Todo mundo lembra qual seleção assombrou o Brasil na Copa do Mundo de 2014. Mas pouca gente sabe que, muito antes daquele placar virar trauma nacional, uma marca do mesmo país já vinha dominando outro campo por aqui: o das vendas de carros no Brasil.

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A curiosidade aparece em um levantamento sobre os carros mais vendidos no Brasil em anos de Copa do Mundo. A lista começa em 1958, ano do primeiro título da Seleção Brasileira, e revela que uma montadora estrangeira teve uma espécie de “dinastia” nas garagens brasileiras.

Foram 12 Copas com carros da mesma fabricante no topo das vendas nacionais. É uma vantagem enorme sobre qualquer outra marca que aparece no ranking. E a responsável por esse domínio é a Volkswagen, montadora alemã que marcou época no Brasil com dois modelos populares: Volkswagen Fusca e Volkswagen Gol.

A coincidência com o futebol é inevitável. Décadas antes do 7 a 1, a Alemanha já tinha construído uma goleada silenciosa no mercado automotivo brasileiro.

O NSC Total cruzou rankings históricos de vendas e emplacamentos no Brasil, com dados publicados por Motor1, Mobiauto, iG Carros, Automotive Business e Autoo.

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O domínio começou com um carro que virou símbolo

O primeiro ano de Copa considerado no levantamento é 1958. Naquela época, o carro mais vendido no Brasil ainda era o Jeep Willys, reflexo de um país com estradas difíceis e uma indústria automotiva ainda em formação.

Mas, a partir da Copa seguinte, a história mudou. Em 1962, ano do bicampeonato brasileiro no Chile, o Volkswagen Fusca assumiu o topo das vendas. E dali quase não saiu por duas décadas.

O Fusca foi o carro mais vendido do Brasil nos anos de Copa de 1962, 1966, 1970, 1974, 1978 e 1982. Foram seis Mundiais seguidos com o mesmo modelo na liderança.

Isso significa que o Volkswagen Fusca era o carro mais vendido por aqui tanto no bicampeonato de 1962 quanto no tricampeonato de 1970.

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Os carros que dominaram o mercado nos anos de Copa

A ascensão do Volkswagen Fusca também tem relação com um momento decisivo da indústria brasileira. A Volkswagen já estava no país desde 1953, mas foi no fim dos anos 1950, em meio ao projeto desenvolvimentista do governo Juscelino Kubitschek, que a produção nacional ganhou escala. A fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), foi inaugurada em 1959. No mesmo ano, o Fusca nacional começou a sair da linha de montagem e logo se transformou em um dos maiores fenômenos da história do mercado brasileiro.

Depois do Fusca, veio outra goleada

O reinado do Fusca chegou ao fim, mas a Volkswagen não desapareceu do topo. Depois de uma pausa nos anos 1980, quando o Chevrolet Monza liderou em 1986, outro modelo da marca alemã assumiu o protagonismo.

O Volkswagen Gol foi o carro mais vendido do Brasil nos anos de Copa de 1990, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010.

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O Fusca liderou em seis Copas. O Gol também. Somados, os dois deram à Volkswagen 12 lideranças em anos de Mundial.

E no ano do 7 a 1?

A parte mais curiosa vem justamente em 2014. No ano em que a Alemanha venceu o Brasil por 7 a 1 na semifinal da Copa, a Volkswagen (curiosamente, alemã) não terminou na liderança das vendas brasileiras.

Quem ficou no topo naquele ano foi o Fiat Palio, com 183.736 unidades vendidas. O resultado quebrou uma longa sequência do Volkswagen Gol, que vinha como maior símbolo da liderança da marca no país.

Fiat e Chevrolet aparecem, mas longe da líder

Além da Volkswagen, outras marcas também aparecem no topo em anos de Copa, mas com bem menos frequência.

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A Chevrolet liderou em 1986, com o Monza, e em 2018, com o Onix. A Fiat aparece em 2014, com o Palio, e em 2022, com a Strada.

Se o recorte incluir o acumulado parcial de 2026 até maio, a Fiat aparece novamente na frente com a Strada, atual fenômeno do mercado brasileiro. Ainda assim, a distância para a Volkswagen continua grande quando se olha toda a série histórica.

A Strada mostra que o Brasil mudou

A liderança da Fiat Strada em 2022 e no início de 2026 também revela uma mudança importante. Durante décadas, os carros mais vendidos em anos de Copa eram modelos populares de passeio, como Fusca, Gol, Palio e Onix.

Agora, uma picape compacta ocupa esse espaço. A Strada cresceu por misturar uso urbano, trabalho, economia e versões mais equipadas. Ela atende tanto consumidores comuns quanto frotistas, pequenos empresários e motoristas que querem um veículo mais versátil.

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É um retrato diferente daquele Brasil do Fusca e do Gol. O carro mais vendido deixou de ser apenas o “popular da família” e passou a ser também uma ferramenta de trabalho.

Veja os carros mais vendidos no Brasil em anos de Copa

Ano da CopaCarro mais vendido
1958Jeep Willys
1962Volkswagen Fusca
1966Volkswagen Fusca
1970Volkswagen Fusca
1974Volkswagen Fusca
1978Volkswagen Fusca
1982Volkswagen Fusca
1986Chevrolet Monza
1990Volkswagen Gol
1994Volkswagen Gol
1998Volkswagen Gol
2002Volkswagen Gol
2006Volkswagen Gol
2010Volkswagen Gol
2014Fiat Palio
2018Chevrolet Onix
2022Fiat Strada
2026 (até maio)Fiat Strada