Emergência Radioativa continua dando o que falar entre as produções mais vistas da Netflix globalmente. A série retrata o acidente com césio-137, que ocorreu em Goiânica, em 1987. A trama mistura fatos reais e construções fictícias para narrar o caso verídico.

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Protagonista da série, Johnny Massaro revelou ao Diário do Nordeste que toda a produção teve um “cuidado absurdo” para contruir o roteiro da série. Grande parte do que é retratado nos cinco episódios aconteceu na vida real.

De fato, os dois catadores encontraram um aparelho de radioterapia abandonado no antigo Instituto Goiano de Radioterapia. Eles levaram o objeto a um ferro-velho, e o dono o adquiriu sem saber do que se tratava. A cápsula de césio-137 foi aberta no local, e passou a contaminar gravemente muitas pessoas pela cidade.

A série faz um trabalho cuidadoso ao mostrar as consequências da contaminação, que são eles: sintomas como tontura, vômito e feridas na pele. Além disso, a atmosfera da época – que era a demora para a identificação do problema, o isolamento de pessoas, as áreas contaminadas, a dificuldade dos médicos e a revolta da população que não entendia bem o que estava acontecendo – também foi retratada de acordo com os acontecimentos da vida real.

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As mortes exibidas na série também aconteceram na vida real. No entant, os nomes das vítimas foram trocados. Celeste (Mari Lauredo), por exemplo, na verdade se chamava Leide das Neves. Ela se tornou a vítima mais conhecida desta tragédia e morreu por ter ingerido e tido contato com partículas de césio-137. A revolta no enterro dela ocorreu como na vida real.

— A gente teve um cuidado absurdo, tivemos a assessoria do Ipen [Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares], assessoria dos físicos, dos médicos, de pessoas que viveram, que trabalharam lá. É justamente disso que falamos, da informação verdadeira, do conhecimento, da ciência. Se a série não tivesse esse cuidado, estaríamos errando já na largada — disse Johnny Massaro, em entrevista ao Diário do Nordeste.

O que foi inventado em Emergência Radioativa

Apesar de todo o cuidado com a realidade dos fatos, a minissérie também utilizou recursos narrativos fictícios para condensar o acidente radioativo em cinco episódios.

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O próprio personagem de Johnny Massaro não existe no caso real. Na narrativa da série, ele é uma junção de vários profissionais que ajudaram a identificar e a contornar o perigo radioativo.

A trajetória de Márcio (Johnny Massaro) se assemelha com maior proximidade à do físico Walter Mendes Ferreira, um dos primeiros a identificar o problema. Ainda assim, dramatizações como a questão da gravidez da mulher do personagem foram criadas especificamente para a série.

Aliás, na série, o público é apresentado apenas a um pequeno número de físicos, médicos e profissionais da ciência envolvidos diretamente no caso. Na realidade, dezenas de pessoas trabalharam nisso.

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Na vida real, os desdobramentos do acidente radioativo ocorreram de forma ainda mais caótica. Na série, os acontecimentos e resoluções são apresentados de maneira linear e concisa, simplificando processos e procedimentos científicos e médicos, para maior compreensão geral.

Emergência Radioativa é uma minissérie com foco em “heróis anônimos”

*Sob supervisão de Pablo Brito