A Prefeitura de Palhoça informou ao NSC Total nesta quarta (25) que não irá remover os peixes encontrados mortos no Rio Imaruim, no trecho da Avenida Rio Grande, na região Central de Palhoça, na Grande Florianópolis na segunda-feira (23). O órgão municipal alega que deixará a natureza fazer o seu trabalho, o que, segundo um especialista ouvido pela reportagem, não é o ideal. (entenda abaixo)

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O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) acompanha o caso e ainda aguarda os resultados das amostras colhidas no local.

Mortes de milhares de peixes chocaram moradores

Segundo o município de Palhoça, a decisão foi tomada após vistoria no local. “Quando houve a vistoria, a decisão tomada foi que a natureza tomasse seu curso e os rios seriam levados pelo mar, seguindo o fluxo da vida marinha naturalmente. Creio que a chuva deva ter alterado algo neste sentido, talvez acelerando o processo de devolução dos peixes ao mar. Hoje (quarta-feira) não foi um dia de vistorias”, informou a prefeitura.

A justificativa é que o próprio curso da água, com influência das chuvas recentes, deve conduzir os peixes ao mar.

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O município de Palhoça sofreu com fortes chuvas na noite de terça-feira (24). De acordo com a prefeitura, entre a noite de terça e a madrugada de quarta-feira, foram registrados cerca de 150 milímetros de chuva. Várias pessoas tiveram as casas e ruas onde moram alagadas.

Para o biólogo Bruno Renaly Souza Figueiredo, doutor em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais, a decisão de não remover os animais pode trazer impactos ambientais e sanitários, especialmente em trechos com pouca circulação de água.

— Pelo que conheço, o Rio Imaruim apresenta trechos com baixa circulação de água. Nesses casos, a remoção dos animais costuma ser recomendada. Principalmente porque, na decomposição dos peixes, há intensa proliferação bacteriana e consumo de oxigênio da água, o que pode piorar a qualidade ambiental e gerar odores fortes — explica.

Segundo ele, há também risco à saúde caso haja contato direto com a água contaminada, ainda que o ponto não seja considerado balneável.

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— Ambientalmente, a remoção dos peixes reduz a carga orgânica que entraria em decomposição, evitando consumo adicional de oxigênio na água. Sanitariamente, reduz odores e a proliferação bacteriana associada à decomposição. E, do ponto de vista social, contribui para reduzir a sensação de abandono e preocupação da população — completa.

IMA ainda aguarda resultados e Defesa Civil tem duas hipóteses

O IMA informou que ainda não há resultado das análises da água e dos peixes coletados no local. As amostras foram encaminhadas para laboratório, e a causa da mortandade segue sob investigação.

Enquanto isso, a Defesa Civil de Santa Catarina trabalha com duas hipóteses principais para explicar o fenômeno. A primeira é de que tenha havido descarte irregular por parte de alguma embarcação de pesca.

— Esses barcos utilizam pesca de arrasto e acabam descartando peixes muito pequenos. Isso acontece em todo o litoral catarinense — explicou Julio Marcelino, coordenador da Defesa Civil de Palhoça ao NSC Total.

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A segunda possibilidade envolve a própria característica da espécie encontrada. Segundo a Defesa Civil, trata-se de manjubinha (Anchoviella lepidentostole), um peixe de água salgada. A suspeita é de que um cardume possa ter entrado no rio por engano.

— A manjuba é um peixe de água salgada. Ao entrar em um ambiente de água doce, ocorre um choque osmótico, porque a concentração de sais no rio é muito menor do que no mar. Isso pode prejudicar o organismo do peixe, inclusive seus órgãos — detalhou o coordenador.

Sem os laudos laboratoriais, porém, nenhuma das hipóteses foi confirmada até o momento.

Para o biólogo Bruno Renaly, a explicação para as mortes pode ir além de uma simples “confusão” dos animais, e, na verdade, estar relacionada às condições ambientais do rio. Segundo ele, é possível observar, nas imagens divulgadas, sinais de degradação no rio.

— Nas imagens, é possível ver um rio sem vegetação ao redor, portanto em condições precárias de preservação, com coloração escura indicativo de poluição, provavelmente esgoto. Em ambientes aquáticos que recebem esgoto ou outros resíduos ricos em nitrogênio e fósforo, ocorre um fenômeno conhecido como floração de algas — explicou.

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De acordo com o especialista, esses nutrientes funcionam como fertilizantes, estimulando o crescimento excessivo de algas e microrganismos. Durante o dia, com a presença de luz solar, as algas realizam fotossíntese e produzem oxigênio. À noite, porém, a fotossíntese cessa, mas a respiração continua.

— Tanto as algas quanto as bactérias que degradam matéria orgânica passam a consumir oxigênio da água. Em locais já degradados, com grande carga de esgoto, essa respiração noturna pode reduzir drasticamente o oxigênio dissolvido, às vezes a níveis próximos de zero. Esse processo é chamado de hipóxia — detalhou.

Peixes dependem do oxigênio dissolvido na água para sobreviver. Quando a concentração cai rapidamente, podem morrer por asfixia.

— Portanto, em vez de uma “confusão” do cardume, uma explicação biologicamente mais provável é que os peixes tenham entrado no rio, possivelmente durante a maré alta, e encontrado um ambiente com baixa concentração de oxigênio, incompatível com sua sobrevivência — concluiu.

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O caso é acompanhado por diferentes órgãos ambientais e de fiscalização. O IMA realizou coletas na tarde de segunda-feira para análise. Também foram notificadas a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e a Polícia Científica de Santa Catarina.

Na manhã desta terça-feira (24), a Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina acompanhava o laboratório durante nova coleta de material para subsidiar a investigação do IMA.

Como estava o rio na manhã de terça-feira

Como denunciar

Os órgãos ambientais reforçam a importância de que a população registre oficialmente ocorrências suspeitas. Em caso de crime ambiental em flagrante, a orientação é acionar a polícia pelo telefone 190.

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Denúncias ambientais também podem ser feitas diretamente na plataforma do IMA. O canal permite que o cidadão informe detalhes, endereço exato e outras informações pertinentes, facilitando a atuação da fiscalização.