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Infecção generalizada

O que é a bactéria estafilococos, que causou a morte do neto de Lula

Sintomas da infecção são muito semelhantes ao quadro de meningite meningocócica, o que dificulta o diagnóstico

03/04/2019 - 10h14 - Atualizada em: 03/04/2019 - 10h22

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Por GaúchaZH
Arthur Araújo Lula da Silva morreu aos sete anos, no início de março
Arthur Araújo Lula da Silva morreu aos sete anos, no início de março
(Foto: )

A bactéria Staphylococcus aureus, que causou a morte de Arthur Araújo Lula da Silva, neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por infecção generalizada, é comum: vive na pele de até 20% da população mundial. Mas, em casos raros, pode entrar no organismo via machucados, hematomas ou cortes, cair na corrente sanguínea, causar uma infecção generalizada e provocar a morte em poucas horas.

Na segunda-feira (1º), a prefeitura de Santo André afirmou que a morte de Arthur não foi causada por meningite meningocócica, conforme divulgado pelo hospital à época. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o garoto morreu por infecção generalizada causada pela bactéria Staphylococcus aureus. Arthur deu entrada às 7h20min de 1º de março no Hospital Bartira, da rede D'Or, com quadro instável, segundo boletim médico divulgado pela instituição. O quadro se agravou, e a criança morreu às 12h36min do mesmo dia.

Segundo Claudio Stadnik, médico do controle de infecção da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a infecção no cérebro por estafilococos tem quadro idêntico à infecção pela bactéria meningococo.

Em ambos os casos, o quadro tem grande risco de morte. Ele diz que, anos atrás, atendeu a um paciente com quadro muito semelhante ao do jovem Arthur.

Na ocasião, um garoto havia sido internado três dias depois de criar um hematoma ao bater o pé enquanto jogava bola. O menino teve febre, entrou em coma e, poucos dias depois, morreu.

— A infecção por Staphylococcus aureus imita um quadro de meningite. É difícil de diagnosticar porque o paciente evolui muito rápido, a bactéria demora para crescer nas culturas (de análise em laboratório da proliferação das bactérias) e a gente só fica sabendo depois se é de fato ela. Não há exame clínico capaz de separar as duas infecções, ambas causam rigidez de nuca, náuseas, vômitos e crises convulsivas. É uma infecção que não acontece fácil, mas todo médico de emergência e infectologista tem receio de deparar com esse tipo de estafilococos, porque é uma luta árdua entre a vida e a morte — explica o infectologista.

A Staphylococcus aureus costuma viver na pele, sobretudo dentro do nariz. Via de regra, não causa problemas. Mas, em pessoas com predisposição genética, a bactéria pode cair na corrente sanguínea quando coçamos um local da pele onde ela está em grande quantidade e, em seguida, coçamos feridas, hematomas, cortes ou espinhas – portas de entrada para a corrente sanguínea.

Das espécies de estafilocos, a Staphylococcus aureus é a mais perigosa. Medidas de prevenção incluem higienizar as mãos e não coçar feridas, machucados ou espinhas. O tratamento é com um derivado da penicilina, antibiótico comum em hospitais. No entanto, dada a rápida evolução e a dificuldade de diagnóstico, o perigo é alto.

— Esse tipo de quadro normalmente é avassalador. Mesmo que o antibiótico seja aplicado, é grande a chance de chegar a óbito — afirma Stadnik.

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