio.
— Construir um universo fantástico deixa você com um complexo de deus e novas e excitantes agonias. Por um lado, você é o criador todo-poderoso; por outro, à medida que avança no projeto, sofre as consequências de suas próprias decisões estúpidas. É maravilhoso. Recomendo muito —, diverte-se a autora.
Continua depois da publicidade
A estreia no Brasil
Publicada originalmente em inglês, a obra agora chega aos leitores brasileiros com uma recepção que emocionou a autora. — Estou absolutamente encantada por ver meu livro ganhar vida no Brasil. É uma honra saber que ele encontrou seu público aí —.
O romance abre caminho para o segundo volume da duologia, ainda em produção. Knightley adianta apenas que os leitores devem se preparar para “mais angústia e mais cenas picantes” no próximo livro, que concluirá a trajetória do casal.
Leia também
Você lembra do porquê começou? O romance cristão que aborda amor, fé e recomeços
Clube do Livro da Reese Witherspoon: qual o livro escolhido para setembro de 2025

