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O que aconteceu com as colagens faça você mesmo? 

Os kits de colagem, como são chamadas essas impressões organizadas por cores, tornaram-se mais populares com a ascensão do Instagram e o declínio das revistas impressas, cujas páginas podiam ser usadas também como papel de decoração do quarto

12/03/2020 - 16h00

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Por The New York Times
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*Por Sophia June

A parede atrás da cama de Sierra Palantino está coberta de fotografias: um arranjo de rosas cor de coral e de pérola; um buquê de balões Mylar vermelho e rosa; um close de um letreiro de néon com a frase "todos os sentimentos". Em milhares de quartos espalhados pelo mundo, as mesmas imagens são organizadas em uma colagem elegante.

Os kits de colagem, como são chamadas essas impressões organizadas por cores, tornaram-se mais populares com a ascensão do Instagram e o declínio das revistas impressas, cujas páginas podiam ser usadas também como papel de decoração do quarto. No Etsy, há quase 1.300 listagens para "kit de colagem". Um kit popular é o de Tezza Barton, uma influenciadora do Instagram, conhecida pelos seus fãs simplesmente como Tezza.

"Sempre fiz colagens, mas é legal ter algo que você pode comprar. Ele parecia esteticamente agradável", disse Palantino, de 22 anos, coordenadora de amostras da Free People, sobre seu kit Tezza.

Barton começou a vender kits de colagem em seu site em 2017. Cada kit de 150 páginas custa US$ 89 e os temas são vastos: o Kit Litorâneo traz fotos das praias da Costa Amalfitana, na Itália, do sul da Califórnia e do Havaí; já o Kit Cidade é uma ode à arquitetura e ao ritmo de Nova York. Em janeiro, ela apresentou o Kit Sonhos, um pacote mais em conta de 75 imagens por US$ 49.

Por esse preço, você também pode comprar até duas dúzias de revistas impressas e criar sua própria coleção de imagens para colagem.

"Parece uma imaginação pré-embalada. É quase como deixar alguém fazer o trabalho para você, em vez de sair, inspirar-se na vida real e tirar suas próprias fotos ou reservar um tempo para folhear uma revista", afirmou Erin Hover, ex-diretora criativa da "Teen Vogue".

Segundo ela, campanhas de moda podem levar meses e custar uma fortuna em cachês (fotógrafo, maquiador, estilista, designer) para serem produzidas. Em comparação, Barton e seu marido, Cole Herrmann, levam um mês para fotografar e criar um kit. Em seguida, ela imprime as imagens em páginas que se aproximam da espessura de uma capa de revista.

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Herrmann teve a ideia; muitos dos seguidores de sua esposa queriam saber como ela fez a colagem que decora seu estúdio.

"Você pode comprar muitas revistas e fazer a curadoria de sua parede, mas jamais conseguirá ter uma cena como essa ou esse toque de um curador", disse Barton.

As colagens se destacam na cultura popular e costumam aparecer com frequência em cenários de programas de televisão e filmes com personagens centrais jovens. Chris August, o designer de produção de "Para Todos os Garotos 2: P.S. Ainda Amo Você", vê nelas um meio de autoexpressão e autoatualização.

"Acho que a colagem é apenas uma maneira de fazerem escolhas específicas para reforçar algo que já estão sentindo. Algo como: 'Quero ser mais assim'", explicou August.

Lara Jean Covey, a protagonista do filme, dorme e sonha em um quarto colorido e caprichosamente decorado. Cartas, desenhos, fotografias e gravuras coloridas cobrem as paredes dos dois lados da cama. Entre o primeiro filme e a sequência, August adicionou imagens às colagens para refletir o desenvolvimento da personagem ao longo do tempo.

Barton encoraja os compradores a adicionar suas imagens pessoais para criar um diferencial nas colagens. Isabel Collins, estilista de moda, comprou o Kit Litorâneo de Tezza e adicionou seus próprios artefatos: cartões-postais, Polaroids e algumas páginas de revistas.

"A qualidade do kit é muito melhor que uma revista e ele também é muito personalizável. Não haverá dois exatamente iguais, e isso o torna um pouco mais pessoal. É mais fácil montar algo do que folhear um milhão de revistas e ver o que funciona", disse Collins, de 24 anos.

Ainda assim, alguns veem os kits como um atalho para a criatividade – e como mais uma evidência de que o Instagram criou uma espécie de monocultura.

"A vida das pessoas está começando a ficar igual. O apartamento das pessoas está começando a ficar igual. A mídia social está começando a ficar igual. A maquiagem das pessoas está começando a ficar igual. Parece que basta escolher uma avenida e encontrar algo que você pode comprar para fazer isso acontecer", concluiu Hover.

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